22/02/2025
𝐓𝐬𝐮𝐧𝐚𝐦𝐢 𝐞𝐦 𝐆𝐚𝐳𝐚
João Vaz de Almada, em Maputo (Jornalista e consultor de comunicação moçambicano)
𝐀𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐜𝐫𝐨𝐦𝐚𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨, 𝐨 𝐜𝐥𝐚𝐦𝐨𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐚𝐢𝐮 𝐝𝐚𝐬 𝐠𝐚𝐫𝐠𝐚𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐧𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐦𝐢𝐥𝐡𝐚𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐦𝐨𝐜̧𝐚𝐦𝐛𝐢𝐜𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐞𝐫𝐚 𝐛𝐞𝐦 𝐝𝐞𝐟𝐢𝐧𝐢𝐝𝐨: 𝐕𝐞𝐧𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐨! 𝐕𝐞𝐧𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐨! 𝐄𝐬𝐭𝐞 𝐩𝐚í𝐬 𝐞́ 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨! 𝐒𝐚𝐥𝐯𝐚 𝐌𝐨𝐜̧𝐚𝐦𝐛𝐢𝐪𝐮𝐞! 𝐅𝐨𝐢 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐦 𝐧𝐨 𝐂𝐡𝐢𝐛𝐮𝐭𝐨, 𝐧𝐚 𝐌𝐚𝐜𝐢𝐚/𝐁𝐢𝐥𝐞𝐧𝐞 𝐞 𝐧𝐨 𝐗𝐚𝐢-𝐗𝐚𝐢, 𝐚 𝐜𝐚𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐯𝐢́𝐧𝐜𝐢𝐚.
Há dias, Venâncio Mondlane (conhecido pela sigla VM7, o sete é uma alusão ao CR7), o candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais de Outubro em Moçambique mas que reclama vitória, deitou por terra uma das verdades que os moçambicanos tinham como absoluta, inabalável.
A província de Gaza, situada imediatamente a norte da de Maputo, berço de praticamente todos os líderes da Frelimo – Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano, Armando Guebuza (este último só não nasceu porque o pai era um enfermeiro andarilho) – o partido no poder desde a independência, em 1975, vestiu a roupa do avesso e o habitual vermelho da Frelimo deu lugar e um colorido anarquista, sem uma cor definida.
Ao contrário do cromatismo, o clamor que saiu das gargantas de dezenas de milhares de moçambicanos era bem definido: Venâncio! Venâncio! Este país é nosso! Salva Moçambique! Foi assim no Chibuto, na Macia/Bilene e no Xai-Xai, a capital da província.
O frelimistão, como foi durante anos designada a Gaza moçambicana, onde a Renamo, que até às últimas eleições foi sempre o maior partido da oposição, nunca conseguiu obter, nem nos melhores tempos do líder Afonso Dlakhama, mais do que 5% dos votos nos pleitos eleitorais, rendeu-se ao carisma, ao fascínio e, porque não dizê-lo, ao feitiço de VM7.
Efectivamente, tal como Mário Soares, em Junho de 1975, teve a ousadia de escolher a Fonte Luminosa para palco do comício da chamada ‘maioria silenciosa’ anti-comunista ao invés do recomendado Pavilhão dos Desportos, VM7 teve o desplante de se deslocar ao terreno mais adverso que podia existir: o coração da província de Gaza.
VM7 foi mais longe do que o Benfica quando, em Portugal, joga fora de casa. É que Gaza está para o VM7 como estádio do Porto e do Sporting estão para as águias. Agora imaginem o Benfica a ter a esmagadora maioria da assistência no Dragão ou em Alvalade! Foi assim em Gaza a semana passada.
Fonte: https://www.sabado.pt/opiniao/detalhe/tsunami-em-gaza