10/05/2026
Escândalo na LAM: rombo de 18,5 milhões de dólares em venda de aeronaves
A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique revelou um rombo financeiro estimado em 18,5 milhões de dólares na alienação de três aviões pertencentes à transportadora de bandeira, Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).
O caso, que já levou à detenção de antigos gestores de topo, é descrito como um esquema deliberado de desmantelamento do património estatal.
Em causa está a venda de dois modelos Embraer 190 e um Boeing 737-500.
Embora os ativos estivessem avaliados inicialmente em cerca de 24 milhões de dólares, acabaram por ser vendidos por apenas 6,1 milhões de dólares.
A gestão da época justificou a decisão com a necessidade de “uniformizar a frota” para otimizar os custos da empresa.
De acordo com a acusação, baseada em investigações detalhadas pelo Canal de Moçambique, o Ministério Público acredita que o antigo diretor-geral, João Carlos Pó Jorge, e outros gestores integraram uma rede internacional para liquidar o património da companhia a preços muito abaixo do valor de mercado.
As aeronaves foram adquiridas por empresas estrangeiras, destacando-se a Ariana Afghan Airlines e a Think Holdings Limited, sediada em Gibraltar.
O processo de venda, segundo a PGR, esteve repleto de irregularidades, incluindo a ausência de concursos públicos obrigatórios e falhas críticas na avaliação e planificação dos ativos.
Por outro lado, os ex-gestores, detidos desde fevereiro, alegam que as decisões foram tomadas num contexto de crise extrema provocada pela pandemia de COVID-19.
A defesa sustenta que as aeronaves estavam paradas em Nairobi, no Quénia, gerando custos de manutenção insustentáveis num mercado aeronáutico completamente paralisado à época.
O escândalo ganha contornos irónicos com os desenvolvimentos mais recentes.
Após ter vendido os Embraer em 2022, alegando que a frota deveria ser composta apenas por modelos Boeing 737-700, a LAM investiu recentemente 25 milhões de dólares na aquisição de dois novos Embraer 190.
No entanto, estas aeronaves permanecem retidas nos hangares desde dezembro devido à ausência de instrutores qualificados para formar os pilotos nacionais, impedindo que entrem em operação.
Atualmente, a PGR mantém a tese de crime com intenção de prejudicar o Estado moçambicano, enquanto o Tribunal Administrativo prossegue com a análise minuciosa das contas de uma das empresas públicas mais estratégicas do país.
Ponte da notícia: Timesdados
Redação:TVNampulaMoz
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