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O MÊS DE RAJAB NA SUNNAH:Estudo Crítico dos Hadiths Relativos ao Seu Mérito e Práticas Devocionais> Por: MSc Sheikh Mold...
25/12/2025

O MÊS DE RAJAB NA SUNNAH:
Estudo Crítico dos Hadiths Relativos ao Seu Mérito e Práticas Devocionais

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. nº 173

_Res._ O mês de Rajab ocupa um lugar relevante no calendário islâmico por integrar os quatro meses sagrados mencionados no Qur’an e na Sunnah. Contudo, ao longo da história, difundiram-se numerosos hadiths que atribuem a este mês virtudes específicas e práticas devocionais particulares, sobretudo no que concerne ao jejum e a determinadas orações. O presente artigo tem como objetivo analisar criticamente os hadiths relacionados a Rajab, enumerando-os, classificando-os segundo os critérios da ciência do hadith (Ïlm al-Hadith), distinguindo entre textos autênticos (صحيح), fracos (ضعيف) e fabricados (موضوعات), e clarificando a posição dos grandes muhaddithun. O estudo demonstra que não existe hadith autêntico que estabeleça mérito devocional específico para Rajab, embora a sua sacralidade geral esteja solidamente comprovada.

_Introd._ Não obstante a sacralidade deste mês, observa-se, em contextos populares e até religiosos, a atribuição de práticas específicas — como jejuns determinados, orações especiais e noites com mérito singular — baseadas em hadiths amplamente divulgados. Tal fenómeno torna necessária uma abordagem crítica, alicerçada nos princípios da ciência do hadith, para separar o que é autenticamente atribuído ao Profeta Muhammad ﷺ do que foi posteriormente introduzido sem base válida.

`2. Rajab no Qur’an e na Sunnah Autêntica`

A base textual segura sobre Rajab encontra-se na sua inclusão entre os meses sagrados, conforme o Qur’an (9:36) e a Sunnah autêntica. O hadith relatado por al-Bukhari e Muslim estabelece:

*Hadith 1:* _“O ano tem doze meses, dos quais quatro são sagrados… três consecutivos: Dhu al-Qa‘dah, Dhu al-Hijjah e Muharram, e Rajab de Mudhar, que está entre Jumadä e Sha‘ban.”_
Classificação: Autêntico (Sahih al-Bukhari & Muslim).

*Hadith 2:* _“Esse é um mês do qual as pessoas se descuidam, entre Rajab e Ramadhan.”_
Classificação: Bom-autêntico (Hasan Sahih). Narrado por an-Nasäi & Ahmad.

`3. Hadiths Fracos Relacionados a Rajab`

*Hadith 3:* _“Jejua nos meses sagrados e interrompe.”_ Classificação: Fraco (Da'if) Narrado por Abu Dawud, Ahmad & al-Bayhaqi.

`4. Hadiths Muito Fracos ou Fabricados`

Os demais hadiths populares sobre Rajab são fracos ou fabricados. Abaixo estão enumerados os 17 hadiths coletados:

*Hadith 4:* “Ó Allah, abençoa-nos em Rajab e Sha‘ban e faz-nos alcançar Ramadhan.”
Classificação: Fraco
Referências: Ahmad, at-Tabarani, al-Bayhaqi

*Hadith 5:* _“A virtude de Rajab sobre os meses é como a virtude do Qur’an sobre toda a fala.”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, adh-Dhahabi

*Hadith 6:* _“Rajab é o mês de Allah, Sha‘ban é o meu mês e Ramadhan é o mês da minha comunidade.”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, as-Suyuti

*Hadith 7:* _“Não negligencieis a primeira sexta-feira de Rajab; é uma noite chamada pelos anjos de ar-Raghäib…”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, as-Suyuti

*Hadith 8:* _“Rajab é um mês grandioso; quem jejua um dia é como se tivesse jejuado um ano; quem jejua sete dias, fecham-se sete portas do Inferno; quem jejua oito dias, abrem-se oito portas do Paraíso; quem jejua dez dias, Allah concede tudo o que pede; quem jejua quinze dias, um anjo anuncia no céu: ‘Teus pecados passados foram perdoados’…”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, adh-Dhahabi, Ibn Hajar

*Hadith 9:* _“Quem rezar vinte rak‘at após o maghrib na primeira noite de Rajab, atravessará a ponte do Sirat sem impureza.”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, as-Suyuti.

*Hadith 10:* _“Quem jejua um dia de Rajab e reza duas rak‘at, lendo em cada rak‘ah cem vezes a Áyatu-l-Kursi e cem vezes Qul Huwa Allahu Ahad’, não morrerá até ver seu lugar no Paraíso.”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, adh-Dhahabi

*Hadith 11:* _“Quem jejua três dias de um mês sagrado — quinta, sexta e sábado — Allah lhe escreve a adoração de novecentos anos (ou sessenta anos em outra versão).”_ Narrado por: at-Tabarani, al-Bayhaqi.

*Hadith 12:* _“Jejuar o primeiro dia de Rajab é expiação de três anos; o segundo dia, expiação de dois anos; cada dia subsequente equivale a um mês.”_
Classificação: Fabricado
Referências: Ibn al-Jawzi, Ibn Hajar

*Hadith 13:* _“No Paraíso há um palácio para os que jejuam em Rajab.”_ (narrado por Abu Qilabah)
Classificação: Mawquf (relato interrompido)
Referências: al-Bayhaqi

*Hadith 14:* Umar ibn al-Khattab desencorajava exaltar Rajab através de jejuns específicos.
Classificação: Autêntico como relato histórico
Referências: Musannaf Ibn Abi Shaybah, al-Bayhaqi

*Hadith 15:* “O jejum do mês de Rajab e deixar de jejuar quando não for obrigatório é permitido; não há proibição do Profeta ﷺ.”
Classificação: Autêntico como orientação jurídica.
Referências: Ibn Rajab, Ibn Hajar al-Haytami.

*Hadith 16:* _“Quem disser no mês de Rajab: Astaghfirullah, lä iläha illa Huwa, wahdahu lä sharika lah, wa atubu ilayh cem vezes, e concluir com uma caridade, Allah selará para ele a misericórdia e o perdão. E quem disser isso quatrocentas vezes, Allah escreverá para ele a recompensa de cem mártires”._ Classificação: Fabricado, sem fonte clássica.
Referências: Wasail al-shiä (10/484); Iqbal al-aämal (3/216).

*Hadith 17:* _“No Paraíso há um rio chamado Rajab, cuja água é mais branca do que o leite e mais doce do que o mel. Quem jejuar um dia de Rajab, Allah lhe dará de beber desse rio.”_
Classificação: Fabricado;
Fonte: Ibn Tahir al-Maqdisi
Tadhkirat al-Mawdu'at, nº 288.

*Hadith 18:*_“Rajab é o mês de Allah. Quem jejuar dois dias de Rajab terá uma recompensa em dobro, sendo o peso de cada recompensa equivalente às montanhas do mundo…”_ Classificação: Fabricado
Fonte: Al-Shawkani.
Al-Fawa'id al-Majmu'ah, (nº 116).

*Hadith 19:* _“Há cinco noites nas quais a súplica não é rejeitada; a primeira delas é a primeira noite de Rajab...”_ Classificação Fabricado.
Referência: Shaykh al-Albani, Daif al-Jami, nº (2852).

*Hadith 20:* _“Rajab recebeu esse nome porque nele se multiplicam muitos bens em preparação para Sha'äban e Ramadhan.”_
Classificação Fabricado.
Referência: al-Albani, Daif al-Jami, nº (3285).

E há ainda outros relatos que mencionam acontecimentos históricos e diversos aspetos semelhantes; contudo, todos eles são fabricados ou carecem de fontes primárias fiáveis.

Princípios metodológicos: Os textos fracos podem ser usados em virtudes de obras, segundo consenso clássico, mas não constituem obrigação nem mérito comprovado.

_Concl._ Rajab (رجب) é um mês sagrado, mas não há hadith autêntico estabelecendo práticas ou recompensas específicas para o jejum ou devoções particulares.
Hadiths fracos ou fabricados sobre Rajab não podem fundamentar inovação religiosa (bid'ah).

O jejum voluntário (النوافل) é permitido e louvável, seguindo os princípios gerais da Sunnah.
A preservação da Sunnah exige discernimento crítico e rejeição de tradições sem fundamento.

O MÊS DE RAJAB: Tempo de Consciência, Preparação e Reverência Espiritual> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge Art. nº 172...
21/12/2025

O MÊS DE RAJAB: Tempo de Consciência, Preparação e Reverência Espiritual

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. nº 172

_Res._ Estamos nos primeiros dias do sétimo mês do calendário islâmico (الهجري), Rajab, um dos meses sagrados, cuja sacralidade convoca o crente à reverência, à purificação ética e à preparação espiritual.

_Introd._ Rajab (شهر رجب) é um dos meses mais nobres do calendário islâmico e ocupa um lugar especial na consciência espiritual dos muçulmanos. Ele não é apenas uma marca temporal, mas um chamado à vigilância do coração, à revisão da conduta e à preparação gradual para os grandes meses de adoração que se seguem, especialmente Sha'bän e Ramadhan.
Allah ﷻ diz no Qur’án:
*“Em verdade, o número dos meses junto de Allah é doze meses, no Livro de Allah, desde o dia em que Ele criou os céus e a terra. Destes, quatro são sagrados.”*
(09:36)
Rajab é um desses quatro meses sagrados (al-Ashhur al-Hurum - الأشهر الحرم).

`1. O Significado de Rajab no Islam`

A palavra Rajab deriva da raiz árabe rajaba, que indica respeito, veneração e exaltação. Os árabes, mesmo antes do Islam, já reconheciam a sacralidade deste mês, abstendo-se de guerras e injustiças flagrantes. O Islam confirmou essa sacralidade e deu-lhe um sentido moral e espiritual mais profundo.
Nos meses sagrados:
O pecado é mais grave
A obediência é mais nobre
A consciência de Allah deve ser intensificada.

`2. Rajab: Um Mês de Preparação, não de Inovação`

Um princípio fundamental da Sunnah é a moderação e fidelidade à prática profética. Não há atos de adoração específicos autênticos estabelecidos exclusivamente para Rajab (como jejuns fixos ou orações particulares). Os sábios do Hadith alertaram contra práticas inventadas (bid‘ah) associadas a este mês.
Contudo, isso não diminui o valor espiritual de Rajab. Pelo contrário, ele deve ser compreendido como:
* Um mês de preparação interior
* Um período de retorno sincero (tawbah)
* Um treino gradual da alma para Ramadhan

`3. Rajab e a Purificação da Alma (Tazkiyah)`

Rajab é uma oportunidade privilegiada para iniciar ou aprofundar o processo de Tazkiyah an-Nafs. Entre os focos centrais deste mês estão:
1. Abandono dos pecados persistentes
2. Reconciliação com Allah e com as pessoas
3. Reeducação do coração, afastando-o da negligência (ghaflah)

Os sábios diziam:
Rajab é o mês de plantar, Sha'bän é o mês de regar, e Ramadhan é o mês da colheita.

`4. O Isrä’ e Mi‘ráj: Lição Espiritual, não Ritualismo`

Entre os acontecimentos associados a Rajab, destaca-se o Isrä e Mi‘ráj – a viagem noturna e a ascensão do Profeta ﷺ. Embora exista divergência quanto à data exata, o consenso está na grandiosidade do evento e nas suas lições:
* A centralidade da oração (Salät)
* O valor da perseverança após dificuldades
* A ligação entre a terra e o céu pela obediência

A Sunnah ensina que as lições devem ser vividas, não ritualizadas sem base textual autêntica.

`5. Rajab e a Ética do Crente`

Honrar Rajab exige mais do que palavras ou datas. Exige:
- Controle da língua
- Justiça nas relações
- Pureza de intenção
- Temor consciente de Allah (taqwä)

O crente sábio vê Rajab como um espelho espiritual, onde avalia sua distância ou proximidade de Allah antes da chegada de Ramadhan.

_Concl._ Rajab não é um mês de excessos ritualísticos, mas um mês de despertar. Ele nos convida ao silêncio interior, à revisão sincera e à elevação moral. Quem honra Rajab com consciência, chegará a Ramadhan com um coração mais vivo, uma alma mais disciplinada e uma fé mais sólida.
Que Allah ﷻ nos permita honrar Rajab como Ele ama, preparar-nos adequadamente para Sha'bän e alcançar Ramadhan com corações purificados e intenções retas.

_“Ó Allah, abençoa-nos em Rajab e Sha'bän e permite-nos alcançar Ramadhan.”_
(Relato com cadeia fraca, mas significado correto e amplamente aceito pelos sábios).

A PURIFICAÇÃO DA ALMA: O Caminho da Reforma Interior> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge Art. nº 171_Introd._ No cerne d...
18/12/2025

A PURIFICAÇÃO DA ALMA: O Caminho da Reforma Interior

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. nº 171

_Introd._ No cerne da mensagem do Islam encontra-se a purificação da alma (Tazkiyah an-Nafs - تزكية النفس), entendida como um processo contínuo de reforma interior, lapidação moral e elevação espiritual. A Tazkiyah não se limita a práticas devocionais isoladas, mas constitui um projeto integral de transformação do ser humano, orientando pensamentos, intenções, emoções e comportamentos segundo a vontade de Allah.

O Qur’an e a Sunnah do Profeta Muhammad ﷺ estabelecem os fundamentos desse caminho, apresentando tanto os meios de purificação quanto os obstáculos internos representados pela alma (Nafs). Assim, estudar a Tazkiyah é compreender a dinâmica entre orientação divina, esforço humano e vigilância interior.

`1. O Conceito de Tazkiyah no Islam`

A palavra Tazkiyah deriva da raiz árabe (z-k-w /ز-ك-و), que carrega dois significados complementares: purificar (التطهير) e fazer crescer (نما وزاد). Portanto, purificar a alma não implica apenas remover impurezas espirituais, mas também promover o crescimento da fé (Iman), da consciência de Allah (Taqwa) e do caráter ético (Akhlaq).

O Nobre Qur’an enfatiza claramente esse princípio ao afirmar que o sucesso verdadeiro está condicionado à purificação interior, enquanto o fracasso decorre da corrupção da alma. Desse modo, a Tazkiyah assume um estatuto central no projeto educativo e espiritual do Islam.

`2. O Papel do Qur’an na Lapidação Espiritual`

O Qur’an é a fonte primária de orientação para a purificação da alma. Ele atua como:

* Luz orientadora, que esclarece o bem e o mal;
* Cura espiritual, tratando doenças do coração como arrogância, inveja e hipocrisia;
* Espelho moral, no qual o crente avalia continuamente o seu estado interior.

A recitação reflexiva (Tadabbur - تدبر) do Qur’an não visa apenas a recompensa ritual, mas a transformação do coração. Cada versículo convida à autoconsciência, ao arrependimento (Tawbah) e à retificação das intenções (Niyyah). Assim, o Qur’an molda a alma gradualmente, alinhando-a aos valores divinos.

`3. A Sunnah como Modelo Prático de Tazkiyah`

Enquanto o Qur’an fornece os princípios, a Sunnah profética oferece a aplicação prática da Tazkiyah. O Profeta Muhammad ﷺ representa o modelo humano perfeito de purificação da alma, integrando devoção, ética e equilíbrio emocional.

A Sunnah ensina, entre outros aspectos:

1. A importância da sinceridade (Ikhlas) em todas as ações;
2. O autocontrolo diante da ira, do desejo e do ego;
3. A constância nos atos de adoração, mesmo que pequenos
4. A centralidade do bom caráter como sinal de maturidade espiritual.

Dessa forma, seguir a Sunnah não é apenas imitar gestos exteriores, mas adotar uma postura interior de humildade, misericórdia e responsabilidade moral.

`4. Os Mecanismos da Tazkiyah`

A purificação da alma opera por meio de diversos mecanismos interligados, entre os quais se destacam:

*4.1. Autovigilância (Muraqabah مراقبة النفس)*

Consiste na consciência permanente de que Allah observa todas as ações, pensamentos e intenções. Essa vigilância interior disciplina a alma e reduz a inclinação ao pecado.

*4.2. Autoavaliação (Muhasabah - المحاسبة)*

É o exercício regular de examinar as próprias atitudes, reconhecendo falhas e corrigindo rumos. A Muhasabah fortalece a responsabilidade pessoal e previne a negligência espiritual.

*4.3. Arrependimento (Tawbah)*

A Tawbah (التوبة) sincera purifica a alma das consequências do pecado, restaurando a relação com Allah e fortalecendo a humildade do servo.

4.4. Adoração Consistente (Ibadah)

A oração, o jejum, o dhikr e a caridade atuam como instrumentos diretos de refinamento espiritual, desde que praticados com presença do coração.

`5. A Alma (Nafs) e os Seus Obstáculos`

O maior desafio da Tazkiyah reside na própria Nafs, que o Qur’an descreve em diferentes estados:

Nafs Ammarah نفس أمّارة: a alma que incita ao mal, dominada por desejos e impulsos;

Nafs Lawwamah - نفس لوّامة: a alma que se reprova, consciente do erro e em luta interna;

Nafs Mutma’innah - نفس مطمئنة: a alma serena, em harmonia com a obediência a Allah.

Entre os principais obstáculos da Nafs destacam-se o orgulho (Kibr), a ostentação (Riyä), o apego excessivo ao mundo (Dunya) e a negligência espiritual (Ghaflah). A Tazkiyah visa justamente deslocar a alma dos níveis inferiores para um estado de serenidade e submissão consciente.

`6. Tazkiyah e Reforma Social`

Embora seja um processo interior, a Tazkiyah possui implicações sociais profundas. Um indivíduo purificado tende a agir com justiça, empatia e responsabilidade coletiva. Assim, a reforma da sociedade começa pela reforma do coração, pois comportamentos éticos autênticos são frutos de uma alma disciplinada.

_Concl._ A purificação da alma (Tazkiyah) constitui o eixo central da experiência espiritual no Islam. Fundamentada no Qur’an e concretizada pela Sunnah, ela representa um caminho contínuo de luta interior, autoconsciência e crescimento moral. Ao enfrentar os obstáculos da Nafs e adotar os mecanismos de purificação, o crente aproxima-se de Allah e contribui para a edificação de uma vida pessoal e social mais equilibrada.

Em última instância, a Tazkiyah não é um estado fixo, mas uma jornada permanente de reforma interior, na qual a alma é continuamente lapidada à luz da revelação divina.

Ó Allah, concede-nos sinceridade nas intenções, retidão nas ações e luz nos corações. Purifica as nossas almas e aproxima-nos de Ti.

A FESTA DE FINAL DE ANO À LUZ DO ISLAM: Análise Religiosa, Histórica e Educacional> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge A...
16/12/2025

A FESTA DE FINAL DE ANO À LUZ DO ISLAM: Análise Religiosa, Histórica e Educacional

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. nº 170

_Res._ A chamada “festa de final de ano ou Réveillon رأس السنة الميلادية أو حفل نهاية السنة” é amplamente celebrada em diversas sociedades contemporâneas, muitas vezes apresentada como um evento cultural neutro. Contudo, à luz do Islam, torna-se necessário analisar criticamente as suas origens, significados simbólicos e impactos religiosos, morais e educativos. Este artigo propõe uma reflexão fundamentada nas fontes islâmicas clássicas, nas posições dos sábios muçulmanos e em abordagens acadêmicas contemporâneas, recorrendo, entre outras referências, à nossa obra O Cristianismo e a Cristianização. Conforme discutido no artigo anterior sobre o Natal Cristão na Perspectiva Islâmica.

_Introd._ As festas não são meros eventos sociais; elas carregam valores, crenças e símbolos que refletem visões de mundo específicas. No Islam, as celebrações estão diretamente ligadas à aqidah (crença do monoteísmo), à identidade religiosa e à distinção da Ummah (مخالفة أهل الملل). Por esta razão, a participação em festividades alheias exige análise criteriosa à luz do Nobre Alcorão, da Sunnah e do consenso dos sábios.

`2. Origem e natureza da festa de final de ano`

Historicamente, as celebrações do final do ano civil estão associadas ao calendário gregoriano (التقويم الميلادي), cuja base está ligada a eventos religiosos cristãos e a práticas herdadas de tradições pagãs europeias. Ainda que hoje muitos tentem descrevê-los como “seculares ou eventos familiares”, os seus símbolos, rituais e práticas mantêm vínculos claros com concepções religiosas não islâmicas.

Segundo o Islam, o tempo é uma criação divina, e a sua organização não pode ser dissociada de valores espirituais. A adoção acrítica de festividades externas pode levar à diluição da identidade religiosa do muçulmano.

`3. Posição do Islam sobre festas e celebrações`

O Islam estabelece festividades próprias e claramente definidas: Eid al-Fitr e Eid al-Adhä. O Profeta Muhammad ﷺ afirmou que Allah substituiu as festas pré-islâmicas por essas duas celebrações legítimas, o que demonstra que a instituição de festas faz parte da legislação religiosa.

Além disso, o conhecido hadith: _“Aquele que imita um povo, faz parte dele.”_
constitui um princípio fundamental na análise da participação em festas de outras crenças, especialmente quando estas envolvem símbolos religiosos ou práticas contrárias aos valores islâmicos.

`4. Imitação cultural e seus impactos na identidade muçulmana`

A participação em festas de final de ano pode parecer, à primeira vista, um simples ato social. No entanto, do ponto de vista psicopedagógico e religioso, tal prática contribui para a normalização da imitação cultural (tashabbuh - تشبه), sobretudo entre crianças e jovens muçulmanos.

Como analisamos na obra, a assimilação progressiva de costumes festivos não islâmicos é uma das formas mais eficazes de cristianização indireta e de enfraquecimento da consciência religiosa da Ummah, especialmente em contextos africanos e pós-coloniais.

`5. Consequências morais e sociais`

Além do aspeto religioso, as festas de final de ano são frequentemente acompanhadas de comportamentos reprováveis do ponto de vista islâmico, como excessos, desperdício, negligência espiritual e práticas morais condenáveis. Tais elementos reforçam a necessidade de uma postura crítica e educativa por parte das famílias, das instituições religiosas e dos educadores muçulmanos.

`6. Alternativa islâmica: consciência do tempo e renovação espiritual`

O Islam não rejeita a reflexão sobre a passagem do tempo, mas orienta-a para a autoavaliação (muhasabah محاسبة النفس), o arrependimento sincero (tawbah) e a renovação da intenção (niyyah). O muçulmano é encorajado a avaliar suas ações diariamente, e não a associar essa prática a datas festivas de origem externa.

`7. Fundamentação Islâmica sobre a Participação em Festas Alheias`

O Islam estabelece princípios claros no que diz respeito à identidade religiosa e às celebrações. No hadith mencionado anteriormente, o Profeta Muhammad ﷺ advertiu contra a imitação de comportamentos alheios que possam comprometer a identidade islâmica, indicando que a imitação consciente de práticas distintivas de outras crenças não é um ato neutro. Nesse mesmo sentido, o companheiro Äbdullah Ibn Ämr (رضي الله عنه) alertou que "o muçulmano que, vivendo em ambiente não islâmico, passa a celebrar o Ano Novo e os festivais alheios, imitando-os nas suas práticas até chegar-lhe a morte (sem ter se arrependido), este será congregado com eles no Dia do Juízo Final." [Al Baihaqi]

Este entendimento é reforçado pelo Alcorão, quando Allah declara: _“Prescrevemos a cada povo ritos próprios a serem observados”,_ evidenciando que cada comunidade possui práticas religiosas específicas que não devem ser confundidas ou misturadas.

Os grandes sábios do Islam foram consistentes nessa matéria. Imam Ibn Taymiyyah afirmou que a participação em festas religiosas de não-muçulmanos implica uma aprovação implícita das suas crenças. Imam Ibn al-Qayyim foi ainda mais explícito ao considerar ilícito felicitar ou celebrar ocasiões religiosas alheias ao Islam. Da mesma forma, sábios contemporâneos como Shaykh Ibn Baz, Shaykh al-Uthaymin e o Comité Permanente de Fatawa reiteraram que tais celebrações não são permitidas, mesmo quando apresentadas sob a aparência de eventos culturais ou sociais.

O princípio fundamental, portanto, é que o muçulmano não necessita de festas importadas, pois Allah já lhe concedeu celebrações puras, completas e legisladas: os dois Eid's, que preservam a fé, a identidade e a coesão espiritual da Ummah.

_Concl._ À luz do Islam, a festa de final de ano não pode ser considerada um evento neutro ou meramente cultural. As suas origens, símbolos e implicações tornam problemática a participação do muçulmano consciente da sua fé e identidade. O fortalecimento da educação islâmica, da crítica cultural e da valorização das festas legisladas pelo Islam é essencial para a preservação da identidade da Ummah.

A nossa obra supracitada, constitui uma referência importante para compreender os mecanismos subtis de influência religiosa e cultural presentes em práticas aparentemente inofensivas, como as celebrações de final de ano.

Ó Allah, protege-nos de imitar as festas de outros, concede-nos firmeza em nos apegarmos às nossas celebrações legítimas e concede-nos perseverança na Tua religião.

O NATAL CRISTÃO NA PERSPECTIVA ISLÂMICA: Uma Análise Doutrinária, Histórica e Identitária> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Su...
13/12/2025

O NATAL CRISTÃO NA PERSPECTIVA ISLÂMICA: Uma Análise Doutrinária, Histórica e Identitária

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. 169

_Apres._ Estamos a poucos dias do Natal (عيد الميلاد) e a sua celebração, hoje, amplamente difundida no mundo contemporâneo, tornou-se um marco cultural globalizado que ultrapassa fronteiras religiosas, sociais e geográficas.

Contudo, do ponto de vista islâmico, a adoção dessa festividade por Muçulmanos constitui uma questão sensível, que toca na identidade espiritual, na fidelidade teológica e na integridade da Äqidah. Este artigo apresenta uma reflexão fundamentada sobre por que os Muçulmanos devem evitar a celebração do Natal, apoiando-se em evidências doutrinárias, históricas e civilizacionais.

Ressalva-se que, no nosso livro 'O Cristianismo e a Cristianização' (النصرانية والتنصير - Ed. 2016 e 2018), que constitui uma das referências essenciais para a compreensão da história clássica, medieval e contemporânea do cristianismo — bem como das suas tendências futuras — tratamos desses aspetos com profundidade documental, detalhe histórico e fidelidade terminológica. Nesse livro, e de forma ainda mais abrangente, analisamos a evolução das crenças cristãs, o desenvolvimento das festividades e a expansão cultural dessas práticas, com base em fontes islâmicas, cristãs e independentes, permitindo ao leitor Muçulmano compreender de forma crítica a origem e o impacto dessas práticas.

`1. Fundamento Teológico: A Centralidade do Tawhid`

O ponto mais sensível em torno do Natal, na óptica islâmica, é o seu núcleo teológico. O Natal não é apenas uma comemoração cultural; é uma celebração de um conceito doutrinário — a “encarnação - التجسد” — que contraria o princípio fundamental do Islam: o Tawhid — a absoluta unicidade de Allah — cuja importância fundamental abordamos num dos artigos publicados recentemente.

O Islam ensina de forma categórica que:

• Allah não gera nem é gerado.

• A atribuição de divindade a qualquer criatura é shirk.

A veneração ou ritualização de práticas associadas a crenças contrárias ao Tawhid constitui um desvio da identidade islâmica.

Assim, mesmo quando o Muçulmano afirma participar “apenas por cultura”, a simbologia da festa está intrinsecamente ligada a uma crença teológica incompatível com o Islam.

`2. Imitação das Tradições Religiosas (Tashabbuh)`

O Profeta Muhammad ﷺ advertiu claramente sobre a imitação das práticas específicas de outras religiões. A imitação simbólica — especialmente em festividades religiosas — é vista pelos estudiosos clássicos como uma forma subtil de assimilação espiritual e diluição identitária.

O Natal, sendo uma celebração de natureza religiosa, não pode ser reduzido a um mero evento social. A árvore, as luzes, as canções, a troca de presentes e até a data do 25 de dezembro possuem raízes litúrgicas e mitológicas que analisamos detalhadamente no nosso livro.

Participar ou promover tais elementos abre espaço para:

1. A erosão da identidade Muçulmana,

2. A normalização de crenças contrárias ao Tawhid,

3. A mistura simbólica entre o Islam e tradições externas.

`3. A Questão Histórica: Origem e Evolução do Natal`

O Natal não possui origem unicamente cristã. Documentações históricas — exploradas amplamente no nosso livro O Cristianismo e a Cristianização — revelam que:

# O 25 de dezembro era tradicionalmente associado a festivais pagãos, como o Sol Invictus e as Saturnais romanas;

# A data foi cristianizada séculos depois, transformando símbolos pagãos em elementos litúrgicos;

# Ao longo da Idade Média, o Natal assumiu formatos híbridos, com elementos folclóricos e teológicos;

# A globalização contemporânea converteu o Natal numa indústria cultural, afastando-se ainda mais da sua natureza original.

Apesar de tais transformações, a essência teológica permanece: celebra-se o nascimento de uma figura entendida como divina, o que contraria a concepção islâmica de Ïsa (Jesus), que é um profeta honrado, mas não divino.

`4. Preservação da Identidade Civilizacional Muçulmana`

O Islam possui as suas próprias celebrações, profundamente ligadas à adoração a Allah e à memória profética: Eid al-Fitr e Eid al-Adhä. Cada uma delas reforça valores, princípios e referências espirituais genuínas sobre os quais discutimos nos artigos iniciais.

Quando a Ummah adopta festividades externas:

1. perde gradualmente o sentido da sua identidade própria;
2. abre portas à confusão geracional;
3. enfraquece a consciência do que significa ser Muçulmano.

Por isso, estudiosos clássicos e contemporâneos insistiram na importância de distinguir as práticas do Islam das de outras tradições. A força de uma comunidade reside na clareza da sua identidade.

`5. Convívio Respeitoso sem Participação Ritual`

O Islam ensina respeito, justiça e bondade com seguidores de outras religiões. No entanto, tal respeito não inclui a participação em práticas rituais ou simbólicas que contradigam a fé islâmica.

*Neste sentido, o Muçulmano pode:*

* ser cordial,
* desejar harmonia e paz,
* manter boa convivência,
* e agir com justiça, moderação e tolerância.

_Mas não deve celebrar festividades religiosas que não lhe pertencem._

Em suma, a celebração do Natal pelos Muçulmanos não é compatível com os fundamentos do Tawhid (أصول التوحيد), com a tradição profética e com a preservação da identidade islâmica. Trata-se de uma festividade cuja natureza teológica, histórica e simbólica se afasta profundamente do ethos do Islam.

Para mais detalhes, referências e análises históricas — no nosso livro: O Cristianismo e a Cristianização (النصرانية والتنصير), exploramos com rigor a evolução do cristianismo, as estratégias de cristianização/evangelização e o impacto dessas tendências nas sociedades contemporâneas. O capítulo dedicado às festividades cristãs apresenta um panorama completo que ajuda o leitor a compreender, com base em fontes primárias, por que a celebração do Natal não pode ser assimilada pela Ummah.

O TAWHID E A GRAVIDADE DO SHIRK na Vida do Muçulmano Contemporâneo> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge Art. 168_Apres._ ...
11/12/2025

O TAWHID E A GRAVIDADE DO SHIRK na Vida do Muçulmano Contemporâneo

> Por: MSc Sheikh Molde Sefo Sumalge

Art. 168

_Apres._ Quando falamos do Tawhid, falamos do alicerce absoluto que valida a crença, a prática e toda a identidade de um muçulmano. É a coluna vertebral da fé, a essência que define a relação do servo com Allah: reconhecer a Sua unicidade absoluta na Divindade, nos Nomes e Atributos, e na adoração. Sem Tawhid, nenhuma ação, por mais bela, tem peso real diante de Allah.

Por isso, os sábios afirmam que antes de se explicar os detalhes das crenças, antes de se aprofundar nas leis e nos rituais, era necessário estabelecer claramente o perigo do Shirkh (الشرك بالله), porque o Shirkh (idolatria, atribuição de sócios a Allah) destrói aquilo que o Tawhid constrói. É como fogo sobre palha seca: basta um sopro para consumir tudo.

`A Realidade Preocupante do Nosso Tempo`

Infelizmente, no contexto contemporâneo – e especialmente em algumas sociedades africanas, incluindo Moçambique – estamos a testemunhar um fenómeno alarmante:
Muçulmanos comuns, incluindo dirigentes, académicos e pessoas influentes na religião, têm buscado auxílio em charlatões, curandeiros, adivinhos e alegados “espíritos ajudantes”, na tentativa de:

1. garantir emprego ou promoções,
2. assegurar posições de chefia, preservar a boa reputação e prolongar a permanência no domínio e no poder institucionais,
3. proteger-se de inimigos ou prejudicar seus concorrentes,
4. obter cura, tranquilidade ou segurança,
5. resolver problemas familiares, sociais ou políticos entre outros.

Essa prática é uma forma direta de violação do Tawhid, pois transfere aquilo que é exclusivo de Allah – proteção, cura, sustento, decisão e domínio dos assuntos – para seres incapazes de beneficiar ou prejudicar.

O mais surpreendente é que muitos desses charlatões vivem em condições miseráveis, não tendo na própria vida algo que indique poder, sabedoria ou sucesso. Ainda assim, encontram suplicantes instruídos e religiosos, com cargos elevados, dispostos a humilhar-se diante deles, acreditando que ali encontrarão solução.

Isto mostra que o problema não é falta de formação escolar, mas falta de formação iman no seu verdadeiro sentido, falta de consolidação do Tawhid nos corações, e enfraquecimento da confiança em Allah (tawakkul).

*Por que isso é tão perigoso?*

1. Porque é Shirkh Akbar (maior pecado) quando a pessoa atribui ao charlatão poderes que pertencem apenas a Allah.

2. Porque anula a própria shahada, uma vez que ela exige exclusividade absoluta na adoração a Allah; dirigir súplicas ou buscar auxílio em quem não possui nem controla aquilo que se pede constitui, na essência, um ato de adoração a essas entidades.

3. Porque abre ao indivíduo portas de humilhação, medo e dependência psicológica daqueles que exploram a fraqueza espiritual alheia.

4. Porque enfraquece a Ummah, tornando líderes e membros vulneráveis à manipulação, corrupção espiritual e atraso social.

`A Supremacia do Tawhid na Vida do Muçulmano`

O muçulmano verdadeiro encontra:

* proteção em Allah,
* cura nas súplicas lícitas,
* alívio nos versos revelados,
* tranquilidade no dhikr,
* firmeza na justiça,
* sustento no esforço lícito,
* vitória pela paciência e obediência.

O Profeta ﷺ deixou claro que quem procura adivinhos, bruxos ou magos:

* tem a sua oração (صلوات) rejeitada por quarenta dias,
* e se acreditar no que eles dizem, descrê (كفر ) do que foi revelado a Muhammad ﷺ.

Nada é mais destrutivo para a fé do que substituir Allah por intermediários malignos.

_Concl._ Em síntese, o caminho para restaurar a dignidade da Ummah é retornar ao Tawhid puro que ilumina o coração, corrige a conduta e fortalece sociedades.
A alternativa é cair no Shirkh que obscurece a vida, destrói o iman e corrompe o destino individual e coletivo.

Ó Allah, buscamos refúgio em Ti de cometermos shirk conscientemente, e pedimos o Teu perdão por aquilo que um de nós terá cometido no passado sem saber.

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