28/12/2020
*_"O ÚLTIMO COPO"_*
*"O sabor do Veneno"*
Chamo - me *Manuel André*, morro no Bairro da Manga, tenho 34 anos, vivo maritalmente com a Ana Carol.
Venho de uma família humilde, o meu pai é mecânico e a minha mãe é modista, eles sempre me ensinaram que a:
*Educação* - é o centro da harmonia para uma boa convivência social e a;
*Igreja* - é a fonte da vida.
Sempre gostei de praticar as seguintes passagens bíblicas:
*- Honrar pai e mãe e;*
*- Amar ao próximo como a si mesmo.*
```Mas poucos dão crédito a essas palavras,``` aliás só se lembram delas, quando estão aflitos ou doentes, ai sim sabem dizer que Deus existe.
O meu pai desde pequeno me ensinou a pescar e caçar animais em tempos livres, mas eu me divertia bastante, ajudando o meu pai na mecânica, como diz o velho ditado: *_"filho do peixe, sabe nadar."_* deve ser por isso, que gosto mas de disciplinas e coisas práticas, embora eu tenha um pouco de inclinação para disciplinas teóricas, a matemática sempre foi o meu forte.
Depois de eu concluir a licenciatura, fui cumprir a vida militar durante 4 anos. Assim que eu terminei de cumprir a vida militar, regressei a cidade da Beira com a *transportadora Citylink*, por sorte sentei ao lado de uma moça chamada *Ana Carol.*
Primeiramente ninguém estava preucupado com outro, ap***s nos saudamos e cada um ficou no seu canto, mas depois devido ao cansaço e o celular da *Ana Carol* ter acabado a carga, ela se virou para mim e começamos a conversar durante a viagem (um pouco de tudo), sinceramente gostei da companhia dela. Ela é simples e bastante social, me inspirou tanta confiança no que dizia, a quanto tempo não encontrava alguém assim, simples e sincera.
*4 anos depois:*
Eu já havia me casado com a *Ana Carol*, embora trabalhavamos em províncias distintas por vezes, ela estava afecta na saúde e eu na Marinha como fuzileiro naval, muitas vezes, eu viaja para outras províncias em missão de serviço, ficava entre 2 a 3 semanas fora, mas devido a globalização (redes sociais) ficavamos sempre conectados um ao outro.
Foi quando em uma das minhas missões na província *Zambézia* por conscidência acabei terminando cedo o serviço (a missão), e decidi regressar, um dia antes para casa, além do que estava previsto, e o meu superior acabou me liberando cedo, por que realmente eu estava a merecer um descanso, por causa do bom desempenho.
Subi o vôo com o destino a *Beira*, eu não via a hora de estar com a minha esposa e estar no meu doce lar, mas quando eu estava a 500metros de casa me arrependi amargamente,
```Eu quem queria fazer a surpresa, mas no final das contas, eu quem fiquem surpreso```,
Pós encontrei a minha esposa nos braços do meu melhor amigo *"Tomás"* (meu colega de profissão que estava de férias), eu fiquei no carro refletindo o que eu havia feito para ela de errado, para me trair com o meu melhor amigo.
Foi quando a minha esposa deu uma bofetada e disse eu nunca te dei esse tipo de intimidade, não te admito e lhe empurrou na escada, embora ela não havia percebido que eu estava parado de longe, assistindo tudo. Aproximei devagar para que eles não pudessem me reconhecer, assim que eu cheguei no meu quintal, fiquei olhando para os dois por um tempinho sem se quer dizer nada, daí fui directo para o quarto, arrumei as minhas malas e fui me embora da aquela casa.
Para tentar esquecer aquele triste episódio, embora eu já sabia, que daí para frente a minha vida já não seria mais a mesma, e muito menos faria o menor sentido. Passei a viver deprimido e encontrava a paz nas barracas da redondeza, infelizmente não obedecia nenhuma regra de confinamento e nem me importava com a Covid-19, para mim já não existia dias de semana, era de (segunda a segunda tinha que estar embriagado, para não lembrar o passado.), Assim que eu saísse do serviço ía directamente, para barraca beber para afogar as mágoas e solidão, eu até já tinha um caderno que assinava para fechar as contas no final do mês.
Após um dia, que o senhor Presidente anunciou as medidas de relaxamento para os bares e barracas, quando eram por volta das 16:30min. saí de casa para o *Bar da Eletricidade no Matacuane*, beber algumas geladas como era de hábito, *2h depois* apareceu o meu colega *Tomás* (que causou a minha separação com a *Ana Carol*), ele disse que queria conversar comigo enquanto tomávamos algumas, eu simplismente assenei a cabeça num sinal de ("sim"), por que para mim, nada fazia sentido e ele não iria reverter nada a minha situação actual por mas que eu conversa-se com ele.
Depois de alguns minutos conversando com o *Tomás* pude perceber que ele, não estava nem um pouco satisfeito, mesmo depois dele ter destruido o meu lar e me ver entregue as bebidas.
Ele queria que eu não existisse nesse mundo para ficar com a *Ana Carol*, ele me olhava com raiva e desprezo, não conseguia nem disfarçar o ódio que sentia por mim.
Foi quando o *Tomás* disse para mim, todas as bebidas que vamos consumir apartir de agora passará para minha conta, eu disse para o *Tomás* agora sim, a conversa ficará mas interessante.
Horas e horas ficamos conversando, de repente me senti muito aflito e disse para o *Tomás*, que haveria de me ausentar por um instante, por que iria ao quarto de banho, mas logo logo voltaria. Assim eu entrei no *WC* (Quarto de banho) recebi uma mensagem do *bar man*, só fiquei a sorrir por que já imaginava.
Quando eu voltei do *WC*, encontrei dos copos cheio de cerveja gelada a transbordar espuma na mesa, ap***s abri um sorriso no rosto, e me sentei bem animado, por que estava a escutar no fundo a música do *Dj Tarico - Yababuluco*, e eu perguntei ao *Tomás* aquela não é a *Ana Carol?* e o *Tomás* pós a se virar para certificar se realmente era mesmo ela ou não?
Foi quando o *Tomás* sorriu e disse é ela mesmo, parece que ela está a vir em nossa direção.
Eu tomei coroneta *(bebi a cerveja até ao meio copo),* foi quando me apercebi que o *Tomás* estava a sorrir.
Eu, não entendi o motivo da aquele sorriso assim do nada, até pensei que fosse por eu ter *tomado coroneta*, e do nada a *Ana Carol* me arrancou o copo de bebida na mão e disse: deixa-me terminar essa *_"metade de copo de cerveja"_*, e vi que o *Tomás* ficou com cara de medo e preocupado, *foi quando eu perguntei, ao - "Tomás":*
~```Nunca viste uma mulher a tomar cerveja?```
Deixa ela se divertir um pouco é só _"essa metade"_, se ela quizer vai pedir mais um copo, e aproveitamos ter uma conversa a 3, para esclarecermos tudo o que se passou na aquele dia anoite.
Foi quando o *Tomás* começou a se revelar e disse: para ser sincero eu nunca gostei de vos ver juntos, eu sei muito bem que a *Ana Carol* nunca me amou, mas eu sempre senti que você *(Manuel)* é pouco para ela, e fiquei a dizer poucas e boas verdades na cara dos 2.
Foi quando a *Ana Carol* terminou a aquela metade e disse peço mais 1 copo de cerveja, e o *Tomás* disse: *Ana Carol* irei te pagar *"O ÚLTIMO COPO"* de cerveja nessa vida, nunca mais espere tomar cerveja na minha conta.
Quando a *Ana Carol* tomou o segundo copo de cerveja até ao meio, o *Tomás* decidiu abrir o jogo, e disse que: invenenou o copo de cerveja do *Manuel André*, por que ele sempre esteve em seu caminho, inclusive havia casado com a mulher dos meus sonhos.
O *Tomás* disse eu te odeio *Manuel*, mas é claro quando esse veneno começar a agir no seu organismo, vou dizer que você passou mal e ninguém vai imaginar que eu coloquei veneno no teu copo, e como bem sabes, nós moçambicanos não ligamos muito para isso de investigação *(autópsia)* para gente que falece. *_"Você dentro de alguns minutos, será carta fora do baralho"._*
Eu *(Manuel)* p***s sorri, e disse:
*Ponto 1:* Não sou o único que vou morrer aqui, a *Ana Carol* também, porque tomou metade do copo de cerveja comigo, que continha o veneno.
*Ponto 2:* - Lembra que eu demorei muito tempo no quarto de banho, alguém me avisou que havias colocado algo na minha bebida.
*Ponto 3:* - Lembras quando eu disse para certificar se era a *Ana Carol* que estava vindo na nossa trás aí no bar, *"Xeque-mate"* eu troquei o copo de bebida, quando olhaste para certificar se era realmente a *Ana Carol* sem perceber caíste na armadilha e provaste o *SABOR DO SEU PRÓPRIO VENENO.*
```Da aqui a alguns minutos se não fores ao hospital, você já era.```
_"Só mas uma coisa: *hoje mesmo irei voltar para casa, morar com a Ana Carol*, onde eu nunca deveria ter saído, desde então eu nunca mais bebi."_
*Atenção!*
```Nunca faças o mal ao outro, não existe crime sem rasto, as pedras que lanças hoje alguém são as mesmas que ele vai usar para edificar a casa dele, não julgues alguém, para que amanhã não sejas julgado.```
```Escritor:```
*_"Edson D'Lima Santana"_*