05/09/2026
E se eu não voltar?
Há uma pergunta que parece acompanhar quase sempre quem tem a oportunidade de sair do seu país:
“E quando voltas?”
Ou, de forma ainda mais curiosa: “Por que não ficas lá?”
Talvez estejamos a partir de uma premissa errada: sair do país não significa necessariamente querer emigrar, assim como voltar não significa que não tenhamos encontrado oportunidades lá fora.
Já tive a oportunidade de estar em mais de seis países, incluindo três fora do continente africano. Em algumas dessas experiências, ouvi sugestões para ficar, permanecer, procurar oportunidades e construir algo por lá.
E não vou mentir: pensamentos desse género também surgem. 😂
Porque quando conhecemos novos lugares, novas realidades e novas possibilidades, é inevitável pensar: “E se eu ficasse?”
Mas há uma coisa importante: a maioria das minhas saídas para fora do país aconteceu no âmbito de missões, formações, conferências, intercâmbios ou outras oportunidades com duração, propósito e, muitas vezes, uma data de regresso definida.
E o regresso faz parte da missão.
Não porque seja necessariamente fácil ficar. Aliás, permanecer fora também não é simples. Existem questões logísticas, migratórias, profissionais, financeiras e tantas outras que precisam ser consideradas.
Mas, para mim, existe uma questão ainda maior:
o sonho que tenho sobre o lugar de onde vim.
Porque podemos encontrar boas oportunidades fora e, ainda assim, sentir que aquilo que aprendemos, as redes que construímos e as experiências que acumulámos podem ter um significado maior quando levadas de volta para casa.
Voltar não é necessariamente voltar ao mesmo lugar.
Às vezes voltamos com novas ideias.
Com novas competências.
Com novas conexões.
Com uma visão diferente do mundo.
E, sobretudo, com uma responsabilidade maior sobre aquilo que podemos contribuir para transformar.
Por isso, quando me perguntam:
“E se eu não voltar?”😂
Eu também penso nisso.✌🏾
Mas existe outra pergunta que me acompanha:
“E se eu voltar e conseguir fazer algo maior com tudo aquilo que encontrei lá fora?”
Talvez seja esse o verdadeiro propósito de algumas viagens: não apenas sair para conhecer o mundo, mas sair, aprender, ampliar os horizontes e regressar para continuar a construir o sonho no lugar de onde viemos.
Todo sonhador, um dia, vive e realiza os seus sonhos. - O Perseguidor do Vento