17/01/2026
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Assunto: A chuva não é desculpa para a vossa incompetência.
Excelências,
Parem de olhar para o céu em busca de justificações para o que é, claramente, um fracasso de governação na terra. Ninguém em Moçambique é matumbo ao ponto de não saber que a chuva é um fenómeno natural. Já vimos o ano 2000, já vimos o Idai e já vimos Boane. A nossa memória é longa, mas a vossa capacidade de dar soluções parece curta.
As imagens que circulam hoje, a Estrada Nacional n.º 1 (N1) cortada, camiões bloqueados e a economia do país asfixiada, não são "obra do destino". São o resultado de anos de asfalto de má qualidade e falta de manutenção. Quando as nossas ruas se tornam rios e uma cidadã tropeça e cai na água imunda por falta de saneamento, a culpa não é das nuvens. A culpa é de quem arrecada impostos e não entrega valas de drenagem.
A tragédia tem um rosto: a menina Rosita. Nascida no rugido das cheias de 2000, ela foi o símbolo da nossa sobrevivência. No entanto, morreu no domingo passado, vítima de anemia e fome. Como explicar que uma filha da nossa terra sobreviva à fúria da água para ser morta pela escassez num país que se diz em crescimento?
Não nos venham dar "lições de meteorologia". O papel do Governo é prever, planear e proteger. Se as mesmas casas inundam todos os anos e as mesmas estradas desaparecem, isso não é fatalidade; é negligência criminosa.
Quando eu escrevo que o "céu chora a menina Rosita", não estou a dar um boletim meteorológico. Estou a usar a poesia para gritar a minha revolta. O céu chora porque vocês falharam. A chuva explica a água, mas só a vossa corrupção e inércia explicam a nossa miséria.
Moçambique não quer condolências. Moçambique quer infraestrutura, quer pão e quer dignidade. Parem de culpar o clima e assumam os vossos cargos. O povo está cansado de nadar na lama da vossa incompetência.
Paz à alma da Rosita. E que a vossa consciência não tenha paz enquanto o povo sofrer.
[Assinado: Um Cidadão de Moçambique]
Maputo 14 de Janeiro 2026