24/04/2026
𝗘𝘀𝗰𝗹𝗮𝗿𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 ℹ️
𝗗𝗘𝗦𝗦𝗔𝗟𝗜𝗡𝗜𝗭𝗔𝗗𝗢𝗥𝗔 𝗗𝗢 𝗔𝗟𝗚𝗔𝗥𝗩𝗘
𝗦𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮 𝗘𝘀𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗗𝗲𝘀𝘀𝗮𝗹𝗶𝗻𝗶𝘇𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗔́𝗴𝘂𝗮 𝗱𝗼 𝗠𝗮𝗿 𝗱𝗼 𝗔𝗹𝗴𝗮𝗿𝘃𝗲, 𝗰𝘂𝗷𝗼 𝗮𝗿𝗿𝗮𝗻𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗮 𝗼𝗯𝗿𝗮 𝗳𝗼𝗶 𝗮𝗻𝘂𝗻𝗰𝗶𝗮𝗱𝗼 𝗼𝗻𝘁𝗲𝗺 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗔́𝗴𝘂𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗔𝗹𝗴𝗮𝗿𝘃𝗲 𝗲, 𝗵𝗼𝗷𝗲, 𝗮𝗻𝘂𝗻𝗰𝗶𝗮𝗱𝗮 𝗮 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗶𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗮𝗰𝗼𝗺𝗽𝗮𝗻𝗵𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗼𝗯𝗿𝗮 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗦𝗿𝗮. 𝗠𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗔𝗺𝗯𝗶𝗲𝗻𝘁𝗲, 𝗼 𝗽𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗮 𝗖𝗮̂𝗺𝗮𝗿𝗮 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗹𝗯𝘂𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮 𝘃𝗲𝗺 𝗲𝘀𝗰𝗹𝗮𝗿𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗼 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗶𝗻𝘁𝗲:
1. a decisão sobre esta resposta à crise climática surgiu num contexto de urgência, quando a região já enfrentava, havia vários anos seguidos, uma situação de seca severa. Só depois de 2022, com o agravamento da seca estrutural no país e a iminência de faltar água no Algarve, só em 2024, é que se avançou, à pressa, apesar dos elevados custos energéticos e ambientais;
2. na altura, a posição assumida foi clara: pode haver concordância com essa decisão, mas apenas como último recurso, entendendo-se que deveriam ser estudadas e preparadas outras alternativas com antecedência, nomeadamente o reforço e a construção de novas barragens e novas bacias de retenção na região. No mínimo, hoje, há que reconhecer falta de planeamento e inação às várias entidades governamentais com responsabilidades na matéria;
3. no momento de emergência, já com a água a faltar, os benefícios da obra sobrepunham-se aos impactos, mas agora, passada a fase crítica e após registos de elevada precipitação, há tempo e obrigação de analisar com maior rigor a relação custo-benefício, os impactos e insuficiências do projeto, corrigindo erros e esclarecendo dúvidas;
4. exigimos, para o Algarve, respeito e ambição igual às outras regiões do país, investimento em serviços essenciais como o Hospital Central, e ligação ferroviária ao Aeroporto de Faro, à semelhança do que Lisboa e Porto têm com o Metro;
5. este projeto, que hoje anunciam estar em condições de arrancar na Quinta da Ponte, território do Município de Albufeira, apresenta 𝗳𝗿𝗮𝗴𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗲 𝗱𝘂́𝘃𝗶𝗱𝗮𝘀 𝘁𝗲́𝗰𝗻𝗶𝗰𝗮𝘀 e não nos garantem o cabal cumprimento das recomendações emitidas pelas entidades competentes, permanecendo a perceção de que o projeto está “coxo” e carece de mais investimentos que o tornem robusto e credível;
6. persistem dúvidas quanto ao comprimento do emissário e à respetiva profundidade de descarga da salmoura, prevista para apenas 7,9 m, quando a profundidade de fecho se situa entre os 8 e os 10 m. A profundidade de fecho corresponde à profundidade máxima até à qual o fundo marinho, incluindo os sedimentos, ainda pode sofrer alterações devido à ação das ondas. Estas dúvidas são, aliás, referidas na própria Declaração de Impacte Ambiental, que assinala esse risco sem, contudo, prever medidas concretas para a sua correção ou mitigação.
Subsistem, igualmente, dúvidas quanto à existência de alternativas técnicas para o tratamento e destino das salmouras. Não parece ter sido avaliada a possibilidade de reaproveitar parte da salmoura para fins industriais. Acrescem, ainda, dúvidas sobre a eventual acumulação de salmoura nas areias da Praia da Rocha Baixinha, nomeadamente devido à existência dos molhes da Marina, bem como sobre outros impactes que não se encontram devidamente refletidos no estudo.
Por tudo isto, quero deixar muito claro que 𝗻𝗮̃𝗼 𝘀𝗼𝘂 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗮 𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗱𝗲𝘀𝘀𝗮𝗹𝗶𝗻𝗶𝘇𝗮𝗱𝗼𝗿𝗮, 𝗺𝗮𝘀 𝗻𝗮̃𝗼 𝗮𝗰𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗹𝗮 𝘀𝗲𝗷𝗮 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗱𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗮 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝘀𝗼𝗹𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘂𝗺 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹. A dessalinização é uma solução de fim de linha, de último recurso, que só devia avançar depois de termos levado a sério outras respostas essenciais: os transvases, a barragem da Foupana, as bacias de retenção, a recarga dos aquíferos com efluentes tratados das ETAR e, sobretudo, o combate real às perdas das redes de abastecimento de água no Algarve.
Defendo que hoje temos tempo para decidir com rigor e o que exijo é simples, se houver dessalinizadora, então que exista um Estudo de Impacto Ambiental sério, completo e sem falhas. Porque estamos a falar de uma infraestrutura prevista para uma das zonas costeiras mais belas e valiosas do mundo, num território com um património natural único, ecossistemas marinhos sensíveis, praias de excelência com bandeiras azuis que temos a obrigação de proteger.
𝗘 𝗵𝗮́ 𝗽𝗲𝗿𝗴𝘂𝗻𝘁𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗮̃𝗼 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗺 𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝘀𝗲𝗺 𝗿𝗲𝘀𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮. Como é possível que o Estudo de Impacto Ambiental não tenha integrado devidamente os molhes da Marina de Vilamoura e da Praia de Quarteira? Como é possível avançar sem avaliar com rigor os efeitos da salmoura numa costa com ventos predominantes de poente para nascente? É legítimo temer que o molhe da marina de Vilamoura possa favorecer a acumulação e deposição da salmoura, com risco de arrastamento para os areais.
Eu quero soluções, sim. Mas quero soluções seguras, bem estudadas e ambientalmente responsáveis. O Algarve não pode aceitar decisões apressadas, estudos incompletos ou experiências mal calculadas. O Algarve merece ser defendido com seriedade, inteligência e visão de futuro. Não podemos pôr em causa um dos mais importantes recursos deste concelho e desta região.
Peço prudência e responsabilidade para defender a salvaguarda deste património de elevado valor ambiental, económico e turístico. O Algarve não pode voltar a ficar para trás nas grandes opções de investimento do Governo. Não posso aceitar que esta obra avance desta forma.
𝗔𝗹𝗯𝘂𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮, 𝟮𝟰 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹 𝗱𝗲 𝟮𝟬𝟮𝟲
𝗣𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗮 𝗖𝗮̂𝗺𝗮𝗿𝗮 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗹𝗯𝘂𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮
𝗥𝘂𝗶 𝗖𝗿𝗶𝘀𝘁𝗶𝗻𝗮