19/06/2026
JOTA, o agente que abriu Cabo Verde ao mundo.
O mundo inteiro ligado à bola fala do Vozinha, da avó dele e do irrisório valor de mercado do heróico guarda-redes de Cabo Verde.
Trending de um desconhecido quarentão que, em um piscar de olhos, pulou de 40 mil para 4 milhões de seguidores no Instagram. Coisas das redes sociais de hoje.
Mas Vozinha não caíu do céu.
Umbilicalmente ligado ao Batuque, clube da sua cidade natal Mindelo, onde nasceu como jogador.
Clube que também cedeu o seu treinador, Bubista, à seleção.
Clube criado no outro século por João José, então um caboverdiano estudante de direito na Universidade de Lisboa, a quem todos chamam de Jota simplesmente.
Se hoje se pode falar de sucesso da seleção de Cabo Verde no cenário internacional o país deve-lhe agradecer.
Foi ele que abriu as portas do mercado português e internacional aos oriundos das ilhas. O nome mais notório é o de Rolando Jorge, hoje treinador dos sub17 do FC Porto, central que chegou inicialmente para o Campomaiorense da família Nabeiro.
Mas o precursor foi Tinaia, que do FC Porto passou para o Real Madrid na década de 90.
A lista do Jota é longa: mais de cem jogadores exportados.
Desde dos tempos de Cao (FC Porto) Toni (Vianense), Stopira (Torreense), Zé Luis (Gil Vicente), Ponck (Farense), Adilson ((PSG), Edson (Benfica e PSV) Kevin Oliveira (Benfica), Heldon (Marítimo) até Diney Borges (Setúbal) e Ryan Mendes (Le Havre) presentes na Copa. Jogadores que em diferentes ambientes adquiriram muita experiência e know how.
Ligado às câmaras municipais, Jota conseguiu anos a fio patrocínios que permitiam a participação do Batuque em torneios em Portugal e na França.
O Batuque virou um polo exportador. Os jogadores adquiriram tarimba.
Os resultados estão à vista.
O seu a seu dono.