02/07/2025
Depois das Cidades / 5 jul / 22h00
A segunda sessão leva-nos às novas vozes do cinema português, com quatro filmes que partilham temas comuns. Uma sessão de curtas-metragens sobre periferias, comunidades, ruralidade e quotidiano depois das cidades.
“Nunca Estive Tão Perto”, de Francisca Dores, mergulha-nos num território rural onde os tempos colidem. À medida que máquinas moldam a paisagem, ecos de uma comunidade ouvem-se nos sinos. À noite, luzes e ruídos desenham uma geografia onde tudo comunica sem palavras. Mais do que representar um lugar, o filme convoca uma realidade em transição que se revela nos pormenores: no esforço dos corpos, no ritmo da natureza, nas marcas do que arde e do que persiste.
“Vegetalidade”, de Frederico Cordeiro Ferreira, acompanha um dia na vida de três homens sem-abrigo num cenário rural distópico, onde realidade e metáfora se entrelaçam. Inspirado no poema homónimo, propõe uma meditação visual sobre a frágil harmonia entre ser humano, natureza e algo maior. Com linguagem sensorial e poética, evita explicações, preferindo evocar um mundo à margem da lógica. Uma fábula sobre abandono, espiritualidade e esquecimento das raízes, num tempo em que o progresso nos distancia da terra.
“ALÉMKhush”, de Marina Leonardo, em estreia nacional, oferece um retrato sensível de quem escolheu o Portugal rural como lar. Num cenário de aldeias tranquilas, revela rostos vindos de longe que encontraram trabalho, comunidade e espaço para recomeçar. Longe dos centros urbanos, trazem sabores, saberes e afetos que transformam a paisagem humana. Com abordagem íntima, dá voz a vidas marcadas pela distância, esforço e vontade de pertença. Uma celebração de encontros nas margens do campo.
Por fim, em antestreia, “Uma Mulher do Género”, de Raquel de Lima, acompanha o quotidiano de três mulheres rurais que ocupam "profissões masculinas". Entre entrevistas e uma observação delicada, revela a força dos gestos diários e a beleza do trabalho no campo. Um olhar poético sobre o feminino onde ele é muitas vezes invisibilizado, dando corpo a histórias de autonomia, cuidado e pertença.
Com entrada livre e com Q&A no pátio do Centro Cultural Regional de Santarém.
Apoios: Santarém Cultura