02/10/2025
“Medo e Devoção” terá a sua ante-estreia no Cineclube.CR, nas Caldas da Rainha a 3 de novembro.
Cinco anos depois, Tomás Barão da Cunha volta à Grécia para uma nova narrativa. Depois de “Egeu”, cinema de urgência que retrata a crise de refugiados no mediterrâneo, o realizador volta a fazer um retrato social de um país à beira de um ataque de nervos.
Em 2023, os helénicos, ainda num eterno pós-crise, debatem-se com o seu futuro político: de um lado a continuidade da maioria à direita conservadora, do outro um suspiro de uma esquerda perdida em si mesma.
O filme começa naquele que seria o dia das eleições, não tivessem sido adiadas pelo pior acidente ferroviário que a Grécia já presenciou - o desastre de Tempi vitimou dezenas de jovens e agudizou a tensão política. A incerteza paira no ar. A dias da Páscoa ortodoxa, os rostos estão fechados. Entre manifestações e protestos, os gregos resistem e não há quem os contenha, entre a luta e a tristeza, o medo e a devoção.
O realizador parte numa jornada a caminho da terra prometida de Ulisses, Ítaca. Nas pisadas da Odisseia e do poema épico homónimo, entre as montanhas e os mares, procura as respostas na outra Grécia, a que os gregos deixaram para trás. Os que não foram para a capital à procura de uma vida melhor e os que se recusaram a desistir de onde cresceram. Um retrato social de uma nova Grécia, em luto pelo seu passado, o seu verdadeiro centro e o verdadeiro significado de revolução.