13/08/2026
Em Portugal temos um decreto-lei para a educação inclusiva de fazer inveja a outros países, daquele países bem mais desenvolvidos. Isto foi me dito por quem percebe da poda. O nosso Decreto-lei nº54/2018 é elogiado por esta Europa acima.
Então pergunto: porque é que não funciona? Porque é que saiu hoje no Público uma notícia que informava que há crianças NEE's sem vagas nas escolas? O que é que está a falhar?
Um dos comentários de uma senhora a essa notícia era o seguinte: "Vamos deixar nos de tangas. Todos sabemos que a inclusão não existe. O estado devia criar escolas especiais,com professores de ensino especial, com auxiliares com formação,com currículos adaptados a estas crianças onde eles realmente estivessem seguros e pudessem aprender e não atira los para o meio da selva que é uma escola pública atualmente onde não têm professores de ensino especial,não têm auxiliares e só lá estão a passar tempo".
Ora, isto que a senhora propõe não é inclusão. Chama-se segregação. Para quê utilizar recursos públicos a construir "escolas especiais", como ela disse, em vez de os investir naquilo que realmente interessa que é: implementar de forma efetiva e eficiente aquilo que é LEI, e que, por sinal, na teoria, está muito bem feito?!
E eu, leiga e ignorante, vou dizer-vos porque é que não funciona. 3 motivos: falta de meios, falta de formação e, o pior de todos, falta de vontade! Sim, FALTA DE VONTADE! Porque, convenhamos, não raras vezes, os agrupamentos de escolas estão se pouco cagando (pardon my french) para a inclusão, para as crianças NEE's e para as família. E não me venham dar uma de advogados de defesa. Isto é verdade. Para os agrupamentos as crianças são números, matrículas, processos. Vemos isto com cada vez mais frequência.
Eles querem lá saber se uma turma de 25 prejudica a criança, eles querem lá saber se a criança está ou não a aprender, eles querem lá saber se o que acontece na escola impacta a criança de forma negativa fora dela. Se na escola não dá trabalho, está ótimo para eles, quanto menos trabalho tiverem, melhor.
Por isso, peço mais uma vez desculpa pelo meu "francês", mas metam as "escolas especiais" no c*zinho. Trate-se antes de arranjar formas de implementar o que manda a lei.