11/06/2026
A primeira vez que li algo sobre o stress das mães atípicas ser comparado ao de soldados em combate foi há alguns anos e desconfiei. Achei que era um exagero, que não havia estudo nenhum, que um id**ta qualquer tinha inventado isto. Até sentir na pele o que é a maternidade atípica... E então fui pesquisar. E não é que existe mesmo? É um estudo da investigadora Marsha Mailik Seltzer da Universidade de Wisconsin-Madison. E então deixo-vos o resumo dos resumos: esta pesquisa descobriu que as mães atípicas tinham níveis de cortisol extremamente baixos e "achatados" ao longo do dia. Na medicina, esse padrão biológico de cortisol baixo não significa falta de stress, mas sim o oposto: é o resíduo fisiológico de um esgotamento crónico severo, exatamente o mesmo perfil hormonal encontrado em soldados em combate ativo, veteranos de guerra e pessoas com Perturbação de Stress Pós-Traumático.
Mas o significa isto de as mães atípicas terem o mesmo perfil hormonal que os soldados em combate?
Significa acordar cansada. Significa viver em estado de alerta, all the fu***ng time, que o corpo não distingue uma segunda-feira normal de uma situação emergente. Significa nunca descansar porque o cérebro está sempre vigilante a antecipar a próxima crise, a próxima sessão de terapia, a próxima consulta, a próxima ida ao parque o próximo isto ou aquilo... Significa habituar-se a funcionar em modo sobrevivência de tal maneira que a sobrevivência passa a parecer o normal.
Por fora, estas mães podem parecer fortes, organizadas, competentes, resilientes, "guerreiras", como gostam de lhes dizer. Por dentro, porém, só Deus sabe como basta uma brisa passar para desmoronar. Não por serem fracas. Mas porque ninguém foi concebido para estar em hipervigilância ALL THE FU***NG TIME. E quando finalmente dizem que estão exaustas, já não falam apenas de cansaço, falam de um corpo que aprendeu a viver como se estivesse em guerra.
Talvez seja esta a parte mais cruel da maternidade atípica: a solidão. Até podemos ter uma boa rede de apoio, amigos fantásticos, um marido maravilhoso, mas ninguém entende tão bem uma mãe atípica como outra mãe atípica.
Joana e Paula, dedico-vos este. Obrigada por tudo! 🧡