13/08/2026
Às vezes dou por mim a pensar: E se amanhã eu não puder estar?
Não porque esteja à espera que alguma coisa aconteça.
Mas porque, quando cuidamos de alguém, começamos a perceber a quantidade de coisas que só nós sabemos.
Sabemos a medicação, os horários, as consultas, o que come e o que não come, o que signif**a aquele olhar diferente, a maneira certa de explicar determinada coisa, o que acalma, o que irrita, aquilo que é preciso repetir, aquilo que é melhor não dizer.
Sabemos onde estão os documentos, a quem telefonar, o que está a acabar e o que será preciso tratar amanhã.
Mas há ainda coisas que nem sequer sabemos explicar. Simplesmente sabemos.
Porque cuidar também é isto. É passar tanto tempo atento a alguém que começamos a conhecer pequenos sinais que talvez mais ninguém veja.
E é precisamente aí que nasce um medo de que pouco se fala: Se eu não estiver, quem vai saber tudo isto?
Talvez seja uma das razões pelas quais tantos cuidadores têm dificuldade em desligar. Em descansar. Em deixar outra pessoa assumir.
Não é necessariamente porque achamos que só nós sabemos cuidar bem.
Às vezes é porque existe tanta coisa dentro da nossa cabeça que nem sabemos por onde começar para a entregar a outra pessoa.
Eu sei...também sou cuidadora.
E sei o peso que existe em sentir que há alguém que depende de nós.
Mas tenho aprendido uma coisa: não podemos esperar pelo dia em que não conseguimos para começar a partilhar aquilo que sabemos.
Dizer onde está a medicação, explicar as rotinas, deixar contactos importantes, partilhar responsabilidades, ensinar alguém a fazer aquilo que fazemos todos os dias.
Não porque vamos deixar de cuidar. Mas porque não deveríamos ser insubstituíveis para que o cuidado possa continuar.
Talvez preparar outra pessoa também seja uma forma de amar.
A pessoa de quem cuidamos. E a nós próprios🤍
Hoje deixo-te uma pergunta de cuidadora para cuidador:
Se amanhã precisasses de parar por um dia, alguém saberia cuidar no teu lugar?