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Falta de memóriaPor volta de 1990, no quadro das comemorações do VIII Foral de Torres Novas, foram colocadas pelo centro...
28/12/2025

Falta de memória

Por volta de 1990, no quadro das comemorações do VIII Foral de Torres Novas, foram colocadas pelo centro histórico da cidade placas que assinalam factos, episódios ou personalidades históricas da vila. O material era (é) durável e as placas aí estão, passados 35 anos. Durante anos e anos, era gratificante ver como essas simples placas contribuíram, como nada até aí, para uma certa construção da memoria histórica de pessoas que não lêem livros de história. E as crianças iam crescendo, interiorizando também um conjunto de signos de identificação da cidade, quem vinha de fora tinha ali páginas abertas de um conhecimento básico sobre o passado desta terra. Simples de mais, bom de mais, se não fosse a nossa tendência para o desmazelo e o desprezo pelas nossas coisas. As placas nunca são limpas, há mais de 20 anos que não são limpas, muitas delas estão ilegíveis. A nossa memória histórica está ilegível. Inelegíveis deveriam ser os autarcas que vêem (vêem?) isto e nada fazem. A nossa sina é triste.

Destruição do jardim Almonda Parque continua aceleradaO que se passa em Torres Novas é inédito no país: um jardim públic...
17/12/2025

Destruição do jardim Almonda Parque continua acelerada

O que se passa em Torres Novas é inédito no país: um jardim público, um belíssimo jardim, aliás, onde se gastaram centenas de milhares de euros, está literalmente a ser destruído por uma praga de patos a que as entidades públicas (Câmara e autoridade de saúde) parecem não querer pôr fim.
O jardim do Almonda Parque transformou-se num local nojento, e só tempo invernoso vai disfarçando o que está a acontecer. Os planos de relva estão a ser destruídos, onde existe relva ela está pejada de dejectos escondidos, caminhos, decks, bancos, pontes e agora até as ruas que dão acesso ao jardim estão permanentemente conspurcadas.
O nível de destruição, de que já havia experiência no jardim da avenida, onde os patos destruíram todo um troço do jardim, vai ao ponto de aparecerem enormes zonas de chiqueiro nos planos de relva, não tendo nada sido feito para isolar esses espaços destruídos e travar a destruição.
A população de patos, entre o Lamego, o Almonda Parque e o jardim da avenida (os patos já vão para o largo da Ponte do Raro), aproxima-se neste momento das duas centenas, o que prenuncia uma catástrofe. Em tempo de verão, estes espaços ficariam completamente vedados ao acesso público, por motivos de saúde pública.
Várias pessoas continuam a alimentar os patos, contribuindo para esta desgraçada situação, e agora, aos patos, juntam-se os bandos de pombos, logo que se aproxima alguém com s**os na mão nos locais já conhecidos. Essas pessoas, algumas delas pelo menos, já foram avisadas de que o pão que deitam aos patos origina doenças nos animais e que até esse comportamento, aparentemente bondoso, é contraproducente e inútil. Mas teimam.
Uma verdade é esta: a situação não pode continuar. O rio não é para ter patos no seu troço urbano (nunca teve, tudo começou com uma brincadeira cujas consequências não se mediram), nem os animais estão no seu habitat, nem os jardins públicos e os seus equipamentos são para patos e pombos.
Cabe à autarquia tomar medidas enérgicas para acabar com esta aberração, explicando às pessoas que os jardins públicos não têm patos nem devem tê-los (nem outros animais), por razões de bom senso e sobretudo de saúde pública, garantindo que os animais serão colocados em locais de acordo com a sua natureza.

Painéis fotovoltaicos da Renova: e um bocadinho de interesse municipal agora ao contrário? - joão carlos lopesNa recente...
10/12/2025

Painéis fotovoltaicos da Renova: e um bocadinho de interesse municipal agora ao contrário? - joão carlos lopes

Na recente reunião do executivo municipal em que foi debatida a questão dos painéis fotovoltaicos da Renova, o presidente da Câmara, José Trincão Marques, recordou o seu papel assertivo, então enquanto presidente da assembleia municipal, na polémica sobre o acesso à nascente do rio Almonda, que foi tema recorrente nestas páginas nos anos 2020/2023.
A intensa movimentação cívica que se gerou contra a posição da empresa culminou na aprovação, pela assembleia municipal, de uma recomendação que o próprio José Trincão Marques chamou a si como “promotor”, recomendação essa que foi aprovada com apenas uma abstenção e que, politicamente, foi uma acto corajoso da representação política dos cidadãos de Torres Novas, de todas as forças partidárias, afrontando claramente e pela primeira vez, desde os tempos de má memória da poluição nos anos 70/80, uma empresa grande de mais para a mesquinhez de que estava a dar mostras com a vedação ostensiva e exagerada da nascente do rio e que culminou mais tarde, como se sabe, com a patética queixa-crime, da empresa, contra uma dúzia de cidadãos que celebraram o dia da espiga junto à nascente, queixa-crime arquivada a toda a linha, para embaraço de uma empresa que se diz ligada à comunidade.
Entretanto, a referida assembleia municipal de 27 de Julho de 2022 recomendava à câmara municipal que a autarquia deveria liderar a concretização de um plano de requalificação da nascente do rio Almonda, sem perder de vista a elaboração de um plano de pormenor de recuperação urbanística e paisagística do lugar histórico de Moinho da Fonte. O documento recomendava acções específicas e imediatas que deviam ser ser tomadas pela autarquia, nomeadamente a pavimentação da estrada pública até próximo da nascente, o acesso livre e público à nascente com a retirada da vedação metálica, a criação de condições para a fruição visual da nascente acautelando a segurança com os avisos aos visitantes, tendo como horizonte mais largo e final a libertação do leito do rio, o que implica a deslocalização do pavilhão fabril construído ilegalmente sobre o leito do rio no início dos anos 70 do século passado e a transferência da última e única unidade produtiva existente na Renova 1 para a sua zona industrial Renova 2, na Zibreira. Deste “programa”, concretizou-se a repavimentação da estrada pública e o rebaixamento, ridículo, da vedação metálica junto à represa: uns poucos centímetros, que continuam a dar ao local um ambiente concentracionário e esteticamente horrível, não condizente com a beleza natural da nascente e do seu enquadramento.
Posteriormente, a empresa foi alvo de uma queixa, essa sim procedente, pelo facto de ter instalado câmaras de vigilância na estrada pública do Moinho da Fonte que dá acesso à nascente, tendo sido obrigada a desviar, da via pública, o ângulo de alcance das câmaras, que lá continuam sem escrutínio às suas reais potencialidades de olhar para onde não devem.
Apesar desta relação sempre tensa com a comunidade, a empresa tem sido alvo de todas as prebendas por parte dos poderes públicos locais e nacionais. Por exemplo, em Junho de 2022, a assembleia municipal aprovou como “relevante interesse público e social” a operação urbanística para expansão das instalações da Renova2, isentando assim, automaticamente, a empresa, do pagamento de 286 mil euros em taxas urbanísticas. A cereja no topo do bolo foi a despesa autárquica de cerca de um milhão de euros na beneficiação da estrada municipal entre a Zibreira e a Renova1, no Moinho da Fonte, obra longe de se poder considerar prioritária, mas que cumpria alguns requisitos técnicos que seriam exigidos à empresa.
Em 2016, já fora atribuído o estatuto PIN (projecto de Interesse nacional) a um projecto de investimento da Renova que visava o aumento da capacidade da unidade fabril em Torres Novas, destinada ao fabrico de papel tissue. Este estatuto agilizava os processos administrativos e de licenciamento de projectos considerados de “grande interesse para o país”, apoio do Estado na compra de uma máquina por 36 milhões de euros.
Mais recentemente, para apoio à descarbonização, a Renova foi contemplada com um apoio financeiro significativo (cerca de 5,8 milhões de euros) através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da descarbonização da indústria. Este projecto, aprovado pelo IAPMEI, “visa reduzir a pegada carbónica da fábrica através de sete medidas independentes”.
Está tudo muito certo. Só que tanto interesse municipal e nacional tem funcionado sempre para o mesmo lado. Está na hora, e aqui cabe um papel decisivo ao presidente da Câmara, sensível como ele é às questões ambientais e dado o histórico de que dispõe neste assunto, de defender, desta vez e para contrabalançar, o interesse público municipal da nascente do Almonda e da sua envolvência, promovendo a concretização de um plano pormenor da antiga povoação de Moinho da Fonte que contemple o arranjo, em condições, da estrada pública do Moinho da Fonte até perto da nascente, a remoção das edificações em ruínas pertencentes à empresa perto da nascente, a reconversão paisagística do local e a instalação de condições de segurança razoáveis e de bom senso para visitantes.
A isto junte-se o seu dever moral e político de travar, em sede da actual revisão do PDM, a inenarrável proposta de delimitação do perímetro industrial da Renova1 nele contida, restringindo esse perímetro à antiga zona estritamente fabril e nada mais que isso, deixando de fora tudo o resto incluindo a nascente do rio Almonda, que não é nenhuma instalação fabril mas apenas um local de captação de água pública. Tudo isto tendo como cenário de médio e longo prazo a transferência da única máquina (ou da sua produção) para a Renova2, na Zibreira, iniciando o processo de descontinuação industrial no Moinho da Fonte que permita o passo final: a remoção da nave industrial construída escandalosamente em cima do leito do rio e a consequente reconversão da paisagem envolvente da nascente do Almonda. É um programa para uma geração, claro, mas que reporá a justiça, equilibrando uma relação desigual que tem caracterizado as mais de oito décadas desde o início do funcionamento da empresa.
João Carlos Lopes

Automóvel abandonado no centro da cidade desde terça-feiraUm automóvel ligeiro, aparentemente abandonado, está parado de...
06/12/2025

Automóvel abandonado no centro da cidade desde terça-feira

Um automóvel ligeiro, aparentemente abandonado, está parado desde terça-feira à tarde no centro da cidade, na rua Nuno Álvares, em local de estacionamento proibido.
A rua Nuno Álvares é uma das artérias mais concorridas da cidade, por ser o principal acesso à praça 5 de Outubro, e sendo uma rua estreita onde têm de conviver veículos e peões, a situação torna-se mais complicada.
Por outro lado, o veículo está parado frente a uma montra, com visível prejuízo para o estabelecimento comercial visado.
O JT apurou que a polícia foi alertada na própria terça-feira, mas até agora nem as autoridades policiais, nem a autarquia nem a protecção civil optaram pela retirada do veículo, o que não deixa de ser estranho.

Morreu Luís Azevedo, antigo autarca de AlcanenaNatural de Riachos, residente em Lapas, Luís Azevedo, antigo presidente d...
01/12/2025

Morreu Luís Azevedo, antigo autarca de Alcanena

Natural de Riachos, residente em Lapas, Luís Azevedo, antigo presidente da Câmara Municipal de Alcanena morreu no passado dia 30 de Novembro com 72 anos.

Em nota de imprensa, a autarquia alcanenense manifestou “o mais profundo pesar pelo falecimento de Luís Manuel da Silva Azevedo, e decretou três dias de luto municipal.

Luís Azevedo foi vereador da Câmara Municipal de Alcanena entre 1986 e 1996, sob a presidência de Carlos Cunha (PS) e presidente da autarquia entre 1997 e 2009, liderando um movimento de independentes saído de uma dissidência dos socialistas locais.

Ao nível associativo, foi atleta (1974/1976), vice-presidente (1990/1991) e presidente da direcção (1992/1994) do Atlético Clube Alcanenense, além das diversas funções nas antigas Associação de Municípios do Médio Tejo e Comunidade Urbana do Médio Tejo, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Resitejo e TagusGás. Actualmente exercia o cargo de presidente da Assembleia Geral do Atlético Clube Alcanenense (biénio 2024-26).

Para muitos alcanenenses de vários quadrantes políticos, Luís Azevedo deixa um legado de dedicação à causa pública e foi um homem de valores cuja marca na história da democracia no concelho de Alcanena ficará para o futuro.

Manuel Fernandes Vicente apresenta o seu novo livro Raia, Raianos, Nobres e Malteses, dia 1 de Dezembro no Entroncamento...
25/11/2025

Manuel Fernandes Vicente apresenta o seu novo livro Raia, Raianos, Nobres e Malteses, dia 1 de Dezembro no Entroncamento

O escritor Manuel Fernandes Vicente apresenta no próximo dia 1 de Dezembro, feriado nacional, pelas 16h 30 no Cineteatro São João, no Entroncamento, o seu novo livro Raia, Raianos, Nobres e Malteses. A obra integra um conjunto de crónicas e reportagens de viagens, e análises e reflexões críticas cujo foco central é a realidade singular vivida pelos povos raianos na fronteira de Portugal com Espanha. O autor, ele próprio um raiano natural de Castelo Branco e cuja família é da aldeia fronteiriça de Malpica do Tejo, junto ao troço internacional do grande rio ibérico, admite que esta sua origem teve uma forte influência na decisão de avançar com a obra que procura espelhar o mundo pobre e calcado que sempre foi a Raia. E, desde o Minho e da Serra do Gerês, às Terras de Barroso e a Terras de Miranda, de Rio de Onor a Sabugal e ao longo das Beiras, de Castelo Branco e do Alentejo, até Marvão, Barrancos e mais além pelo Guadiana fora, é deste mundo complexo, até com as suas contradições, e fatalmente deprimido e ostracizado, que ergueu castelos e deu o corpo às balas e aos canhões para garantir a integridade do território nacional, que o livro dá conta ao longo das suas mais de 500 páginas.
Apesar de viver no Entroncamento há muitos anos, esta permanência na cidade ferroviária não o fez esquecer as suas raízes e a condição de pobreza que afetava a realidade da sua aldeia, que era também apenas um microcosmos, uma miniatura, de uma realidade comum a muitas centenas de povoações que ao longo dos mais de 1200 quilómetros da Raia (que, contudo, ainda permanece indefinida ao longo de uma certa extensão na zona entre Elvas e Olivença) separam Portugal e Espanha. É claro que aqui, na Raia, como sempre que há proximidade entre seres humanos que têm origens diferentes, houve as mais diferentes e contrastantes formas de convivências, desde algumas querelas e animosidades, a outras bem mais solidárias e de grande cumplicidade humana, até heroísmos silenciosos, por vezes até ocultos. É verdade que houve batalhas, refregas e perseguições, mas neste limbo entre as duas nações ibéricas também houve os mais puros exemplos de nobreza de carácter, com histórias em que uns de um lado da fronteira correram sérios riscos para que os outros, do lado de lá, não fossem sumariamente encostados a uma parede e a tornarem-se em alvos fáceis de soldadescas sanguinárias.
“Há muitas coisas que só podem ⎼ ou puderam ⎼ ter tido lugar ao longo da Raia. E de Melgaço a Quintanilha ou de Quadrazais a Marvão e a Barrancos não houve território onde não se confessasse e praticasse o ubíquo negócio do contrabando, do levar e trazer, do ficar ou fugir, do vencer ou do morrer, que as leis nacionais sempre poderão ter declarado como proibido, mas os raianos nunca consideraram como ilegítimo”, escreve na introdução deste seu novo e nono livro Manuel Fernandes Vicente, que esclarece naturalmente este ponto de vista: “A razão era a do mais simples bom senso, porque percorrer dezenas de quilómetros de noite por caminhos que mal os havia com um s**o com 40 quilos de mercadoria às costas (por vezes o “fardo” podia chegar aos 60 quilos) para ser útil a alguém, e não deixar que os seus morressem à fome naquela miséria onde mais nada havia, não poderia ser crime em nenhum lado decente do mundo”.
Na mesa da apresentação de Raia, Raianos, Nobres e Malteses, vão estar o Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha, o historiador António Matias Coelho, o tenente general António Mascarenhas, Helena Rodeiro, leitora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Mário Rui Rodrigues (antigo presidente do Grupo de Amigos de Olivença), o publicista oliventino José António González Carrillo e ainda o editor da obra, António Vieira da Silva, para além do autor, Manuel Fernandes Vicente.

Monumento ao desprezoDurante algumas semanas chamámos a atenção para o estado deplorável de conservação do monumento aos...
22/11/2025

Monumento ao desprezo

Durante algumas semanas chamámos a atenção para o estado deplorável de conservação do monumento aos Mortos da Grande Guerra, situado na praça 5 de Outubro, coração da cidade. Nomeadamente, a placa onde estão os nomes dos mortos do concelho naquele conflito encontrava-se tapada pela vegetação e suja, para além do estado geral de indigência do arranjo geral da envolvência do monumento.
Passadas umas semanas, foram precisas semanas, alguém afastou os arbustos da placa e mais nada. A placa lá continua sem ser limpa. O resto do monumento é o que se vê. De um lado, uma caixa de calhaus, misturados com palha seca, ferros e ráfias esfarrapadas. Isto existe em algum lado? Não existe. Não há um capataz, um jardineiro, um engenheiro, já agora quem mande, que ponha as coisas no lugar e acabe com esta brincadeira e com este ostensivo gozo com a população?
Não há numa Câmara inteira uma pessoa que não se envergonhe com esta carta de apresentação ao visitantes que chegam à cidade?

O buraco socialistaUm buraco numa rua de uma cidade: uma imagem banal, se pensarmos que em qualquer vilória o buraco, ma...
17/11/2025

O buraco socialista

Um buraco numa rua de uma cidade: uma imagem banal, se pensarmos que em qualquer vilória o buraco, mais dia menos dia, seria reparado. Numa cidade dada a modernices inconsequentes em que se gastam centenas de milhares de euros para gáudio dos deslumbrados actores, não é assim. O buraco jaz há meses e assim continuará, em princípio, se a nova gestão camarária não começar a arrepiar caminho e fazer levantar das cadeiras quem tem obrigação de percorrer as ruas e assinalar as ocorrências. Esta rua, Travessa do Correio, calcetada há mais de 20 anos, nunca viu uma intervenção de reparação. Por isso, não é só este buraco na calçada que se pode constatar. Há vários, até à entrada das portas, em que as pedras estão soltas por falta de massa, levou-a as chuvas e o tempo. Há esforço de alguns, nesta rua, em requalificar casas em ruínas para alojar novos habitantes. Esta é a paga. Uma rua de calçada desventrada, muitas vezes imunda (já que em Torres Novas não se lavam ruas), poucas vezes varrida e por cima da burra, enfim, um exemplo dos muitos que levaram os socialistas à pior votação desde 1989.

Morreu Bertino Coelho Martins, lapense, grande figura da cultura ribatejanaMorreu hoje, aos 98 anos, Bertino Coelho Mart...
14/11/2025

Morreu Bertino Coelho Martins, lapense, grande figura da cultura ribatejana

Morreu hoje, aos 98 anos, Bertino Coelho Martins, uma das maiores figuras da cultura ribatejana do século XX.
Um menino pobre nascido em Lapas, chegou um dia a responsável da Biblioteca Municipal de Santarém. Pelo meio, dedicou uma vida à música, e também à etnografia, à história e ao folclore, tornando-se uma das mais importantes personagens da cultura regional do Ribatejo da segunda metade do século XX.
Bertino Coelho Martins nasceu em Lapas, Torres Novas, em 15 de Novembro de 1927. Aos nove anos já tinha a instrução primária e desde miúdo começou a trabalhar como ferreiro, nas oficinas Costa Nery e José da Rosa, em Torres Novas e na oficina Sepodes, em Assentis. A música foi logo o seu sonho e o mote da sua vida. Mestre Guingau, personagem pitoresca das Lapas do início do século, foi o homem bom que ofereceu a Bertino, ainda menino, umas botas para que pudesse sair com a banda de Lapas na saudação pública ao 1.º de Dezembro a tocar o seu flautim, porque ele, um menino pequeno, “já tocava como os homens”.
Bertino foi trabalhando e estudando, tendo tirado cursos de música e de guarda-livros por correspondência, ao mesmo tempo que fazia da música o pé de meia suplementar que equilibrasse a vida difícil daqueles tempos. Em meados da década de 50 já regia filarmónicas, caso da banda da Ribeira Branca. Chegou a leccionar acordeão, viola e clarinete, formou um grupo musical no Chouto, Chamusca, para onde ia de bicicleta duas vezes por semana em tiradas de 30Km para cada lado, percorreu a região centro a tocar em bailes como acordeonista, primeiro sozinho, depois em dueto com a sua mulher Ivone, a quem ensinou a tocar acordeão em seis meses. De Penela a Santarém, de Coruche a Figueiró dos Vinhos, de Tomar a Ourém, foi uma roda viva a animar festas de aldeia.
Mudou de vida quando, em 1958, partiu para Santarém para trabalhar como contínuo da câmara municipal. No dia 10 de Março daquele ano, recorda Bertino nas suas memórias, estavam uns homens a plantar árvores na estrada da Ribeira Ruiva para Torres Novas, árvores que ainda lá estarão. Em 1960 passou a desempenhar funções na biblioteca municipal da Santarém, e depois de ter feito curso de especialização em bibliotecas e documentação, assumiu a responsabilidade da biblioteca desde 1974 até 1993, data em que se aposentou. Foi, durante anos, o responsável pela Comissão de Trabalhadores da Câmara Municipal.
Enquanto tocador, Bertino fez o seu último baile em Caneiras, Santarém, percorrendo depois uma carreira de excepção, leccionando na banda dos bombeiros de Santarém, integrando a Orquestra Típica Scalabitana e tocando em agrupamentos folclóricos sob a égide de Celestino Graça, tendo realizado intensa actividade de recolha da tradição oral que deu corpo ao acervo musical do Grupo Académico e Infantil de Danças de Santarém, Rancho Folclórico dos Pescadores do Tejo (Benfica do Ribatejo), entre outros.
Durante duas décadas, foi o responsável máximo pela organização dos congressos de folclore do Ribatejo, representou a Federação do Folclore Português na Região de Turismo do Ribatejo, foi sócio número dois e fundador da Associação de Defesa do Património Histórico de Santarém. Já depois da aposentação, participou na vida política local, tendo sido elei-to por dois mandatos, entre 1994 e 2001, presidente da Junta de Freguesia de Marvila, na cidade de Santarém, a freguesia da cidade e do concelho com maior número de habitantes.
Mas, para além desta actividade intensa, Bertino Coelho Martins destacou-se a uma escala ímpar na região como etnógrafo e folclorista, etnomusicólogo e historiador, tendo produzido centenas de comunicações, conferências, artigos sobre a história e cultura popular de Santarém e de Torres Novas, para jornais e revistas, tendo publicado ainda vários livros. Para a sua terra natal, Lapas, deixou “Lapas, História e tradições” (1991) e “Lapas, memórias e Etnografia” (2001), entre outros; para a região, obras como “O fandango: raízes, disseminações e diversidade” (1992) ou “Músicas e Danças Tradicionais do Ribatejo” (1997), entre muitos outros livros.
Durante décadas, a sua dimensão de músico e etnógrafo elevou-o a principal especialista nacional na área da etnomusicologia, reconhecido e respeitado um pouco por todo o país no Movimento Folclórico Português e não só. Foi maestro e compositor reconhecido em todo o Ribatejo, apesar da sua humildade que dificilmente lhe permitia afirmar o seu superior conhecimento.
Homenagens e reconhecimentos públicos teve Bertino Martins muitos: o município de Torres Novas atribuiu-lhe a medalha de Mérito Municipal de Cultura (2000), em 2007 o município de Santarém deliberou atribuir o seu nome a uma rua da velha Scalabis, na freguesia citadina de Marvila, bem como a uma sala da Biblioteca Municipal no Palácio Bramcamp Freire. A autarquia da sua terra, a Junta de Freguesia de Lapas, deu o seu nome à taberna do Aspirante, o auditório da aldeia. A Junta de Freguesia de Lapas, juntamente com a assembleia de freguesia aprovaram, por unanimidade, uma proposta para atribuição do nome de Bertino Martins a uma rua da freguesia, na sequência de um abaixo-assinado de apoio com centenas de assinaturas, intenção que foi arbitrariamente travada pelo presidente da Câmara da altura, António Rodrigues. A vontade do povo de Lapas está ainda por reparar.
João Carlos Lopes

Torres Novas: novos autarcas tomam posse dia 2 no VirgíniaA tomada de posse dos autarcas eleitos para a Câmara Municipal...
20/10/2025

Torres Novas: novos autarcas tomam posse dia 2 no Virgínia

A tomada de posse dos autarcas eleitos para a Câmara Municipal (vereadores) e Assembleia Municipal de Torres Novas (vogais) está marcada para o próximo dia 2 de Novembro, domingo, pelas cinco horas da tarde, no Teatro Virgínia.
A posse aos autarcas será dada pelo presidente da assembleia municipal cessante, José Trincão Marques, que foi eleito presidente da Câmara. Tomarão posse como vereadores Elvira Sequeira e Francisco Dinis (PS), Tiago Ferreira, Jorge Salgado Simões e Maria de Leão (PSD) e José Carola (CH).
Na mesma sessão, após a tomada de posse dos 21 vogais da nova assembleia municipal, realizar-se-á a eleição da respectiva mesa, onde se inclui presidente deste órgão deliberativo do município.
José Trincão Marques vai ser empossado como presidente da Câmara, o sexto do regime democrático e em resultado de eleições, dando sequência a Pedro Natal da Luz (PS, 1976/1979), Casimiro Pereira (PSD, 1979/1987), Arnaldo Santos (PSD, 1987/1993), António Rodrigues (PS, 1993/2013) e Pedro Ferreira (PS, 2013/2025.
Advogado, com formação especializada em direito do ambiente e de conservação da natureza, José Trincão Marques desempenhou vários cargos corporativos no âmbito da Ordem dos Advogados, foi presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas desde 2015, detém vários cargos partidários no contexto da Federação Distrital de Santarém do PS e é, localmente, membro da concelhia socialista.
Na juventude foi desportista multifacetado, tendo praticado atletismo, natação, polo aquático e triatlo. Começou por ser militante do P*P, mas ainda nos anos 90 alinhou-se aos “renovadores”, em trajecto de dissidência com o partido, para posteriormente aderir ao Partido Socialista.
O seu pai, Carlos Trincão Marques (1944-2018), histórico militante da resistência anti-fascista e membro do P*P, foi presidente da comissão administrativa da Câmara Municipal de Torres Novas entre 1974 e finais de 1975 em representação do MDP/CDE, antes das primeiras eleições autárquicas realizadas em 1976.
A entrada na sessão de posse dos novos autarcas é livre.

Torres Novas: PS vence Câmara por 83 votos, mas perde maioria no executivo municipal, empatado com o PSDJosé Trincão Mar...
13/10/2025

Torres Novas: PS vence Câmara por 83 votos, mas perde maioria no executivo municipal, empatado com o PSD

José Trincão Marques é o novo presidente da Câmara de Torres Novas, mas vai governar em minoria, com uma assembleia municipal onde a oposição é também maioritária. Tiago Ferreira ficou a uma unha negra da vitória, mas devolveu ao PSD o estatuto que já teve.

Autárquicas 25 – eleitos no concelho de Torres Novas

Câmara Municipal

PS, José Trincão Marques (presidente), Elvira Sequeira e Francisco Dinis; PSD, Tiago Ferreira, Jorge Salgado Simões e Maria de Leão; CH, José Carola.

Assembleia Municipal

PS: Pedro Ferreira, João Trindade, Soraia Silva, Rui Mendes, Gonçalo Cavalheiro, Magda Rosa, André Vieira e Beatriz Bispo; PSD/CDS: André Valentim, Susana Braz, Gonçalo Reis, Francisco Mineiro, Isabel Correia, Irina Pinto e Pedro Oliveira; CDU: Ana Filipa Besteiro; BE: Diogo Góis; MPTN: Margarida Figueira; CH: nomes a apurar.

Presidentes de junta

Assentis: João Neves Oliveira; UF Brogueira/Parceiros/ Alcorochel: Patrícia Batista (PS); Chancelaria: Ricardo Leal (PS); Meia Via: José Couteiro (PS); UF Olaia/Paço: Rui Nunes (PSD); Pedrógão: Pedro Matias (PSD); Riachos: Pereira Jorge (PS); UF S. Maria/Salvador/Santiago: João Paulo Gomes (PSD); UF S. Pedro/Lapas/Ribeira: Rosário Marcelino (PS); Zibreira: João Cassis (PS)

Na nossa edição sexta-feira, todos os resultados em detalhe e análise dos mesmos.

08/10/2025

Cancelada reunião da discórdia

Ao final da tarde de ontem, o presidente da Câmara de Torres Novas cancelou, em edital, a reunião do executivo municipal convocada para hoje quarta-feira, e que estava a merecer a contestação dos vereadores da oposição, que haviam decidido não comparecer à mesma.

As movimentações, mesmo no interior do PS (temeroso que o assunto fosse negativo para a campanha eleitoral), para além de uma enorme onda de repúdio que se verificou nas chamadas redes sociais, levaram a uma decisão de não realização da reunião, convocada para quatro dias antes das eleições.

Endereço

Largo Do Lamego, 86/1. º
Lamego
2350-410

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