25/08/2026
A poucos dias de completar o 2.º mês pós-cirurgia, não tenho palavras.
F**a difícil, por vezes, descrever tudo aquilo que vai dentro da minha cabeça.
Há dias em que me sinto linda, maravilhosa, poderosa. ✨
E há outros em que fico sem saber o que vestir, não gosto de me ver com determinada roupa e, essencialmente, custa-me olhar para a transformação do meu corpo.
Se, por um lado, eu odiava ver-me com excesso de peso, por outro, toda esta transformação traz consigo emoções que nem sempre são fáceis de gerir. E, às vezes, deixa-me triste.
Mas sei que faz parte.
Isto é um processo. Um longo caminho de transformação, não apenas física, mas sobretudo mental.
E digo-vos: essa é, sem dúvida, a parte mais difícil.
Lutar com a nossa saúde mental é, muitas vezes, como lutar contra um ladrão de sonhos. Há dias em que simplesmente queremos deixar ir. Deixar os pensamentos tomarem conta. Deixar-nos f**ar ali, parados.
Mas ao longo destes 57 dias, não me deixei vencer.
Muito pelo contrário.
Fui eu que, conscientemente, aprendi a parar alguns pensamentos antes que eles me levassem para lugares onde não quero estar.
Procurei refúgio naquilo que me faz bem, noutros hobbies, noutras coisas que me distraem e me permitem respirar.
E isso é difícil. É talvez a parte mais difícil desta jornada.
Porque, na verdade, só me cortaram o estômago.
Os recetores cerebrais continuam lá. As emoções continuam lá. Os pensamentos continuam lá. A cabeça continua a comunicar exatamente como antes.
E é esse trabalho diário, silencioso e tantas vezes invisível, que torna esta caminhada tão desafiante.
Ainda assim, de uma forma geral, sinto-me feliz. ❤️
Esta jornada tem-me mostrado que sou muito mais capaz do que alguma vez imaginei. Tem sido uma experiência e tanto. Uma das mais intensas da minha vida.
E, apesar de tudo, não trocaria nada.
Voltava ao dia 1 novamente.
Sem hesitar.
E isto quando ainda estamos apenas perto dos 60 dias...
Nem quero imaginar quando chegar à minha meta. 💪✨
Porque esta transformação não está apenas a mudar o meu corpo. Está a devolver-me, pouco a pouco, a mulher que eu tinha deixado para trás.
E talvez a maior vitória não seja chegar à meta, mas perceber, durante o caminho, que nunca deixámos de ser capazes de lá chegar. ❤️