05/06/2026
🚨 CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO RUSSA
Do Presidente da Ucrânia
Quando chegou ao poder, há mais de 26 anos, muita gente na Ucrânia via-o com bons olhos. Era assim. Mas isso ficou para trás.
Hoje, a esmagadora maioria dos ucranianos vê com satisfação os nossos drones de longo alcance a sobrevoar a abertura do seu fórum em São Petersburgo percorrendo mais de mil quilómetros. Como bem sabe, essa distância não é o limite das nossas capacidades.
Ao longo de 26 anos, o seu tempo no poder transformou por completo a relação entre a Ucrânia e a Rússia. Deixámos de falar de comércio e de assuntos civis para falar quase exclusivamente de ataques e de mortos. Passou quase metade do seu mandato a fazer guerra à Ucrânia.
Independentemente do que diga sobre a NATO, sobre geopolítica ou sobre a língua russa esta guerra foi uma escolha sua. Uma guerra sem causa real. É assim que a história a vai recordar.
Estes anos podiam ter sido muito diferentes.
Dizem-nos que está confortável com este conflito. Claro não quando se trata da segurança da sua residência em Valdai, nem do seu desfile em Moscovo. A sua própria vida é preciosa para si.
Mas agora todos vemos que os russos estão a f**ar cada vez menos confortáveis com esta realidade. Não gostam dos nossos drones e mísseis a cair no seu território. Não gostam da escassez de combustível nem dos preços a disparar. Não gostam das restrições constantes. Não gostam da sua intenção de lançar uma segunda vaga de mobilização. E não gostam de não ver qualquer fim à vista para a sua guerra.
Pode continuar a obrigá-los a viver assim. Mas os seus recursos estão a diminuir. Não terá dinheiro nem capital político suficientes para continuar a comprar a lealdade dos russos como fez nestas últimas décadas. E nós faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para aproximar esse momento.
Como o próprio gosta de dizer: "temos de fazer as contas."
Ontem recebi o relatório das baixas do seu exército durante o mês de Maio. Mais de 30 mil soldados russos mortos ou gravemente feridos uma vez mais. Mantemos este ritmo mês após mês, e temos confirmação em vídeo de cada perda. Não são afirmações no vazio. Sabemos que 63% das suas baixas são mortos apenas 37% são feridos. No século XXI, nenhum exército resiste a esta proporção. E a fatia dos mortos vai continuar a crescer.
Não é que a Ucrânia se preocupe com o destino dos soldados russos não depois de tudo o que a sua guerra nos fez. Mas preocupo-me com os ucranianos. Cada perda dói. Mesmo quando a proporção é de um para cinco ou um para seis em nosso favor, importa. Importa muito.
Também é signif**ativo que adie regularmente os seus próprios prazos para capturar as nossas regiões — sobretudo Donetsk. E não a vai capturar este ano tampouco.
Mas nós, na Ucrânia, não queremos uma guerra permanente. Sabemos, melhor do que ninguém, que a vida sem guerra é infinitamente melhor. E queremos alcançá-la.
Estou convicto de que a maioria dos russos responderia da mesma forma — e o senhor sabe disso.
Muitos não acreditavam que a Ucrânia resistiria tanto tempo. O senhor não acreditava. Os seus conselheiros não acreditavam. Foi um erro. E aqui estamos no quinto ano desta guerra.
Não tenha medo de encontrar o caminho para fora deste conflito. É isso que se exige de si agora, acima de tudo.
A Ucrânia preservou a sua independência. E continuará a preservá-la — apesar de todas as previsões em contrário. Unimos o mundo ao nosso lado. Conseguimos as armas e o financiamento de que precisávamos. Recebemos apoio. O senhor recebe sanções. E assim continuará até que haja justiça para a Ucrânia.
A Ucrânia resistiu a invernos duros enquanto tentava destruir o nosso sistema energético. Mantivemo-nos de pé — e mesmo no escuro, a resiliência ucraniana não cedeu.
Levámos a guerra ao seu território, e o senhor não teria conseguido aguentar sem a ajuda da Coreia do Norte. É o primeiro governante da Rússia a recorrer a Pyongyang. E hoje depende totalmente da China também pela primeira vez na história russa.
Esperava agitação interna na Ucrânia. Em vez disso, foram as suas próprias formações militares que se amotinaram contra si. O dia 23 de Junho marcará mais um aniversário desse episódio — e o silêncio não o apaga da história.
São agora os seus próprios oficiais, empresários e propagandistas que o olham com um cansaço evidente. O mundo vê isso.
O mundo não se cansou da Ucrânia, como esperava. Há, isso sim, um cansaço crescente em relação à Rússia mesmo entre aqueles que o ajudam a contornar sanções. Depois de 26 anos no poder, a idade começa a cobrar o seu preço. E esse cansaço em relação a si só vai aumentar.
Vimos relatórios de que está a planear continuar a guerra em 2027 e 2028. Sabemos que deposita esperanças nos mísseis balísticos. Que quer envolver ainda mais a Bielorrússia. Que os seus propagandistas ameaçam todos os países vizinhos. Quer mesmo passar por tudo isso?
A escolha é sua.
✅ Chega de guerra.
A Ucrânia propõe acabar com este conflito. De forma honesta, com dignidade, e com garantias de que a guerra não será reacendida.
Vemos que os Estados Unidos estão totalmente concentrados na questão do Irão. Seria errado f**armos simplesmente à espera que a atenção volte à Europa.
A Ucrânia propõe terminar esta guerra através de um contacto directo entre nós.
✅ Proponho um encontro.
Toda a gente ouviu os seus representantes a dizer, com um sorriso, que eu poderia ir a Moscovo. Mas depois destes 26 anos, não há nada que um líder ucraniano possa fazer na sua capital tal como não há nada que um líder russo possa fazer em Kiev.
Há países que recebem tradicionalmente líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia, países do mundo árabe muitos estão aptos e dispostos a acolher tal encontro. São os líderes que resolvem as questões essenciais. Sempre foi assim.
Proponho que se defina uma data concreta para esse encontro.
Outros participantes poderão juntar-se a este processo bilateral. Como a guerra acontece na Europa, e como a Ucrânia precisa de garantias de segurança — tal como o senhor também as procura , faz sentido envolver quem tem capacidade real de influenciar a situação. A Europa deve fazer parte deste processo. Os Estados Unidos também. É o que pode ajudar a construir uma nova arquitectura de segurança para a nossa região.
Já vivemos muitos acordos com a Rússia que falharam incluindo os Acordos de Minsk. Por isso, precisamos de respostas directas, entre nós, para as questões que permanecem em aberto. Sem fórmulas vagas, sem grupos técnicos de trabalho, sem diplomacia indirecta interminável.
A sua guerra separou a Ucrânia e a Rússia de forma permanente.
A linha da frente é hoje o ponto de partida para a diplomacia.
A Ucrânia está pronta para um cessar-fogo total durante o período de negociações. É prática corrente e os acontecimentos em torno do Irão apenas confirmam isso. Acreditamos que seria um cessar-fogo real, não apenas uma tentativa se for isso que o senhor deseja.
A Ucrânia está pronta para uma troca total de prisioneiros de guerra. E medidas sérias devem ser tomadas para devolver os civis e as crianças levados durante o conflito.
Temos de determinar que futuro aguarda as gerações de ucranianos e russos que virão depois de nós.
Se não chegar pessoalmente à conclusão de que chegou a hora de acabar com esta guerra, a Ucrânia continuará a lutar pela sua existência. Teremos quem nos apoie.
Mas o senhor também terá de lutar muito mais pela sua própria existência não pela da Rússia. Pela sua. E não é uma ameaça da Ucrânia. É um facto da história russa que o senhor conhece bem: quando a Rússia se cansa, as mudanças acontecem.
Podemos trabalhar para que esse cansaço chegue.
O senhor pode parar a sua guerra.
Memória eterna a todos aqueles cujas vidas foram ceifadas por este conflito.
Glória à Ucrânia!