26/07/2026
EU APONTEI PARA A FOTO DELE E DISSE QUE FICARIA BONITO EMOLDURADO… ELA ENFURECEU, SAIU BATENDO A PORTA, E EU PERCEBI QUE A GUERRA PELA MULHER ESCONDIDA NAQUELA CASA TINHA ACABADO DE COMEÇAR DE VERDADE
PARTE 1
Eu apontei pro retrato do Lucas na parede e falei pra Renata:
— F**aria bem melhor se você emoldurasse isso.
Ela ficou vermelha na hora. Jogou a bolsa no sofá e saiu sem falar nada. A porta bateu forte.
Eu fiquei olhando a porta fechada. Juliana tinha me contado tudo sobre aquela família. Nomes, rostos, fotos. Eu e ela nos olhamos e sorrimos. Pequeno, mas sorrimos.
Depois disso, Dona Helena me chamou na cozinha. As panelas estavam vazias. Ela ficou parada olhando as panelas.
— Cadê a comida? Eu tinha guardado um pouco pra Beatriz.
Eu não respondi. Renata apareceu com um prato na mão.
— Tá procurando isso? Pra alimentar a sua “mãe”?
Eu fiquei quieta. O cheiro do arroz e do feijão subia. Beatriz estava com fome há horas. Eu sabia. Eu escutava ela se mexer no quarto de cima.
Beatriz tava no quarto, doida de fome. A mão dela bateu num pote de vidro. O barulho chegou até a sala. Renata olhou pra mim e foi subindo a escada. Eu fiquei na sala com Dona Helena, fingindo que nada estava acontecendo.
Ela não achou ninguém. Sofia tava escondida atrás das caixas com Beatriz, comendo sorvete. Renata viu o sorvete derretido no chão. Seguiu o rastro. Levantou um vestido que tava jogado e achou a Sofia.
— Desculpa, tia. A Camila não deixava eu comer porque eu podia f**ar doente.
Renata saiu brava de novo. Eu e Sofia nos demos um high five rápido.
Mais tarde Sofia me perguntou:
— Até quando a gente vai esconder a mamãe?
Eu não tinha resposta. Ela me abraçou. Eu abracei de volta.
Dona Helena tava na cama rezando quando Renata chegou com um pedaço de doce.
— Desculpa por ter envolvido a Sofia nisso.
Dona Helena falou baixo:
— Se você reconheceu o erro, larga também a teimosia.
Renata não respondeu. Só pediu pra ela comer o doce. Dona Helena comeu. Logo depois começou a tossir, a respiração ficou pesada. Ela me chamou. Eu fiquei com medo na hora.
Tentei ligar pro médico. Renata segurou meu braço.
— Eu misturei alguma coisa que ela tem alergia. Eu não sei o que é. Agora me fala onde está a Beatriz.
Eu peguei o mesmo pedaço de doce e comi. Precisava descobrir o que era. Juliana apareceu com um chá. Dona Helena bebeu e melhorou.
Eu falei pra Renata:
— Assina os papéis e sai daqui.
Ela fingiu que tropeçou saindo. Depois apareceu com a perna enfaixada na cama.
— Para de fingir — eu disse.
Ela parou de atuar.
— Eu vou achar a Beatriz.
Rafael chegou com flores de jasmim na mão.
— Você esqueceu da festa de São João?
Eu mostrei o vestido que já tava separado.
— Eu nunca esqueço disso.
Ele me abraçou. Fiquei quieta um segundo a mais do que deveria.
Eu decidi que Beatriz ia participar da festa mesmo escondida. Fui lá e alimentei ela. Ela reclamou:
— Por que você demorou tanto? Eu tava com tanta fome.
Eu pedi desculpa. Ela pediu sorvete. Eu concordei. Depois mostrei o vestido.
— É pra você.
Ela ficou animada. A gente experimentou juntas. Ela me abraçou forte. Eu senti o peito apertar.
Enquanto isso, Lucas bebia sozinho. Renata chegou com os papéis da guarda da Sofia.
— Eu assino. A Sofia f**a sua.
Lucas perguntou o que ela queria em troca. Ela só sorriu.
Eu levei um vestido pra Juliana e pedi pra ela fazer a reza com a gente. Ela fez cara feia, depois riu e aceitou.
Na sala, Renata perguntou de novo pela Beatriz. Quando viu eu e Juliana prontas pra festa, ficou parada. A mulher do abrigo chegou. Renata falou:
— Você chegou na hora certa.
Ela deu um colar pra Lucas.
— Eu não estive no casamento de vocês. Esse é o presente.
Todo mundo ficou quieto. Sofia olhou pra mim. Renata se aproximou dela:
— Se o seu pai amarrar esse colar em outra pessoa, o que acontece com a sua mãe?
Sofia falou:
— Eu trago ela de volta.
Subiu as escadas. Renata foi atrás, sorrindo.
Dona Helena pediu pra alguém dar um suco pra mulher do abrigo. Eu finjo que escorrego e derrubo o suco nela. Dona Helena me xinga e leva a mulher pra trocar de roupa.
Eu faço sinal pra Rafael. Ele traz a Beatriz. A gente começa a reza juntas.
Em cima, Sofia e Renata abrem a porta. O quarto está vazio. Só um gravador ligado. Renata entende que foi enganada.
Sofia provoca:
— Agora a minha mãe já terminou a reza.
Renata desce correndo. Vê a mão do Lucas no ombro da Juliana. Lucas fala:
— Eu nunca tive medo das suas ameaças.
Eu ofereço o doce da festa pra ela, debochando. Renata sai brava.
Depois eu ando pelo quarto e falo pro Rafael:
— Propriedade não é o único motivo dela. Tem outra coisa.
Eu saio sem ouvir a resposta dele.
Juliana tava enchendo uma jarra de água quando Renata se aproximou por trás e falou baixo, bem perto do ouvido dela:
— Eu não vim pra fazer papel de boba. Eu vim te ajudar. Você é uma atriz falida. Você também tem motivo pra estar aqui.
Eu procurei o quarto da Renata. Não achei nada. Só a bolsa dela em cima da cama. Mexi nela. Nada. Sentei na cama cansada.
Juliana ainda tava com Renata. Eu ouvi a voz dela:
— Agora que me apresentaram como Beatriz, eu posso passar os bens pro meu nome se continuar o papel.
Renata respondeu seco:
— Você merece mesmo ser atriz fracassada. Se quiser continuar fingindo, a Beatriz de verdade tem que sumir de vez. Aí nem a Camila consegue negar.
Um copo quebrou. Renata xingou baixo. Eu entrei na hora.
— O que vocês estão conversando?
Juliana falou rápido:
— Ela tá tentando provar de novo que eu sou Juliana e não a Beatriz.
Eu puxei Juliana embora dali.
Mais tarde eu vi Renata puxando alguém pelo corredor. Ouvi a voz da Beatriz chamando meu nome. Eu corri atrás. Um pedaço do telhado caiu na minha perna. Eu gritei o nome dela.
A voz dela me respondeu. Ela saiu do quarto correndo. Juliana, vestida igual a ela, saiu pelo outro lado. Eu fiquei olhando as duas.
Rafael me ajudou a levantar. Lucas segurou Renata. Dona Helena, eu, Lucas e Rafael formamos um círculo em volta da Beatriz. Renata conseguiu passar. Quando olhou de novo, era a Juliana que estava ali.
Ela gritou:
— Agora eu sei que a Beatriz está na casa. Eu vou provar.
Eu juntei a bolsa dela e empurrei pra fora.
Lucas falou:
— Amanhã a gente apresenta a Juliana como Beatriz pros oficiais.
Eu neguei.
— Não. Eu vou contar a verdade sobre o acidente e sobre a situação dela.
Foi aí que a porta da frente bateu de novo.
E alguém que a gente não esperava estava do outro lado.
PARTE 2....