Autisticamentept

Autisticamentept Autisticamente | Guida, Martim & Autismo

Mãe do Martim 💜
Ajudo-te a entender e a fazer entender o teu filho
Apoio e informação para famílias, professores e educadores de crianças autistas e neurodivergentes em Portugal
+850 famílias com o guia de direitos gratuito

Uma amiga perguntou-me há dias se eu tinha noção do quão feliz o Martim é. Se percebia que ele é uma criança muito mais ...
04/07/2026

Uma amiga perguntou-me há dias se eu tinha noção do quão feliz o Martim é. Se percebia que ele é uma criança muito mais feliz que a maioria.

Cá dentro, eu sei. Essa felicidade é o meu fio condutor, o que me guia e me dá forças todos os dias. Mas ouvir isto de fora, sem filtros, sem que eu tenha de dizer uma única palavra, é diferente.

É a certeza de que o amor e o caminho que escolhemos transbordam para lá das paredes de casa. E isso enche-me o coração ❤️

11/06/2026

Há momentos que f**am gravados na pele. ❤️

​Ver o meu filho e os colegas dos Ecos do Guadiana (a turma do 2.º ano da Professora Linda Pepe) subir ao palco do Festival Ibérico de Serpa para cantar com o Buba Espinho... foi um daqueles momentos em que o coração quase não cabe no peito.

​Olhei para aquelas crianças e só consegui pensar na sorte que têm. Crescer rodeadas de música, de tradição e, acima de tudo, de professores que acreditam nelas.

​Que orgulho vê-los ali: felizes, entregues, cheios de vida. Levaram a maior salva de palmas da noite e foi totalmente merecido! 👏✨

​Um agradecimento gigante à Professora Linda Pepe, por tudo o que semeia nestas crianças, e ao , pela generosidade de lhes dar uma memória para a vida inteira.

​Há dias que passam. E há dias que se guardam para sempre. Este é daqueles para rever mais tarde e voltar a sorrir.

​.linda.pepe e
Memorias

29/05/2026

Hoje fui ver o Martim actuar.

Palco com luzes. Microfone. Plateia cheia. Barulho de evento. Tudo concentrado num sítio só.

Ele estava lá à frente, de lenço verde ao pescoço, a cantar a Serpa de Guadalupe com a turma toda. Eu cá em baixo, incapaz de parar de sorrir.
Há momentos que f**am guardados para sempre.

Crianças autistas têm muitas vezes uma relação difícil com ambientes assim. Ruído, imprevisibilidade, exposição. Não é igual para toda a gente, mas é uma realidade que muitas famílias aqui conhecem bem.

O Martim subiu a esse palco porque tem uma professora que não desiste de nenhum dos miúdos da turma. Que ensina com amor, que ama cada uma destas crianças com todas as suas características e que acredita nas suas capacidades.

O resultado é isto: miúdos felizes e orgulhosos do seu trabalho, e foi absolutamente incrível, e uma professora a roer as unhas de nervoso e a arrepiar-se de os ouvir cantar.

Obrigada .linda.pepe pelo trabalho incrível que faz com as crianças ❤️

28/05/2026

Quando o teu filho não olha para ti, pode estar a ouvir-te melhor.

Pode parecer estranho, mas para muitas crianças autistas é exactamente assim que conseguem ouvir melhor.

Estamos habituados a associar contacto visual a atenção. Mas para muitas crianças autistas, olhar para alguém enquanto processam linguagem exige demasiado esforço ao mesmo tempo.

Olhar.
Ouvir.
Interpretar expressões faciais.
Processar palavras.
Responder.

Tudo isto acontece em simultâneo.

Por isso, às vezes, quando desviam o olhar, não signif**a desinteresse. Signif**a precisamente o contrário. O cérebro está a tentar libertar recursos para conseguir ouvir melhor.

Nem toda a atenção parece atenção aos olhos dos outros.

Já tinhas reparado nisto?

Este foi, aliás, um dos temas que explorei no guia “Se pudesses ver o mundo pelos meus olhos”.

Porque muitas vezes interpretamos ausência de olhar como ausência de ligação. E nem sempre é isso que está realmente a acontecer.

O guia está disponível no link da bio

Hoje na terapia ocupacional, o Martim aprendeu a assoar o nariz.Tem 8 anos. Na ordem natural das coisas, isto não seria ...
20/05/2026

Hoje na terapia ocupacional, o Martim aprendeu a assoar o nariz.

Tem 8 anos. Na ordem natural das coisas, isto não seria nada de especial.

Mas é, e talvez ele nem tenha a verdadeira noção de quanto.

Vim a rebentar de orgulho. E ele, quando lhe disse, respondeu com aquele ar de desdém e diz-me: "eu já sabia."

Já sabia. Claro.

É muito exigente com ele próprio. Reconhecer que aprendeu qualquer coisa implica admitir que não sabia antes. E isso, para ele, é difícil de engolir.

Às vezes fico a pensar se estou a fazer bem. Digo-lhe sempre que ele consegue fazer tudo o que quiser. Não falo do autismo como uma limitação, porque não tem que ser. Digo que é desafiante, que o mundo ainda não está preparado para ele, mas que ele chega lá.

E pergunto-me se essa mensagem tem um peso que ele ainda não sabe carregar.

Não sei se estou certa. O que sei é que o "já sabia" dele diz mais sobre quem ele é do que qualquer diagnóstico. Tem um orgulho que não cede. Uma exigência que o vai levar longe e que hoje o fez fingir que não tinha acabado de aprender uma coisa.

18/05/2026

Tem um sofá ao lado do meu, mas senta-se sempre no braço do sofá onde estou sentada, encostado ao meu braço, enquanto eu trabalho. Muitas vezes dou por mim de lado, a tentar ver o ecrã por cima do ombro dele.

Há uma explicação sensorial para isto. O sistema proprioceptivo é o que diz ao cérebro onde o corpo está no espaço e como está a interagir com o que está à volta. Para muitas crianças autistas, esse sistema precisa de mais informação para funcionar de forma equilibrada. O contacto físico firme, o peso do corpo de alguém, a pressão constante: são formas concretas de o cérebro receber essa informação e estabilizar.

Quando o Martim se enfia debaixo do meu braço, ou insiste em estar colado mesmo quando há espaço de sobra, o corpo dele está a pedir o que precisa para se manter regulado. O corpo dele sabe o que precisa.

Nos próximos dias vou explicar outras formas de como o corpo procura esta regulação, e que muitas vezes confundimos com comportamentos difíceis.

Ter uma irmã com um espaço cheio de amor, colinhos e bochechas fofinhas como a minha irmã com o  é um verdadeiro privilé...
15/05/2026

Ter uma irmã com um espaço cheio de amor, colinhos e bochechas fofinhas como a minha irmã com o é um verdadeiro privilégio.

Porque estas crianças também são um bocadinho meus, e eu deles. Recebo-os no meu colo com aquela mistura de amor instantâneo que as mães conhecem bem.

Tinha nos meus planos ter mais do que um filho. Ser mãe é genuinamente a coisa que mais me preenche na vida, não por obrigação nem por falta de mais, mas porque é aí que me sinto mais realizada.

Quis o destino que o Martim fosse filho único. E dificilmente será diferente: a idade já não ajuda, e a reprodução medicamente assistida não é uma opção financeiramente acessível para mim, infelizmente.

Há uma tristeza pequena que f**a. Não tenho vergonha de a nomear.

Mas há também isto: uma irmã com bebés que precisam de colo, um filho que me ensina mais do que alguma vez imaginei, e uma vida que continua inteira, mesmo que diferente do que planeei.

Endereço

Serpa

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Autisticamentept publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Autisticamentept:

Atalhos

Compartilhar