No rescaldo da dissolução do projecto "Fãs Danados", a necessidade de continuar a conversa e partilha sobre cinema falou mais alto e logo surgiu a ideia de um novo podcast. Claro que o formato seria obrigatoriamente diferente. Em vez de duas pessoas à conversa, seria apenas uma voz a comunicar uma paixão antiga pelas imagens em movimento projectadas na tela de uma sala escura. O ímpeto inicial bas
eava-se num conceito que vinha desenvolvendo — apelidado na altura de "VHS", pois pretendia focar-se maioritariamente em títulos de série B que me tinham suscitado particular fascínio na ida década de oitenta. Com um episódio piloto focado em "As Forças do Universo", o descabelado projecto de Tobe Hooper produzido em 1985 para a Cannon Films. Com o passar do tempo, no entanto, fui expandindo o âmbito do programa ao cinema em geral. Sem restrições nem amarras. Claro que a programação que vou desenhando reflecte os meus gostos pessoais, ou a minha vontade de conhecer filmes e autores que fui negligenciando. É fácil perceber que inclino mais para os filmes de género e de produção norte-americana, pois essa é a natureza da minha dieta cinéfila, mas nunca fecho as portas à experimentação e à diferença. Entretanto, pouco mais de dois anos após a sua estreia, a família "Segundo Take" cresceu. Primeiro com a colaboração de José Carlos Maltez e Tomás Agostinho no "Universos Paralelos", o programa mensal em que exploramos imaginativos universos ficcionais, desde mundos distantes em planetas desconhecidos a terras de fantasia, desde as áridas planícies do faroeste a paisagens surreais, com o cinema, a literatura e outros meios como transporte onde autores visionários nos fazem viajar para os mundos da sua imaginação. Depois com a colaboração de Tiago Laranjo no "Betamax", o podcast quinzenal, entretanto terminado, em que íamos ao baú poeirento recuperar filmes abandonados à nascença e esquecidos pelo tempo.