fsbarrosebarros

fsbarrosebarros Licenciado em Filosofia com especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea e pós-graduado em Escrita de Ficção.

Diretor-adjunto de jornal de cariz regionalista e cultural.

Debaixo de um sol intenso Em pleno mês de agosto À PROCURA DO SENHOR DA PEDRAHoje vim conhecer o Senhor da Pedra. Simpát...
16/08/2026

Debaixo de um sol intenso
Em pleno mês de agosto

À PROCURA DO SENHOR DA PEDRA

Hoje vim conhecer o Senhor da Pedra. Simpático como todos os senhores do firmamento, distingue-se deles em algo que ultrapassa a mera configuração ética. Mais do que construtor de realidades ele é um desbravador de caminhos que nos aproximam do transcendente, tanto a cada um de nós como à natureza que nos envolve. É um verdadeiro mestre. Aponta-nos a direção, mas sem qualquer veleidade de constrangimento. Somos nós a decidir por fim.
A esta conceção do envolvimento do ser humano e da natureza em geral chama-se sincretismo. Tão antiga quanto os tempos, esta visão una do que nasce por via da criação é um dos alicerces da religião e, para espanto de muitos, da moderna (e verdadeira) ecologia.
Compreende-se, assim, a escolha do lugar santo onde haveria de ser erguido a capela do Senhor da Pedra. A comunhão do homem e da natureza está ali expressa de forma clara. O edifício foi erguido em cima de uma rocha – uma base quase plana transformada em altar. A rodear este local de culto, está o mar (na maior parte do ano), a areia da praia pouco depois, e por fim os homens extasiados pela beleza de tudo aquilo.
As populações do século XVIII (a capela foi construída em 1763), não precisaram das agências imobiliárias nem de anúncios nos jornais para escolher o sítio onde haveria de celebrar-se a convivência sã do que é terreno com o sagrado. Não é por acaso que as civilizações antigas se serviram daquele altar erigido na rocha, para ali dialogarem de modo privilegiado com o transcendente, orando, rezando e sacrificando diversas espécies animais por forma a solicitarem a concretização de desejos há muito sonhados ou então pedido clemência para os erros cometidos.
Foi só depois de refletir sobre isto tudo, que recuperei a consciência de que trazia na mão um s**o plástico com uma galinha preta a estrebuchar contra o pouco religioso invólucro.
Francisco S. Barros

12/08/2026

Veja a imagem completa no ChatGPT.

09/08/2026
Ontem o senhor desta página comportou-se mal. Fui ao date na Pastelaria Caravela com o açougueiro de Mazarefes e, pasme-...
08/08/2026

Ontem o senhor desta página comportou-se mal. Fui ao date na Pastelaria Caravela com o açougueiro de Mazarefes e, pasme-se, nem o homem do bife nem — preparem-se! —a Pastelaria Caravela, fechada há um ano.
Ganda barrete que me enfiaram. E perguntarão algumas de vocês. “Mas que ias lá fazer?”
É fácil: uma mulher com este meu corpinho precisa de se alimentar, por exemplo com bifes à Portugália.

FSBB

Só mesmo o Francisco conseguiria que saísse da minha casa de Mazarefes para estar com as facebookianas dele. Confesso qu...
07/08/2026

Só mesmo o Francisco conseguiria que saísse da minha casa de Mazarefes para estar com as facebookianas dele. Confesso que me é um pouco penoso porque, entre outras razões, esta é a hora daquele programa de televisão de que gosto muito: o concurso do Gordo. Não há dúvida que o Francisco tem lábia – “as minhas amigas não me suportam mais, acusam-me de só publicar fotografias de mulheres (mesmo que na maioria se trate de amigas na vida real)”. E foi então que se lembrou de mim.
Não seria capaz de lhe negar o pedido, até porque a casa dele é cliente do meu talho.
Estou na Pastelaria Caravela, na Praça da República, em Viana.
Um beijo antecipado para todas.

FSBB

06/08/2026

TANTOS ANOS DEPOIS

Se o leitor traçar uma linha reta, com alcance desconhecido, não vai conseguir traduzir em esboço o percurso de uma vida. A vida não é reta, tem encruzilhadas dramáticas (porque exige escolhas), nem sempre depende de nós, é bonita e é feia. Vale a pena vivê-la mesmo não sempre sendo fácil – se calhar por causa disso mesmo. É como se fosse um eterno mistério, tal como nós somos.
Vem este arrazoado de palavras, aparentemente sem sentido, a propósito dos incontáveis momentos de confraternização que os antigos alunos dos liceus e das faculdades têm organizado ultimamente. De repente, surgiu a vontade em rever as escolas e, principalmente, os colegas de uma época marcante da vida de cada um.
Razões para este fenómeno? São muitas e diferentes entre si. Vejamos algumas recorrendo, por exemplo, à contabilização do que já foi percorrido, e daquilo que falta cumprir. A resposta está diante dos olhos: cada vez é menor em termos de distância o futuro em relação ao passado. Se compararmos com uma viagem de comboio entre Porto e Lisboa, estamos nesta altura a deixar para trás a cidade de Leiria.
Por outro lado, os estudantes de há trinta, quarenta anos seguiram caminhos diferentes. Um número considerável deles não se vê há muito, alguns desde que as aulas do ensino secundário terminaram. Por isso é grande a curiosidade em rever as caras que já fizeram parte do quotidiano de quase todos. E com razão de ser. Quando olham uns para os outros reconhecem-se com dificuldade: quase todos engordaram, ganharam barriga, perderam cabelo, alguns dentes não são os originais, as rugas cavaram sulcos no rosto, o andar começa a ser mais lento, os malditos óculos de massa assentam o peso no nariz e, principalmente, o brilho no olhar empalideceu.
Claro que há exceções entre os presentes. Por via disto eles tornam-se os heróis do dia – e assim sendo, não faltam nunca a convívios deste tipo. Mas não se pense que estes espaços de convívio se esgotam neste tipo de apreciações de natureza estética. Se estão quase todos no mesmo barco, as marcas da passagem do tempo passam a ser secundárias: o mar está revolto, ninguém conduz a embarcação –- para quê? –- os passageiros já passaram por muitos momentos de grande perigosidade, estão habituados –- e por esse motivo, que importância haviam de ter esses insignificantes sulcos nas faces de quem um dia amamos?, ou detestamos (nestes ainda menos). Ou com quem estudamos a geometria descritiva na casa disponibilizada por um colega de turma? E que dizer daquele ou daquela que nos ensinou a amar?
O resto não interessa nada. Que se dane o mar alteroso provocado pela mistura do wh**ky e da vodka. Estamos vivos, aburguesados, os netos começam a surgir, a escola sofreu grandes obras de remodelação, o futuro está assegurado.
O mais fantástico de tudo isto é um dia termos ingressado na mesma carruagem, no mesmo comboio, a caminho das subidas íngremes, todas elas sinalizadas em latim, construídas a partir dos conhecimentos da matemática e da física, descritas tal como aprendemos nas Viagens na Minha Terra, com a alma enxuta a partir dos ensinamentos do Padre Constantino e os ouvidos ainda a escutarem o Professor Semifusa e as suas palavras inesquecíveis: “a música é uma belexa”.
E depois do toque do sino do Clodomiro, as moças mais bonitas do país à espera nem elas sabiam bem de quê. Só passados estes anos, os rapazes e as raparigas começam a suspeitar da razão de tudo isto. O estudo da filosofia ministrada pelo Professor Ferreira nunca foi útil para nada, conforme suspeitávamos.

Francisco Sérgio de Barros e Barros

06/08/2026

TANTOS ANOS DEPOIS


Se o leitor traçar uma linha reta, com alcance desconhecido, não vai conseguir traduzir em esboço o percurso de uma vida. A vida não é reta, tem encruzilhadas dramáticas (porque exige escolhas), nem sempre depende de nós, é bonita e é feia. Vale a pena vivê-la mesmo não sempre sendo fácil – se calhar por causa disso mesmo. É como se fosse um eterno mistério, tal como nós somos.
Vem este arrazoado de palavras, aparentemente sem sentido, a propósito dos incontáveis momentos de confraternização que os antigos alunos dos liceus e das faculdades têm organizado ultimamente. De repente, surgiu a vontade em rever as escolas e, principalmente, os colegas de uma época marcante da vida de cada um.
Razões para este fenómeno? São muitas e diferentes entre si. Vejamos algumas recorrendo, por exemplo, à contabilização do que já foi percorrido, e daquilo que falta cumprir. A resposta está diante dos olhos: cada vez é menor em termos de distância o futuro em relação ao passado. Se compararmos com uma viagem de comboio entre Porto e Lisboa, estamos nesta altura a deixar para trás a cidade de Leiria.
Por outro lado, os estudantes de há trinta, quarenta anos seguiram caminhos diferentes. Um número considerável deles não se vê há muito, alguns desde que as aulas do ensino secundário terminaram. Por isso é grande a curiosidade em rever as caras que já fizeram parte do quotidiano de quase todos. E com razão de ser. Quando olham uns para os outros reconhecem-se com dificuldade: quase todos engordaram, ganharam barriga, perderam cabelo, alguns dentes não são os originais, as rugas cavaram sulcos no rosto, o andar começa a ser mais lento, os malditos óculos de massa assentam o peso no nariz e, principalmente, o brilho no olhar empalideceu.
Claro que há exceções entre os presentes. Por via disto eles tornam-se os heróis do dia – e assim sendo, não faltam nunca a convívios deste tipo. Mas não se pense que estes espaços de convívio se esgotam neste tipo de apreciações de natureza estética. Se estão quase todos no mesmo barco, as marcas da passagem do tempo passam a ser secundárias: o mar está revolto, ninguém conduz a embarcação –- para quê? –- os passageiros já passaram por muitos momentos de grande perigosidade, estão habituados –- e por esse motivo, que importância haviam de ter esses insignificantes sulcos nas faces de quem um dia amamos?, ou detestamos (nestes ainda menos). Ou com quem estudamos a geometria descritiva na casa disponibilizada por um colega de turma? E que dizer daquele ou daquela que nos ensinou a amar?
O resto não interessa nada. Que se dane o mar alteroso provocado pela mistura do wh**ky e da vodka. Estamos vivos, aburguesados, os netos começam a surgir, a escola sofreu grandes obras de remodelação, o futuro está assegurado.
O mais fantástico de tudo isto é um dia termos ingressado na mesma carruagem, no mesmo comboio, a caminho das subidas íngremes, todas elas sinalizadas em latim, construídas a partir dos conhecimentos da matemática e da física, descritas tal como aprendemos nas Viagens na Minha Terra, com a alma enxuta a partir dos ensinamentos do Padre Constantino e os ouvidos ainda a escutarem o Professor Semifusa e as suas palavras inesquecíveis: “a música é uma belexa”.
E depois do toque do sino do Clodomiro, as moças mais bonitas do país à espera nem elas sabiam bem de quê. Só passados estes anos, os rapazes e as raparigas começam a suspeitar da razão de tudo isto. O estudo da filosofia ministrada pelo Professor Ferreira nunca foi útil para nada, conforme suspeitávamos.

Francisco Sérgio de Barros e Barros

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Viana Do Castelo

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