10/07/2026
"Ela foi o meu primeiro amor. Daqueles que chegam quando ainda nem sabemos o que significa amar. Crescemos na mesma rua, dividimos as mesmas tardes, as mesmas brincadeiras e os mesmos sonhos inocentes. Enquanto o mundo nos chamava de crianças, o meu coração já a escolhia para a vida inteira.
Eu esperava por ela todos os dias. Bastava vê-la sorrir para acreditar que a vida era boa. Sentávamo-nos no mesmo muro, corríamos pela mesma terra e prometíamos, entre risos, que nunca nos iríamos separar. Naquela idade, acreditávamos que as promessas eram mais fortes do que o tempo.
Mas a vida nunca perguntou se estávamos preparados. Um dia disseram-me que ela ia embora. Não houve despedida bonita, nem um último abraço demorado. Apenas vi o carro afastar-se lentamente, enquanto eu ficava parado, pequeno demais para impedir que a pessoa que eu mais amava desaparecesse da minha vida. Foi nesse dia que descobri que o silêncio também sabe gritar.
Os anos passaram. Conheci outras pessoas, vivi outras histórias, mas nunca encontrei alguém que me fizesse sentir o que aquela menina fazia apenas ao pronunciar o meu nome. Talvez porque alguns amores não acabam... apenas aprendem a viver dentro da saudade.
Até hoje, quando a infância bate à porta da minha memória, ela vem de mãos dadas com aquela miúda. O meu primeiro amor nunca se tornou o amor da minha vida... mas tornou-se a ausência mais bonita que o meu coração nunca conseguiu esquecer. 💔