27/07/2026
Poema : A Herança do Silêncio
A cadeira dela ainda está lá,
Um abraço vazio de tecido floral,
E a poeira dança na luz que o sol traz,
Uma lembrança constante do tempo final.
Meus olhos evitam a foto na estante,
Nós três sorrindo, sem saber a dor,
Que o tempo traria, distante, distante,
Transformando o afeto em cinzas de amor.
O relógio marca as horas, uma a uma,
O barulho é o único som que restou,
Uma sinfonia de solidão que me resume,
Um eco das palavras que eu nunca te dou.
Tentei ligar, juro que tentei,
Mas a vergonha e a culpa falaram mais alto,
Eu sei, eu sei, eu falhei,
E agora, o remorso me toma de assalto.
A herança que ela me deixa é o silêncio,
E o peso de tudo que eu nunca lhe disse,
Eu sei que meu erro não tem mais remédio,
E o vazio que ela deixou, ninguém preenche.
Autoria: Yunus Ayşhe
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