08/10/2025
Quando a hora escurece e o chão parece virar areia movediça, lembra-te com calma: o deserto não é morada, é travessia. Ninguém permanece no trecho árido para sempre. Deus permite a pausa no silêncio das dunas para que a alma encontre a própria voz, reorganize pensamentos, cure antigas feridas e aprenda a andar com passos mais firmes.
No deserto, a oração é água que não falta. O Evangelho é bússola discreta apontando o rumo. A caridade é sombra que refresca a marcha. O trabalho do bem, mesmo pequeno, é a pegada que impede o retorno. Às vezes a ventania vem, levanta pó e nos confunde os olhos; não te assustes. Fecha um pouco as pálpebras do coração, confia e segue. Toda tempestade conhece a hora de se recolher.
Se a saudade do que ficou para trás insistir em chamar, recorda que a vida não retrocede. Segue adiante, em passo simples, um dia de cada vez. A esperança é estrela sobre o céu da noite. Com ela, o viajante atravessa vales e encontra oásis. Não reclames da prova que te visita. Agradece a oportunidade de crescer com ela. O Pai não nos desampara. Ampara-nos sem alarde, através de mãos amigas, de ideias serenas, de circunstâncias que abrem caminhos.
Tudo passa. A dor também. Quando o sol tornar a nascer dentro de ti, perceberás que a travessia te fez mais humilde, mais fraterno e mais livre. Então compreenderás: cada deserto é escola, cada passo é prece, cada lágrima é semente. Confia. Caminha. A recompensa está logo adiante.