27/08/2026
Ontem falei sobre sucessão. Mas, principalmente, falei sobre continuidade.
No VIII Congresso Nacional de Direito Agrário, trouxe para o palco uma imagem que traduz muito do que acredito quando penso nas famílias empresárias rurais: Pando.
Uma imensa floresta que, embora pareça formada por milhares de árvores, é um único organismo, conectado por um mesmo sistema de raízes. Algumas partes envelhecem, outras surgem, e o organismo continua.
É assim que enxergo a sucessão no agro.
A crise que o setor atravessa tem deixado isso ainda mais evidente: muitas vezes, a crise financeira revela uma crise de sucessão que já existia. Expõe decisões concentradas, ausência de preparação da próxima geração, indefinição de papéis e patrimônio, família e empresa tratados como se fossem uma coisa só.
Por isso, falar de sucessão não pode começar pela holding, pela doação ou pelo testamento.
No meu trabalho, parto de três dimensões que precisam ser organizadas e conectadas: família e pessoas, empresa e patrimônio.
É nesse encontro que entra a governança. Antes de escolher instrumentos jurídicos, precisamos compreender quem são as pessoas, como aquele negócio funciona, quem decide, quem continuará e qual legado aquela família pretende preservar.
Foi uma alegria poder levar esse olhar, construído entre a prática, a pesquisa e a vivência do agro, para um dos principais espaços de discussão do Direito Agrário no país.
Meu agradecimento à organização do VIII Congresso Nacional de Direito Agrário pelo convite e aos colegas com quem tive a honra de dividir o painel. Líbera Copetti Truzzi Mariana Arteiro | Advogada e Mentora | Holdings Lorena Sarti | Advogada Rodolfo Ciciliato | Advogado Marcos Reis União Brasileira dos Agraristas - UBAU Harven Agribusiness School
Porque legado não é apenas aquilo que uma geração deixa.
É aquilo que consegue continuar.