03/10/2026
Salário mínimo de 100 mil Kz não chega para as despesas básicas, diz Adalberto Costa Júnior
Presidente da UNITA recorre a um orçamento familiar na periferia de Luanda para criticar a política económica do Governo e defende uma governação que "ponha o povo dentro da calculadora"
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, divulgou na sua página uma simulação do orçamento mensal de um trabalhador angolano que recebe o salário mínimo de 100.000 kwanzas. A conclusão, segundo o líder do maior partido da oposição, é que o rendimento nominal f**a muito aquém do necessário para viver com dignidade.
Intitulado "A matemática que deveria ser feita por quem governa", o texto parte de um princípio: governar começa por conhecer a vida concreta das pessoas.
Da renda ao transporte, o salário esgota-se
Costa Júnior toma como exemplo um trabalhador que vive na periferia de Luanda, onde reside a maioria da população da capital. Só a renda da casa consome 55.000 kwanzas, f**ando 45.000 para todas as outras despesas.
A lista de gastos essenciais apresentada pelo líder da UNITA inclui:
― Um s**o de arroz de 25 quilos, a 20.000 kwanzas;
― Uma caixa de óleo de 12 litros, a 27.000 kwanzas;
― Uma caixa de frango, a 20.000 kwanzas;
― Meia caixa de peixe, a 20.000 kwanzas;
― Verduras, a 15.000 kwanzas;
― Pão diário, a 500 kwanzas por dia, ou seja, 15.000 por mês;
― Uma caixa de massa, a 5.500 kwanzas;
― Uma cartela de 30 ovos, a 5.500 kwanzas;
― Feijão (1.200 kwanzas por quilo), açúcar (1.200) e fubá (500).
A água é outro encargo relevante. Para quem não tem acesso à rede pública, uma cisterna de 10.000 litros custa 25.000 kwanzas. A eletricidade pesa entre 5.000 e 6.000 kwanzas mensais.
O transporte é descrito por Costa Júnior como "um pesadelo matemático". São necessários três táxis na ida e três no regresso, a 300 kwanzas cada, o que perfaz 1.800 kwanzas por dia. Em 22 dias de trabalho, o custo sobe a 39.600 kwanzas, apenas para ir e voltar do emprego.
"Antes de roupas, higiene, medicamentos e material escolar"
Segundo as contas do dirigente da oposição, o total chega a 333.600 kwanzas, valor que não inclui vestuário, higiene, medicamentos nem material escolar. Se a família tiver de pagar três taxas de 20.000 kwanzas cada, a despesa sobe para 393.600 kwanzas. Mesmo com um rendimento de 500.000 kwanzas, sobrariam apenas 106.400 para tudo o que ficou de fora.