16/11/2025
O líder do partido Chega, André Ventura, voltou a gerar polémica ao declarar que, caso vença as próximas eleições presidenciais em Portugal, pretende solicitar apoio da NATO para uma eventual intervenção militar contra Angola. A afirmação, feita num contexto de críticas severas ao governo angolano, acrescenta tensão às já delicadas relações diplomáticas entre os dois países.
Por: Redação - TV BRAVO Informar Angola
Ventura, que nos últimos anos tem endurecido o discurso sobre política externa, classificou novamente o presidente angolano, João Lourenço, como “tirano”, “ditador” e responsável por “um regime que oprime o seu povo e destrói liberdades fundamentais”. O líder do Chega tem ainda acusado Angola de violar direitos humanos, manter perseguições políticas e restringir o pluralismo democrático.
Segundo Ventura, uma eventual intervenção militar internacional serviria para “restaurar a liberdade e proteger os cidadãos angolanos de um governo autoritário”, defendendo que “a comunidade internacional não pode continuar a fechar os olhos ao que acontece em Angola”.
As declarações provocaram imediata reação de analistas e dirigentes angolanos, que consideraram o discurso “irresponsável”, “belicista” e “uma afronta ao princípio da soberania nacional”. Especialistas lembram que a NATO não actua para atacar países soberanos sem mandato internacional e que a proposta de Ventura carece de qualquer fundamento jurídico ou político.
A retórica agressiva do líder do Chega tem sido criticada também por juristas e diplomatas, que alertam para o risco de deterioração das relações históricas entre Angola e Portugal. Nos últimos meses, Ventura intensificou ataques verbais ao governo angolano, acusando-o de corrupção, má gestão e de perseguir opositores.
Apesar das polémicas, não houve confirmação oficial de qualquer intenção real por parte de organismos internacionais de considerar o cenário apresentado por Ventura.
Com estas declarações, o candidato português volta a colocar Angola no centro do debate político em Lisboa, acentuando preocupações quanto ao impacto que um eventual mandato presidencial seu poderia ter na política externa portuguesa e na estabilidade das relações com países africanos de língua portuguesa.