27/04/2026
A derrota anunciada de Higino Carneiro: quando desafiar o sistema tem preço
A candidatura de Higino Carneiro ao MPLA nasce marcada por um destino difícil: enfrentar uma estrutura onde a lealdade ao líder não é opcional, mas sim a base de tudo.
No seio do partido, mais do que estatutos, prevalece uma cultura profundamente enraizada. Higino conhece bem esse sistema — ajudou a construí-lo. No entanto, ao tentar desafiar essa lógica, acabou por se isolar. A ausência de figuras influentes ao seu lado e o silêncio dos seus supostos apoiantes revelam uma candidatura sem força real. No MPLA, o silêncio não é neutralidade — é sinal claro de rejeição.
Além disso, a forma como a sua candidatura é vista fora do partido levanta ainda mais dúvidas. O entusiasmo vindo de sectores ligados à oposição, como a UNITA, gera desconfiança dentro do MPLA, reforçando a percepção de que esta não é uma candidatura alinhada com o espírito interno dos “camaradas”. Historicamente, a transição de poder no partido nunca foi espontânea, mas sim cuidadosamente orientada pelo líder em funções. Tentar romper com esse padrão é, muitas vezes, um erro estratégico.
Os sinais tornaram-se ainda mais evidentes após o congresso extraordinário, onde os militantes demonstraram apoio claro à liderança de João Lourenço. O caminho já está traçado e dificilmente será alterado.
No fim, tudo aponta para o mesmo desfecho: o próximo congresso do MPLA não será um campo de batalha, mas apenas a confirmação de uma vitória já decidida nos bastidores. Num sistema onde a estrutura pesa mais que a vontade individual, desafiar a ordem estabelecida pode ser o primeiro passo para a derrota.
Por: Zala Kididi - Fonte: Correio da Kianda