09/01/2026
LEITURA, CONHECIMENTO, QUESTIONAMENTO E DISTRAÇÃO: O DRAMA DA SOCIEDADE MODERNA ANGOLANA
A humanidade nem sempre leu como hoje. Houve tempo em que ler e estudar era privilégio de poucos. Durante muito tempo, os mais privilegiados eram monges, padres e e a nobreza. Na Idade Média por exemplo, a maioria das pessoas não sabia ler. Não por falta de cérebro, mas por falta de permissão. Nesta altura procurava se manter as pessoas no obscurantismo, para que facilmente fossem controladas, dominadas e manipuladas.
Livros (pergaminhos) eram raros, caros e alguns considerados perigosos.
Quem lê, é inquieto, faz perguntas, questiona privilégios e desigualdades. Antigamente, ler fora do que era autorizado podia custar o emprego ou a liberdade. Em alguns lugares, até a vida, caso fosse descoberto.
Gutenberg quando inventou a imprensa, no século XV, não foi visto como herói por todos. Para muitos, ele estava a espalhar ideias demais.
Livros começaram a circular.
Ideias e conhecimentos também. Autoridades entraram em pânico: Como controlar um povo que lê sozinho?
Foi assim que surgiram listas de livros pr0ibidos. Não porque eram mal escritos, mas porque faziam pensar e desenvolver o pensamento crítico.
O engraçado é que, séculos depois, em Angola e algumas partes do mundo, ainda temos medo de quem lê. Hoje, ninguém proíbe oficialmente a leitura, mas maximizou-se a distração e ela faz o mesmo trabalho que a censura nos tempos idos.
Notificações, filmes, novelas, séries, vídeos curtos, ruído constante, etc, não que¡mam livros; que¡mam a atenção.
E talvez seja a mais moderna forma de censura:
não impedir o acesso ao conhecimento, mas sim não promovê-lo e tornar impossível a concentração.
Ler já foi rebeIdia.
Hoje, ler até ao fim, é um acto de paciência e resistência.
As plataformas digitais, a par da sua capacidade de difundir informações, reduziram a capacidade de ler e questionar, através de vídeos curtos contendo memes, motivacionais e toda a onde de conteúdos fúteis que ocupam horas e horas do tempo das pessoas.
Não é fácil perceber que nas redes sociais, têm mais seguidores os que espalham distração, vulgarmente conhecidos como influenciadores digitais, do que aqueles que escrevem textos elucidativos, educativos e que alimentam o pensamento crítico.
Descuramos de ser leitores, para nos tornarmos expectadores de conteúdos que carregam muita p0rn0grafia intelectual.
Se promovêssemos a leitura tal como se fazem com as redes sociais, teríamos uma sociedade mais lúcida e menos embrutecida.
In. Leio & Aprendo.
Com roupagem de:
Geraldo Ndala|| 09.01.2026.