14/03/2022
ANGOLANOS REJEITAM EMBARCAR PARA ANGOLA COM OBJETIVO DE TERMINAR A FORMAÇÃO.
Os três bolseiros que decidiram ficar na Polónia fazem parte da 4.ª edição do programa de envio anual de 300 licenciados e vão ficar sem os subsídios por imperativo do regulamento. Em situações em que não há aulas, como acontece na Ucrânia, o INAGBE não sabe o que fazer.
De acordo com o site angolano de noticias Expansão Dos 277 angolanos que decidiram ficar na Ucrânia, apenas três são bolseiros da 4.ª edição do programa de envio anual de 300 licenciados com "elevado desempenho e mérito académico" para "as melhores universidades do mundo". Os estudantes, que neste momento se encontram sob custódia da Embaixada de Angola na Polónia, estavam a frequentar o curso de mestrado e doutoramento.
Entretanto, correm o risco de ver os seus subsídios cortados por não terem aulas por causa da guerra entre a Ucrânia e Rússia e por imperativo do regulamento do programa, bem como pela paragem dos sistemas bancários. "Na Ucrânia, só há três bolseiros pertencentes ao programa do Governo de envio anual de 300 licenciados e estes não fazem parte da lista de angolanos que regressaram. Esta situação deixa-nos preocupados, porque estes vão deixar de receber os seus subsídios pela imposição do regulamento e porque também os bancos daquele país não estão a funcionar", justifica Milton Chivela, director-geral do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudos (INAGBE), que sublinha que não se sabe ainda o que se vai fazer.
Mas, provavelmente, vão entrar em contacto com os familiares dos bolseiros, para os convencerem a regressar ao País. "Não conseguimos perceber quais as motivações que os fizeram ficar numa zona de conflito, correndo o risco de não receber os habituais subsídios para custear a formação e a sua sobrevivência. Voltando ao País, podemos encontrar outras soluções para a continuidade da formação noutros países europeus, mas antes têm de regressar", esclareceu. Quanto aos que regressaram, o director explicou que são os que estavam na Ucrânia a estudar, pelos seus próprios meios.
Estudantes decidem ficar na Ucrânia para terminar a formação.
Os restantes angolanos que decidiram ficar na Ucrânia alegam que querem terminar a formação e só depois pensam em regressar ao País, já formados. Caso o conflito se agrave pensam em refugiar-se noutros países europeus. Adrien Luís, estudante de doutoramento do 2º ano do curso de Engenharia Rodoviária e Aeródromos da Universidade Nacional de Automóveis e Rodovias de Kharkiv, contou ao Expansão que decidiu ficar porque quer continuar a estudar e trabalhar. "Não cheguei a embarcar porque ainda tenho a minha esposa ucraniana dentro da Ucrânia, mas a verdade que estou aqui por conta própria e quero terminar o meu curso e continuar a trabalhar, porque se regressar a Angola será difícil retomar a vida que já temos neste país", explica o angolano. Adrien acrescenta que, no caso de as coisas piorarem, vão refugiar-se noutros países da Europa como emigrantes para continuar a formação e depois regressar ao País.
Já Julieta Saviqueia, estudante do último ano de ginecologia obstetrícia da Universidade de Piragova, conta-nos que regressar a Angola impediria a sua meta por estar no último ano. A jovem prefere aguardar até que as coisas melhorem. "Apesar de o Governo Angolano retirar o apoio aos que decidiram ficar, excepto o consular, não tememos porque estamos a estudar por conta própria e sempre soubemos dar resposta aos nossos problemas. Portanto, vou ficar porque sei o quanto é difícil estar no nosso País sem uma especialidade", esclarece.
Recorde-se que o Ministério das Relações Exteriores fez saber que os cidadãos que decidiram permanecer na Polónia estão sob sua "conta e risco", garantindo apenas apoio consular. Os angolanos estão até este fim de semana sob custódia da embaixada de Angola na Polónia, tendo de procurar outro lugar, a partir daí.
Fonte:Expansão 14,março 2022