12/08/2026
“Os problemas dos jovens devem ser discutidos com os jovens, para que eles sejam parte da solução".
Por ocasião do Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto, realizou-se, na Assembleia Nacional, o I° Workshop sobre “A Juventude e o Primeiro Emprego”, um espaço de reflexão, diálogo e partilha de experiências sobre um dos maiores desafios da juventude angolana: a transição da formação para o mundo do trabalho.
Mais do que discutir números, programas ou oportunidades, é necessário compreender que o primeiro emprego representa, para milhares de jovens, muito mais do que um salário no final do mês.
Representa autonomia, dignidade, experiência, realização pessoal e a possibilidade de participar activamente na construção do país.
Por isso, falar do primeiro emprego é falar também de educação, formação profissional, empreendedorismo, inovação, acesso ao financiamento, estágios, incubação de empresas, transformação digital e criação de um ambiente económico capaz de absorver o potencial da juventude.
O jovem não pode ser apenas espectador
Durante muito tempo, discutimos os problemas da juventude essencialmente sobre os jovens.
O caminho que devemos consolidar é outro: discutir os problemas dos jovens com os próprios jovens.
Quem vive diariamente as dificuldades de entrar no mercado de trabalho conhece, melhor do que ninguém, os obstáculos existentes entre a formação e a primeira oportunidade.
É preciso, portanto, ouvir os jovens, compreender as suas aspirações, identificar as suas dificuldades e, sobretudo, criar mecanismos para que possam participar na construção das políticas e soluções que lhes dizem respeito.
A juventude não deve ser vista apenas como beneficiária de políticas públicas. A juventude é uma força económica, social e intelectual que deve ser incorporada na solução dos problemas nacionais. Primeiro emprego não pode significar apenas emprego.
Uma das reflexões que deve permanecer deste workshop é que precisamos de ampliar o conceito de primeiro emprego.
Nem todos os jovens terão necessariamente de iniciar a sua vida profissional através de um contrato de trabalho tradicional.
Alguns poderão encontrar o seu caminho através do empreendedorismo, da criação de startups, da prestação de serviços, da economia digital, da inovação tecnológica, da agricultura, das indústrias criativas ou de outros sectores emergentes. É aqui que o empreendedorismo e a incubação empresarial assumem uma importância estratégica.
Criar condições para que um jovem transforme uma ideia num negócio sustentável também é criar emprego. Apoiar uma pequena empresa significa, muitas vezes, criar oportunidades não apenas para o empreendedor, mas para outras pessoas que serão posteriormente contratadas.
Por isso, emprego e empreendedorismo não devem ser vistos como caminhos concorrentes, mas como instrumentos complementares de desenvolvimento económico e inclusão social.
Da formação à oportunidade. Outro desafio fundamental está na ligação entre aquilo que se ensina e aquilo que o mercado procura.
Não basta formar jovens. Precisamos de formar jovens com competências que possam ser transformadas em oportunidades económicas concretas.
É necessário aproximar as instituições de ensino, os centros de formação profissional, as empresas, as incubadoras, as organizações juvenis e o Estado.
Os estágios profissionais podem desempenhar um papel importante nessa transição. O jovem precisa de oportunidade para adquirir experiência, desenvolver competências e demonstrar aquilo que sabe fazer.
Não podemos exigir experiência profissional de quem nunca teve a primeira oportunidade de trabalhar. O sector privado também tem uma responsabilidade.
A discussão sobre o primeiro emprego não pode ser colocada exclusivamente sobre o Estado.
As empresas têm um papel fundamental na criação de oportunidades para a juventude. Investir no jovem significa também investir no futuro das próprias empresas e da economia nacional.
✍️ Paulo Narciso - Presidente da FAJE