04/03/2026
Saudações, Vozes Invisíveis.
Peço, por favor, que mantenham o meu anonimato.
Sou um jovem na casa dos 30 anos, trabalhador, focado e determinado a tornar-me alguém melhor na vida. Escrevo porque estou a atravessar um momento muito difícil e preciso de conselhos.
Desde que terminei o ensino superior, em 2019, a minha vida parece ter dado uma volta inesperada. Sempre corri atrás de oportunidades de emprego, mas sem sucesso. Decidi então criar a minha própria empresa de prestação de serviços de serigrafia. No início, tudo corria muito bem.
Contudo, a minha família nunca simpatizou com nenhuma das minhas parceiras, desde a primeira até à última. Quando conheci a mãe do meu filho (que Deus a tenha), as coisas começaram finalmente a fluir. Era bênção atrás de bênção. Infelizmente, poucos dias após o parto, ela partiu para a glória de Deus, deixando-me com o nosso filho ainda recém-nascido. Hoje ele tem 4 anos e depende totalmente de mim.
Há poucos dias, algo aconteceu que me abalou profundamente. Saí do distrito onde trabalho e fui hospedar-me na casa da minha irmã, na cidade de Nampula. A casa normalmente f**a vazia, sendo ocupada apenas por um guarda durante a noite.
Certo dia, ela apareceu em estado de embriaguez e, de forma agressiva, disse-me:
“Sabes porque é que os teus projectos não avançam? Foste feito fonte de rendimento (tontosse). Toda a família sabe disso, principalmente a mamã. Por isso, quando tens dinheiro, não demora a desaparecer e nunca consegues concretizar os teus planos. Ser o único homem na família tem as suas desvantagens. Tudo o que fazes acaba em problemas, e esses problemas podem um dia levar-te à cadeia. Quem fez esse pacto quer que morras lá. Também será difícil manteres um relacionamento estável. Irás sempre separar-te por circunstâncias estranhas ou ser trocado por não conseguires suprir as necessidades da relação.”
Confesso que fiquei sem chão. Mesmo sabendo que ela estava embriagada, aquelas palavras f**aram gravadas na minha mente. Desde então, tenho ligado vários acontecimentos da minha vida e, infelizmente, muitos encaixam-se no que ela disse.
Ultimamente tenho lutado com pensamentos negativos. Isto tem-me deixado deprimido, angustiado e com receio do futuro.
Tenho um filho que depende 100% de mim. Ele é a minha maior responsabilidade e a minha razão para continuar, mas neste momento sinto-me emocionalmente abalado e confuso.
Peço conselhos, porque preciso de forças para continuar a lutar por mim e pelo meu filho.