11/01/2026
Corredor do Lobito deverá multiplicar capacidade de transporte e reduzir custos, afirma consultor
O financiamento de 753 milhões de dólares destinado ao desenvolvimento do Corredor do Lobito deverá permitir um aumento significativo da capacidade de transporte e a redução dos custos logísticos na região. A previsão foi avançada por Nuno Gil, sócio fundador da Eaglestone, uma das consultoras financeiras do consórcio Lobito Atlantic Railway (LAR).
Em declarações à agência Lusa, o gestor afirmou que o pacote financeiro, assinado em dezembro do ano passado, em Washington, representa “um marco para a Lobito Atlantic Railway”, projecto que prevê a reabilitação, melhoria e operação de cerca de 1.300 quilómetros de linha férrea. Segundo o consultor, a capacidade de transporte poderá aumentar até dez vezes, alcançando aproximadamente 4,6 milhões de toneladas métricas por ano, enquanto o custo de transporte de minerais críticos deverá cair cerca de 30%.
Além do impacto no comércio e na logística regional, o projecto deverá gerar benefícios sociais e económicos, com destaque para a criação de empregos durante as fases de construção e operação, formação de mão de obra qualificada, melhoria dos padrões de segurança e novas oportunidades para as comunidades ao longo do corredor ferroviário.
Questionado sobre as vantagens directas para as populações angolanas que vivem ao longo do traçado, Nuno Gil salientou que o Corredor do Lobito poderá originar um verdadeiro “corredor económico” entre o Lobito e a fronteira com a República Democrática do Congo, contribuindo para a dinamização das economias locais. O consultor frisou, no entanto, que o acordo de financiamento agora assinado incide especificamente sobre a gestão da linha férrea.
Para o responsável, a existência de grandes infra-estruturas viárias tende a estimular o surgimento de polos industriais e actividades económicas associadas, gerando efeitos que vão além do transporte de longa distância e se reflectem em rendimentos e arrecadação fiscal para o Estado.