12/10/2025
Será que sou o único a notar que o pessoal de África que migra para Europa, América , Ásia, etc. continua sendo mais africanos que muitos que permanecem aqui?
Mesmo estando bem expostos ao processo de aculturação conseguem preservar os valores culturais africanos (mantendo os nomes de seus descendentes em línguas africanas, a gastronomia, até mesmo a língua) .
Como exemplo prático temos os jogadores de futebol de origem africana que mesmo nascendo na Europa receberam nomes em línguas dos países de origem. Só pelo nome VC consegue identificar o país de origem, do tipo "Diawara?" esse deve ser originário da África ocidental, "Mbala Nzola?" esse deve ser do Congo, RDC ou Angola.
Há um bom número de desportistas e artistas de origem africana que cresceram e actuam na Europa mas falam o bambara língua nacional do Mali, o Yoruba (Nigéria), o lingala (RDC), etc. Por exemplo dos que falam alguma língua que entendo tem o Lukaku que fala muito bem o lingala mas passou toda vida na Europa, o primo Dominique guarda redes da nossa seleção🇦🇴 conversa muito bem em lingala com o meu pai, mas passou toda vida na Suiça, o mesmo acontece com o Buatu e outros jogadores. Este facto só revela a sabedoria e "africanidade" que os pais africanos residentes na diáspora carregam e que de facto têm feito um belíssimo trabalho em casa com vista a preservar os nossos valores culturais, a nossa identidade.
E nós que estamos aqui o que temos feito?
Chamar "do mato" quem fala a sua língua nacional em local público.
Eliminar nomes africano ao registrar o filho por achar que é muito pesado para criança.
Já ouvi até pior, o irmão do Bié a falar umbundu ao telefone dentro de uma loja lhe disseram "cala ainda tá fazer barulho com essa língua dos cães.🤦
Hoje nas sociedades africanas (especificamente em 🇦🇴) quem aparenta ter hábitos e costumes mais próximos ao ocidente sente-se um ser superior.
Isso me intriga muito, sinto tipo os grandes cotas do passado lutaram por nada.
✍️Miguel Vemba