18/03/2026
A notícia de que o “velho” Denis Sassou Nguesso ganhou mais uma vez não espanta ninguém na banda. É aquele filme que todos já vimos tantas vezes que já sabemos até quando é que o actor principal vai t0ssir.
Meu kamba, estamos a falar de um homem que está sentado naquela cadeira há mais de 40 anos. ISSO NÃO É UM MANDATO, É UMA VIDA INTEIRA. O ndengue que nasceu quando ele subiu ao poder pela primeira vez, hoje já é avô e o “velho” continua lá, com o mesmo fato impecável e o mesmo discurso de “estabilidade”. Mas precisamos de perguntar: que estabilidade é essa que não deixa o s∆ngue novo circular? O poder em Brazzaville virou um objecto de família, guardado a sete chaves enquanto o povo assiste ao desfile das elites.
O mambo mais tr¡ste desse cenário é a conta que não bate. O Congo-Brazzaville é terra de muito petróleo, é kumbu que entra todos os dias em barcos gigantes. Mas se tu caminhares nas ruas, o que vês é o povo a “dar um gás” só para conseguir o pão de cada dia. É o paradoxo da nossa África: o subsolo está rico, mas o bolso do cidadão está com uma an£mia que não passa. A riqueza f**a ali, num circuito fechado de quem está próximo do trono, enquanto a maioria vive de esperança e de pequenos negócios.
A população não está satisfeita. Quando as eleições são apenas um ritual para confirmar o que já foi decidido no gabinete, o povo entra num estado de apatia. Não é alegria, é cansaço. É aquela sensação de que o mambo é sempre o mesmo, nada muda. Esse é o cenário mais cinzento que se vê por estas bandas: quando a juventude, que devia ser o motor da mudança, começa a achar que a política é uma maka que não lhes pertence.