02/12/2025
DISCURSO DE VITÓRIA E ENCERRAMENTO DO CONGRESSO DA UNITA
Digníssimo Presidente da Mesa do Congresso,
Ilustre Coordenador da Comissão Organizadora;
➢ Senhores Membros de Direcção da UNITA;
➢ Distintos Convidados, Nacionais e Estrangeiros.
➢ Observadores desta Processo Eleitoral;
➢ Dignos Representantes dos Partidos Políticos;
➢ Representantes da Sociedade civil
➢ Entidades Religiosas, Entidades Tradicionais;
➢ Angolanas e angolanos de todas as províncias do país e de toda a nossa vasta Diáspora;
➢ Caros Jornalistas;
➢ Minhas senhoras e meus senhores,
Hoje, diante de vós, recebo com humildade e sentido de missão a honra renovada de continuar a servir como Presidente da UNITA. Não há glória maior do que a confiança deste Partido que nasceu do sacrifício, da coragem e da determinação de homens e mulheres que, em todas as épocas da nossa história, se mantiveram firmes perante todas as formas de domínio, injustiça e atropelo.
Reafirmo que não lutamos por cargos.
Lutamos por Angola.
Lutamos por uma Angola livre do medo.
Por uma Angola onde o mérito seja mais forte do que o cartão partidário.
Por uma Angola onde a juventude trabalhe e prospere.
Por uma Angola reconciliada, moderna, transparente e justa.
O povo angolano merece um Estado que o sirva — não um Estado que se sirva dele.
Este é o compromisso que assumo diante de vós, diante da nossa história e diante do nosso povo.
A vitória que me atribuem não é contra ninguém, muito menos contra o meu irmão e compatriota, Rafael Massanga Sakaita Savimbi — é uma vitória com todos e para totdos.
E queremos deixar claro: o Partido fundado pelo Dr. Jonas Malheiro Savimbi nunca será dividido por estratégias externas, por manipulações políticas ou por campanhas de difamação levadas a cabo por órgãos de comunicação social enfeudados ao regime e por serviços de inteligência que operam fora de uma lógica republicana e de um quadro democrático.
Somos hoje um Partido mais forte porque enfrentamos todo o tipo de tempestades. E aprendemos, com as tempestades, o valor da autodefesa, sempre com serenidade.
Seja como for, entendo mesmo que este é um momento que transcende a escolha de um líder.
É um momento de renovação espiritual e ideológica.
É um momento de reafirmação da nossa unidade, coesão, visão e missão. Saímos deste Congresso mais fortes, mais coesos e mais preparados para enfrentar os desafios do nosso tempo rumo a alternância do poder em 2027.
Saímos com mais clareza sobre o país que queremos construir e mais determinação para abrir, finalmente, as portas da alternância que o povo angolano tanto almeja e merece.
Caros compatriotas,
Aqui chegados, permitam-me passar aos agradecimentos.
➢ Quero agradecer, sinceramente, à Mesa do Congresso pela condução exemplar, transparente e rigorosa dos trabalhos.
➢ Estendo os meus agradecimentos á Comissão Organizadora do XIV Congresso Ordinário, na pessoa do seu Coordenador.
➢ Agradeço aos delegados que aqui estiveram durante estes dias de intenso trabalho, disciplina e clarividência, representando a voz viva do nosso povo de todos os cantos de Angola.
➢ Agradeço aos veteranos da Pátria e à nossa juventude incansável, que é hoje a vanguarda moral do país e pretendemos que seja o seu esteio intelectual.
➢ Agradeço às mulheres deste Partido, guardiãs da resistência, da esperança e da própria continuidade da nossa luta por Angola.
➢ Agradeço às estruturas provinciais, aos órgãos de comunicação social, aos observadores e aos convidados internacionais.
➢ E um agradecimento especial vai ao meu companheiro neste processo eleitoral, Rafael Massanga Sakaita Savimbi. Quero fazê-lo com sinceridade, com respeito e com espírito de família política de que fazemos parte.
A sua candidatura trouxe ao Congresso dinamismo, debate, aprofundamento democrático e reafirmação do que somos: um Partido plural, livre, competitivo nas ideias e exemplar na transparência dos seus processos. A grandeza de um Partido mede-se também pela elevação dos seus concorrentes, e hoje f**a demonstrado que a UNITA é maior porque tem quadros que não temem disputar, contribuir e somar.
E, como sempre, prestamos homenagem ao nosso líder fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi, cuja visão continua a iluminar o caminho. Evoco também figuras heroicas (vivas ou em memória) como Kapessi Kafundanga, Samuel Chiwale, Jeremias Chitunda, Ernesto Mulato, Julia Namukumbi, Catarina Ululi, Isalina Kawina, Arlindo Chenda Pena Ben-Ben, António Dembo, Demóstenes Chilingutila, Wilson dos Santos, Tito Chingunji, Elias Salupeto Pena, Raul Danda, Nakamela, Maria Mutango, Guilhermina Tcitekulo, Helena Kokelo, e tantos outros cujos nomes, vidas e sacrifícios escrevem as páginas mais nobres da resistência angolana, que simboliza o trajecto da UNITA.
A todos eles, o meu profundo respeito. A todos eles, o nosso compromisso de continuar a luta por uma Angola verdadeiramente democrática, justa e reconciliada.
Finalmente, quero agradecer ao povo angolano — que nos acompanha com esperança e expectativa, que nos observa com rigor e que vê neste Partido um instrumento de mudança.
Este Congresso renovou a liderança, mas mais importante do que isso: renovou a confiança, a coesão e a missão da UNITA.
Companheiros e compatriotas,
Nós nos últimos 4 anos, reerguemos a UNITA como uma força moderna, inclusiva, aberta à juventude, às mulheres, à sociedade civil e a todos os angolanos que acreditam que o país pode ser governado com ética e competência.
Hoje, reafirmamos a nossa vocação de um partido nacional. Deitámos por terra as vozes dos que nos classif**avam como simples força política étnica.
Hoje, somos escutados dentro e fora de Angola.
Hoje, ninguém fala de democracia em Angola sem mencionar a UNITA.
Mas, repetimos, este caminho ainda é longo.
Fizemos a sementeira, e vamos continuar a plantar.
Conquistar a alternância política em Angola é o próximo passo. É possível, mas exige continuidade, coerência e disciplina.
Nunca a UNITA esteve tão perto de disputar o poder como hoje. Somos hoje um partido com vocação de governo e não apenas de oposição moral. E este desiderato tem sido demonstrado por dados e factos, tais como:
• Crescimento do voto nas eleições de 2022;
• Expansão da presença nacional e urbana;
• Novas alianças com movimentos cívicos e figuras independentes;
• Reforço da imagem internacional do partido.
Por isso é que em 2027 a nossa geração terá a missão histórica de comprovar todos os avanços feitos pela UNITA. As eleições gerais de 2027 representam o momento mais decisivo da história política recente de Angola. O país terá diante de si uma alternativa madura e organizada, com reais condições para governar de todos para todos.
E quero que cada militante saia deste Congresso com uma certeza absoluta:
• A UNITA está pronta
• Pronta para governar com transparência.
• Pronta para unir o país.
• Pronta para abraçar as reformas que o país tanto espera;
• Pronta para reconciliar Angola consigo mesma.
• Pronta para romper com o ciclo de estagnação e injustiça.
As autarquias vão ser finalmente uma realidade. A descentralização será um momento de viragem política e administrativa no país, e a UNITA deve estar à altura desse desafio.
Signif**a então que a vitória que celebramos hoje não é apenas emotiva: é operacional. Devemos passar das palavras às acções, aos actos.
Caros compatriotas,
Ao sairmos deste congresso, que coincide com a celebração dos 50 anos de Independência de Angola, temos o dever de olhar para o futuro com coragem. A nossa geração tem a responsabilidade de assegurar que o próximo meio século seja o da prosperidade, da justiça social, da inclusão e da dignidade para todos os angolanos. Que tenhamos instituições fortes, respeito pelo Estado de Direito e combate firme à corrupção, pois sem ética, não há desenvolvimento duradouro.
Por conseguinte, 2050 não pode ser apenas um número atirado para o ar ou uma meta vaga e distante. Precisa de ser um compromisso colectivo com a prosperidade partilhada.
Nenhum partido, nenhum governo, nenhuma instituição, sozinha, poderá cumprir esta visão. Angola precisa de um contrato social renovado.
Um contrato que una todos: governo, oposição, sociedade civil, sector privado, academia e juventude todos unidos por Angola.
Um contrato que coloque a ética, a responsabilidade e o patriotismo acima das diferenças.
Um contrato que seja, verdadeiramente, um pacto de Estado e não apenas de uma mera conjuntura.
Sublinho, contudo, um ponto que considero importante e crucial: que Angola possa integrar-se no mundo globalizado, mas sem perder soberania. Isto signif**a termos efectivamente uma diplomacia actuante que traga benefícios para o País e não uma diplomacia despesista e de show-off como muitas vezes temos verif**ado.
Dou exemplo, este Congresso da UNITA encerra-se numa semana em que Luanda acolheu a Cimeira União Africana – União Europeia, um evento importante, que trouxe ao nosso país líderes do continente e parceiros internacionais.
Receber África e a Europa e o mundo em solo angolano deveria ser motivo de orgulho colectivo. Mas não podemos ignorar que, para o povo, olha estas conferências de muito longe. A sociedade não toma parte. Não há inclusão nem coesão nacional!
Angola não pode ser palco de discursos brilhantes enquanto:
• a pobreza que cresce,
• o desemprego que aumenta,
• a fome que atinge milhões de famílas,
• a perda de confiança no Estado,
• a emigração silenciosa de jovens e dos quadros!
A presença de chefes de Estado estrangeiros não pode esconder aquilo que todos os angolanos vêem: que o país continua prisioneiro de um regime que recusa reformas e que precisa de dialogar com os parceiros e precisa de olhar para quem lidera a oposição, como alguém com quem se vai construir em comum um futuro melhor para todos. Alguém com quem se deve trabalhar com confiança e alguém que pensa Angola, plural. Angola sem medo. Angola dos jovens, das mulheres. E juntos trabalharmos para a prosperidade das famílias e das empresas.
Precisamos de motivar os cidadãos a envolverem-se e juntos construirmos um Estado forte e um Estado Democrático.
É, pois, com profunda humildade e sentido do dever, que declaro encerrado este XIV Congresso Ordinário da UNITA — um congresso que reafirmou a nossa maturidade política, a nossa seriedade democrática e a grande responsabilidade histórica que continuamos a carregar ao serviço de Angola.
Muito obrigado pela confiança.
Muito obrigado pela vossa força.
Tal como fomos dizendo, acabaram as campanhas e eu conto com todos para engrandecermos a nossa UNITA e realizarmos a Alternância tão almejada pelos angolanos.
A todos bom regresso à casa e boa viagem para os que farão por dentro e fora de Angola.
Não posso terminar a minha intervenção sem agradecer a minha esposa, pelo carinho , apoio e companheirismo incondicionais em todos os momento. O meu muito Obrigado!
Muito obrigado por acreditarem na UNITA como a grande alternativa nacional.
Deus abençoe Angola e os angolanos.
Que Deus abençoe a UNITA.
Que Deus abençoe a nossa coragem.
Que Deus abençoe Angola e os angolanos.
Viva a democracia!
Viva Angola!
Viva o povo angolano!
Luanda, 30 de Novembro de 2025