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𝐍𝐃𝐎𝐍𝐆𝐎: AS ORIGENS ORAIS DE UM REINO O Reino do Ndongo,  foi um estado poderoso que existiu na região central de África ...
04/05/2026

𝐍𝐃𝐎𝐍𝐆𝐎: AS ORIGENS ORAIS DE UM REINO

O Reino do Ndongo, foi um estado poderoso que existiu na região central de África localizado na região que hoje é a actual Angola. Os territórios do então chamado reino do Ndongo compreendiam faixas de terra entre dois importantes rios da região: o Kwanza e o Bengo ( 𝘡𝘦𝘯𝘻𝘢) . Cercado por importantes reinos da África Centro Ocidental como o Congo e a Matamba, o Ndongo era habitado pelos Mbundus ou Ambundos, povo de origem bantu, falante de Kimbundu.

Os ambundos são o povo dominante na região de Luanda, Bengo, Cuanza Norte, Malange, Cuanza Sul e uma pequena parte do Uíge. Durante muito tempo, o reino do Ndongo foi dado como dependente do reino do Congo, que era um dos grandes e reinos naquela época, o reino do Ndongo pagava tributo ao reino do Congo.

O facto da região de Luanda ser favorável ao resgate de escravos, ser rica em prata, ferro e cobre e fornecer, na altura, uma co**ha com valor fiduciário, chamada “𝐧𝐳𝐢𝐦𝐛𝐮”, constituiu motivo suficiente para que os portugueses desejassem cristianizar o Ngola e os seus súbditos. Com os portugueses chegavam frades das diversas Ordens e clérigos para catequizarem os Ambundus.

A formação do reino do Ndongo está relacionada à migração dos povos Ambundus, que teriam se fixado na região após um movimento migratório em busca de áreas com maiores potenciais agrícolas. Os ambundus se estabeleceram desde a idade do Ferro na região, esses povos encontraram no Ndongo, um local privilegiado para o desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, uma vez que a região apresentava um rico solo, irrigado naturalmente pela bacia hidrográfica do Kwanza (900 km) e os rios adjacentes.


𝐀 𝐨𝐫𝐢𝐠𝐞𝐦 𝐝𝐨 𝐑𝐞𝐢𝐧𝐨 𝐝𝐨 𝐍𝐝𝐨𝐧𝐠𝐨:

De acordo com a tradição oral, 𝐍𝐠𝐨𝐥𝐚-𝐌𝐮𝐬𝐬𝐮𝐫𝐢 teve várias mulheres mas a uma concedeu o título de “𝑵𝒈𝒂𝒏𝒂-𝑰𝒏𝒆𝒏𝒆”,a dona de casa, a “grande senhora”, que teve três filhas dele: 𝒁𝒖𝒏𝒅𝒂-𝒅𝒊𝒂-𝒏𝒈𝒐𝒍𝒂, 𝑻𝒖𝒎𝒃𝒂-𝒅𝒊𝒂-𝒏𝒈𝒐𝒍𝒂 e uma terceira cujo nome é desconhecido. Deste modo, ficava assim marcado o carácter inicialmente matrilinear das linhagens dos futuros 𝐍𝐠𝐨𝐥𝐚. O facto da esposa 𝑵𝒈𝒂𝒏𝒂-𝑰𝒏𝒆𝒏𝒆 não lhe ter dado um varão, levou-o a casar a sua primeira filha com um servente, e nomeou-o “vice-rei”. No entanto, este acabou por matar Ngola-Mussuri, seu sogro, e tinha a intenção de também matar a sua própria mulher, caso esta não viesse a falecer repentinamente.

É assim que 𝒁𝒖𝒏𝒅𝒂-𝒅𝒊𝒂-𝒏𝒈𝒐𝒍𝒂, a primogénita de Mussuri “foi proclamada e venerada como rainha”, afirmando-se que governou bem até à velhice, porém de uma forma triste por não ter filhos.
Daí que invejasse Tunda-dia-ngola, sua irmã, mãe de dois rapazes, casada com “𝐍𝐠𝐨𝐥𝐚 𝐊𝐮𝐢𝐥𝐮𝐚𝐧𝐣𝐢”. Escolheu um dos sobrinhos para herdeiro e durante algum tempo dedicou-se a prepará-lo para a sucessão.

Mas, a partir de uma determinada altura, temeu que este a destituísse e mandou-o matar. Em represália, sua irmã Tunda e seu cunhado Ngola Kiluanji acabaram por diligenciar também a sua morte. Com o apoio das populações, Tunda foi proclamada rainha e procurou dividir o poder com o seu marido, mas este declinou tais responsabilidades, de comum acordo, resolveram fazer “coroar o filho de ambos, “𝐍𝐠𝐨𝐥𝐚 𝐊𝐢𝐥𝐮𝐚𝐧𝐣𝐢 𝐊𝐢𝐚 S𝐚𝐦𝐛𝐚”.


𝐄𝐬𝐭𝐫𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐞 𝐏𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐚:

O Reino do Ndongo era uma monarquia, com o monarca, cuja a principal entidade era designado como “Ngola” exercendo o poder supremo. O rei governava com o apoio de uma aristocracia e conselheiros, e havia uma estrutura administrativa com governadores regionais.

A capital do reino do Ndongo, era 𝐊𝐚𝐛𝐚ç𝐚 (Caculo Cabaça), localizada no planalto próximo à actual N'dalatando província do Kwanza Norte. O reino do Ndongo era formado por uma sociedade altamente hierarquizada, onde papéis eram muito bem definidos, e a prestação de serviços ao Ngola levou à formação de uma complexa corte.

Além de Ngola e dos sobas, existiu no Ndongo um grupo extremamente poderoso: os “𝒎𝒂𝒌𝒐𝒕𝒂𝒔”, esses eram homens descritos como idosos, que exerciam a função de aconselhar o Ngola. Sua influência era tamanha que chegava a limitar o poder dos sobas e até mesmo a interferir nos processos de sucessão dos Ngolas a sucessão real entre os ambundus deveria seguir os princípios baseados na matrilinearidade.

Contudo o poder do Ngola era restrito e limitado. Muitos dos
sobas que viviam em seus domínios eram totalmente independentes, ou por razões geográficas que dificultavam o acesso a esses sobados, ou pela ausência de legitimidade do poder político do Ngola junto a esses chefes locais. Alguns sobas reconheciam o Ngola somente por seus poderes místicos, como por exemplo, em relação ao dom de fazer a chuva, mas não o viam como autoridade política

𝐀 𝐡𝐢𝐞𝐫𝐚𝐫𝐪𝐮𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐍𝐝𝐨𝐧𝐠𝐨:

A hierarquia dos ambundus era formada por vários outros grupos. Abaixo dos 𝐍𝐠𝐨𝐥𝐚𝐬 e dos“𝒎𝒂𝒌𝒐𝒕𝒂𝒔”, estavam os sacerdotes supremos chamados 𝒎𝒂𝒏𝒊-𝒏𝒅𝒐𝒏𝒈𝒐𝒔, abaixo vinham os 𝒕a𝒏𝒅𝒂𝒍𝒂𝒔, espécie de primeiros-ministros, em seguida os tandalas de cari, ministros secundários, na sequência vinham as lideranças militares representadas pelos 𝒏𝒈𝒐𝒍𝒂𝒎𝒃𝒐𝒍𝒆 que eram os chefes dos exércitos, depois os ferreiros, grupo também ligado aos poderes sobrenaturais em função da relação entre a origem do Ngola.

𝐎 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐨𝐬 𝐍𝐠𝐨𝐥𝐚𝐬:

De acordo as fontes oirais, os Ngolas tinham seu poder marcado pelo sobrenatural, seriam os grandes responsáveis por trazer a chuva. Sua função era estratégica para a manutenção da unidade do reino, mesmo quando para muitos sobas essa vertente mística era a única reconhecida. Para os ambundus o controlo da natureza era uma atribuição do Ngola, relacionando essa prática ao dom de comunicação com os ancestrais, um elemento estranho para os portugueses, que precisaram de tempo para compreender a forte presença da ancestralidade africana. E que consideravam tais ações como práticas do mal.

𝐀𝐬 𝐚𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐞𝐜𝐨𝐧ô𝐦𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐍𝐝𝐨𝐧𝐠𝐨:

As principais atividades econômicas do povo do Ndongo envolviam o comércio de sal, metais, tecidos e produtos de origem animal. A prática deste desenvolvido comércio era feita por meio do escambo (trocas) ou com a adoção do “𝑵𝒛𝒊𝒎𝒃𝒖”,um tipo de co**ha encontrada exclusivamente na região de Luanda. Nas terras do Ndongo existiam alguns espaços de trocas, onde os nzimbos eram utilizados.

Os produtos valorizados como o sal, também serviam para efetivar nas transações, no caso do sal, ele era dividido em pedras uniformes de três palmos que correspondiam a um determinado valor, na troca por outra mercadoria. O Ndongo era uma região que se baseava no trabalho agrícola, por meio da utilização de utensílios de metal.

𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐬𝐭ê𝐧𝐜𝐢𝐚:

O Reino do Ndongo tinha uma cultura rica, com tradições artísticas, religiosas e sociais próprias. O reino resistiu à colonização portuguesa, lutando bravamente contra as forças coloniais e preservando sua independência por um tempo significativo.

𝐄𝐬𝐜𝐫𝐚𝐯𝐢𝐝ã𝐨 𝐞 𝐜𝐨𝐦é𝐫𝐜𝐢𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐚𝐭𝐥â𝐧𝐭𝐢𝐜𝐨:

O Reino do Ndongo foi afetado pelo comércio transatlântico de escravos, com os portugueses capturando e transportando pessoas da região para as Américas. A resistência do reino contra a escravidão e a exploração desempenhou um papel importante na história da resistência africana contra o tráfico de escravos.
O Reino do Ndongo teve uma história complexa e desempenhou um papel significativo na luta contra a colonização portuguesa e na preservação da identidade e cultura africanas.

𝐑𝐞𝐟𝐞𝐫ê𝐧𝐜𝐢𝐚𝐬:

•Silva, Alberto Da Costa E (2002). A Manilha e o Libambo. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira
•Vansina, Jan. «A África equatorial e Angola: as migrações e o surgimento dos primeiros Estados». In: Niane, Djibril Tamsir. História Geral da África Vol. IV.
•Vansina, Jan. «XIX. O Reino do Congo e seus vizinhos». In: Ogot, Bethwell Allan. História Geral da África Vol. V. África do século XVI ao XVIII. Paris e São Carlos: UNESCO e Universidade de São Carlos
•África do século XII ao XVI. Paris e São Carlos: UNESCO e Universidade de São Carlos
•RODRIGUES, Casimiro e RODRIGUES, José Damião. (2011). Representações de África e dos Africanos na História e Cultura – Séculos XV a XXI. Lisboa, Centro de História de Além-Mar. SILVA, Débora. Reino do Congo.

Publicado por: Uma África Desconhecida

22/04/2026

Em 7 de fevereiro de 1986, desaparecimento de Cheikh Anta Diop.

Naquele dia, Cheikh Anta Diop, autor do famoso livro "Nations nègres et culture" e que era ao mesmo tempo historiador, antropólogo, mas também um homem de ciência, morreu em sua casa em Fann, um bairro localizado não muito longe da Universidade de Dakar, que hoje leva seu nome. Tinha então 63 anos.

Cheikh Anta Diop fez parte da geração de intelectuais negros da II Grande Guerra que marcou profundamente a mente de jovens e velhos africanos por seu trabalho ambicioso e subversivo e que queria reinscrever o continente negro no coração da história universal de onde três séculos de dominação colonial ocidental finalmente a baniram. Suas teses sobre a africanidade do Egito faraônico mudaram profundamente as mentalidades.

Nascido em Caytou, Senegal, em 1923, Cheikh Anta Diop começou seu aprendizado na escola corânica antes de ingressar na escola francesa de Diourbel no Senegal. Prosseguiu os estudos em Dakar, onde nasceram os seus projetos de reconhecimento de África. Chegou a Paris em 1946 com a ideia de se tornar engenheiro aeronáutico. Ele estuda matemática e filosofia. Em 1948, publicou seus primeiros artigos sobre línguas africanas.

Em 1951, o jovem preparou uma tese. Ele demonstra que foram os africanos negros que povoaram o Egito antigo. A África Ocidental teria, segundo ele, se beneficiado da cultura e linguística egípcias. Ele então publicou "Nations nègres et culture" em 1954, o que causou um rebuliço. Ele usa as muitas disciplinas - sociais e científicas - que aprendeu para provar sua visão e a importância do lugar dos africanos na história.

Cheikh Anta Diop também se investiu politicamente, em particular pela emancipação dos países africanos e sua independência. Ele é a favor da criação de um estado federal na África. Em 1950, ele se juntou ao Rally Democrata Africano. Ele então se opôs ao presidente senegalês Léopold Sédar Senghor fundando partidos políticos, um jornal e um sindicato. Ele morreu em 1986. No ano seguinte, a Universidade de Dakar foi renomeada Universidade Cheikh-Anta-Diop.

By: Afrika Nkanda Ndombe 🌍🇸🇳

O Encontro de Mundos: Além do Mito do Descobrimento​Quando a frota de Pedro Álvares Cabral aportou no litoral sul da Bah...
06/02/2026

O Encontro de Mundos: Além do Mito do Descobrimento
​Quando a frota de Pedro Álvares Cabral aportou no litoral sul da Bahia em 1500, ela não encontrou um "vazio demográfico". Pelo contrário, o território que viria a ser o Brasil era um mosaico vibrante de milhões de indígenas, distribuídos em centenas de etnias como os Tupinambás e Guaranis. Esses povos dominavam tecnologias agrícolas complexas, possuíam sistemas astronômicos avançados e uma organização social que priorizava o coletivo — era, em todos os sentidos, uma terra viva e soberana.
​Da Chegada à Invasão
​O termo "descobrimento" é, hoje, compreendido como uma visão eurocêntrica que apaga a história pré-colonial. O que de fato se iniciou em 1500 foi um processo de conquista e colonização, caracterizado por:
​Exploração Predatória: O foco inicial na extração do pau-brasil evoluiu para um sistema de grandes latifúndios voltados ao mercado europeu.
​Imposição Cultural: Através da catequização forçada, línguas e crenças ancestrais foram sistematicamente reprimidas em favor da fé e dos costumes lusitanos.
​Ciclos de Violência: O contato trouxe doenças antes inexistentes na América e conflitos armados que dizimaram populações inteiras, configurando um verdadeiro genocídio dos povos originários.
​Revisitar essa história não é apenas uma questão de semântica, mas um ato de justiça à memória daqueles que já chamavam este solo de lar muito antes das caravelas aparecerem no horizonte.
​lembrar que o Brasil não foi descoberto mas invadido é mais uma das verdades que dever ser lembrada contra o Eurocentrismo HoteP!

Por: Khemet História Africana.

A FRAUDE GEOPOLÍTICA: A ORIGEM RA***TA DO TERMO "ÁFRICA SUBSAARIANA" E O APAGAMENTO DE KEMETA utilização do termo “Áfric...
30/01/2026

A FRAUDE GEOPOLÍTICA: A ORIGEM RA***TA DO TERMO "ÁFRICA SUBSAARIANA" E O APAGAMENTO DE KEMET

A utilização do termo “África Subsaariana” não é apenas uma imprecisão geográfica, mas um rótulo geopolítico ra***ta desenhado para fragmentar o continente africano. Acadêmicos e críticos culturais denunciam que essa designação reforça uma narrativa colonial perversa: a ideia de que existe uma divisão intransponível entre o Norte "civilizado" e o Sul "primitivo".

Na prática, essa linha imaginária no deserto do Saara serviu como uma ferramenta para sustentar a mentira de que os africanos negros nunca habitaram ou construíram as civilizações do Norte.

Essa negligência ra***ta foca especificamente em excluir a negritude de Kemet (Egito Antigo) e de regiões como a Líbia. Ao categorizar o Norte da África como uma extensão do Mediterrâneo ou do mundo árabe, a historiografia eurocêntrica tentou roubar o legado de Kemet da identidade africana. O termo "subsaariano" implica uma hierarquia onde o progresso tecnológico, a escrita, a arquitetura monumental e a filosofia egípcia seriam desconectados das populações negras ao sul do deserto.

Owen 'Alik Shahadah e outros pensadores argumentam que essa fronteira invisível é fundamentalmente enraizada no racismo. Ela perpetua a noção errônea de que os avanços de Kemet não foram fruto do gênio africano negro, mas de "invasores" externos. Essa divisão ignora milênios de rotas comerciais, migrações e parentesco cultural que unificam o continente. O uso histórico de termos como "África Negra" em oposição ao Norte sugere que os africanos do norte não eram pretos, uma manobra para "embranquecer" a história das maiores civilizações do mundo.

A aplicação de classificações semelhantes em outras regiões revela o absurdo da lógica: ninguém utiliza termos como “Ásia Sub-Gobi” ou “Europa Sub-Peninos” para dividir povos. Portanto, o termo “África Subsaariana” é uma ferramenta de isolamento intelectual.

Existe uma necessidade urgente de uma ciência centrada na África que confronte essas representações e reafirme Kemet e o Norte como partes integrantes e inseparáveis da experiência e da história do homem negro. A África é uma só, e sua história não aceita fronteiras desenhadas pelo colonialismo.

Publicado por: Khemet História Africana.

21/01/2026

SUGESTÃO DE LEITURA: O LEGADO ROUBADO
( FILOSOFIA GREGA É A FILOSOFIA EGÍPCIA)

Mais uma vez voltamos a sugerir este livro aos nossos leitores para uma boa leitura. Uma obra rica que está disponível em formato digital e acessível para todos.

𝐒𝐭𝐨𝐥𝐞𝐧 𝐋𝐞𝐠𝐚𝐜𝐲: 𝐆𝐫𝐞𝐞𝐤 𝐏𝐡𝐢𝐥𝐨𝐬𝐨𝐩𝐡𝐲 𝐢𝐬 𝐒𝐭𝐨𝐥𝐞𝐧 𝐄𝐠𝐲𝐩𝐭𝐢𝐚𝐧 𝐏𝐡𝐢𝐥𝐨𝐬𝐨𝐩𝐡𝐲" é um livro escrito por George G. M. James historiador e guianense-americano publicado em 1954. Nesta obra, o autor argumenta que a filosofia grega foi derivada ou roubada da filosofia egípcia. Na missão de destituir o mito de uma filosofia de origem puramente grega, George James constrói 𝐒𝐭𝐨𝐥𝐞𝐧 𝐋𝐞𝐠𝐚𝐜𝐲 (𝑶 𝑳𝒆𝒈𝒂𝒅𝒐 𝑹𝒐𝒖𝒃𝒂𝒅𝒐) nos contando, em detalhes, como teria sido a trajetória e as circunstâncias que levaram a formação da filosofia grega.

James afirma que o termo filosofia Grega, é um equívoco, pois não há tal filosofia em existência. Os antigos Egípcios desenvolveram um sistema religioso muito complexo, chamados os Mistérios, que também foi o primeiro sistema de salvação Como tal, ele considerava o corpo humano como uma prisão da alma, que poderia ser libertada de seus impedimentos corporais, através das disciplinas das Artes e Ciências, e desenvolvida a partir do nível de um mortal para aquele de um Deus. Tudo o que a Filosofia Ocidental apresentou como “𝐦𝐢𝐥𝐚𝐠𝐫𝐞 𝐠𝐫𝐞𝐠𝐨”já existia no Egipto, ou seja tudo que a filosofia grega apresenta é a mesma semelhança da Egípcia.

James traça um mapa geopolítico explicitando o modo como os gregos construíram a chamada “𝐇𝐢𝐬𝐭ó𝐫𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐅𝐢𝐥𝐨𝐬𝐨𝐟𝐢𝐚”,onde os filósofos gregos são narrados como pioneiros nas elaborações filosóficas sobre mitologia, cosmogonia e questões existenciais da humanidade. James chama atenção para factos históricos que atravessaram o território grego no período onde supostamente os mesmos teriam inaugurado a chamada História da Filoso sefia. James defende a ideia de que a filosofia egípcia era muito mais avançada e desenvolvida do que a grega, e que os gregos teriam adotado e reivindicado essa ideias como suas. Ele argumenta que os egípcios eram os verdadeiros mestres da filosofia e que sua contribuição foi apagada e suprimida ao longo da história.

𝐀 𝐬𝐞𝐦𝐞𝐥𝐡𝐚𝐧ç𝐚 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐚 𝐅𝐢𝐥𝐨𝐬𝐨𝐟𝐢𝐚 𝐀𝐟𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚 𝐞 𝐚 𝐆𝐫𝐞𝐠𝐚

Algo que chama muito a atenção dos estudantes de Filosofia é a mera “semelhança” entre a Filosofia Egípcia e a dita Filosofia grega, tanto na Filosofia Egípcia como na Filosofia Ocidental a sabedoria tinha na antiguidade como objetivo a elevação da alma, a deificação dos sujeitos, também a libertação dos grilhões corporais, algo presente nos saberes de Platão e de outros filósofos ocidentais, James faz um questionando na sua abordagem: 𝑸𝒖𝒆𝒎 𝒆𝒏𝒔𝒊𝒏𝒐𝒖 𝒐 𝒇𝒊𝒍ó𝒔𝒐𝒇𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒏𝒔𝒊𝒏𝒐𝒖 𝒐𝒖𝒕𝒓𝒐 𝒇𝒊𝒍ó𝒔𝒐𝒇𝒐? 𝑶𝒖 𝒔𝒆𝒋𝒂, 𝒒𝒖𝒆𝒎 𝒆𝒏𝒔𝒊𝒏𝒐𝒖 𝑺ó𝒄𝒓𝒂𝒕𝒆𝒔? Percebe-se que os gregos eram crianças aos olhos dos egípcios e de que tinham que ser ensinados sobre os mistérios da vida, por isso: Sistema de Mistérios Egípcios. Neste sistema havia uma hierarquia de conhecimento, como etapas no processo de aprendizagem/ conhecimento.

O autor demonstra que a Filosofia Grega foi fruto dos Sistemas de Mistérios Egípcios, além disso, o autor traz à tona algumas objeções acerca da História da Filosofia. O autor explica quatro pontos extremamente importantes e caros à Filosofia e a legitimidade da Filosofia Africana. Estes pontos são: (1) A teoria Egípcia de salvação que desde a antiguidade tornou-se o objetivo da Filosofia Grega; (2) Circunstâncias da identidade entre os sistemas Egípcio e Grego e (3) A abolição da Filosofia Grega com os Mistérios Egípcios.

James afirma desde o primeiro capítulo que a filosofia grega teria sido fruto do roubo de um legado, o legado egípcio. Parece-nos que o interesse do autor é, justamente, apontar a tamanha negligência e violência dos outros contra as produções intelectuais africanas, já que esses traços foram completamente retirados da história da filosofia. James suporta ainda que a filosofia ocidental teve muita influência africana e negra.

Outro ponto de interesse considerável para ser contabilizado foi a atitude do governo Ateniense para esta então-chamada Filosofia Grega, a qual era considerada de origem estrangeira e tratada em conformidade. Apenas um breve estudo da história é necessário para mostrar que os filósofos Gregos eram cidadãos indesejáveis, que durante todo o período de suas investigações foram vítimas de perseguição implacável, nas mãos do governo Ateniense. 𝐀𝐧𝐚𝐱á𝐠𝐨𝐫𝐚𝐬 foi preso e exilado; 𝐒ó𝐜𝐫𝐚𝐭𝐞𝐬 foi executado; 𝐏𝐥𝐚𝐭ã𝐨 foi vendido como escravo e 𝐀𝐫𝐢𝐬𝐭ó𝐭𝐞𝐥𝐞𝐬 foi indiciado e exilado; enquanto o mais antigo de todos, 𝐏𝐢𝐭á𝐠𝐨𝐫𝐚𝐬,foi expulso de Crotona na Itália.

Podemos nós imaginar os Gregos fazendo uma tal sobre volta, como reivindicando os próprios ensinamentos que eles tinham no início perseguido e abertamente rejeitado? Certamente, eles sabiam que estavam usurpando o que nunca tinham produzido.

𝐍𝐨𝐭𝐚: No entanto, é importante destacar que a visão apresentada por George G. M. James em "Stolen Legacy" não é amplamente aceita por alguns estudiosos acadêmicos. Muitos acadêmicos consideram a filosofia grega como uma tradição única e original que se desenvolveu independentemente das influências egípcias.

Por: Uma África Desconhecida

Especialmente para você:Sayyid QutbSayyid Quṭb, Ibrāhīm Ḥusayn Shādhilī Sayyid Quṭb, (nascido em 9 de outubro de 1906, p...
11/01/2026

Especialmente para você:

Sayyid Qutb

Sayyid Quṭb, Ibrāhīm Ḥusayn Shādhilī Sayyid Quṭb, (nascido em 9 de outubro de 1906, perto de Asyūṭ, Egito, morreu em 29 de agosto de 1966 no Cairo), escritor egípcio que foi uma das figuras mais proeminentes do renascimento sunita moderno. Ele era de uma família de notáveis rurais empobrecidos. Durante a maior parte de sua juventude, ele foi professor de escola. Originalmente um leigo fervoroso, ele veio, com o tempo, a adotar muitos pontos de vista islâmicos. Ele foi um dos principais membros da Irmandade Muçulmana Egípcia nas décadas de 1950 e 1960.

Autor de 24 livros, entre romances, crítico de artes literárias, obras na área da educação, é mais conhecido no mundo muçulmano por seu trabalho sobre o que acredita ser o papel social e político do Islã, principalmente em seus livros a justiça social.

Siga a página e fique ligado às informações.

Especialmente para você:PantenoPanteno, Alexandria (-200 DC) teólogo, filósofo, professor da Didaskaleion Alessandria 20...
03/01/2026

Especialmente para você:

Panteno

Panteno, Alexandria (-200 DC) teólogo, filósofo, professor da Didaskaleion Alessandria 204-269. São Panteno, sábio Padre da Igreja e homem apostólico, viveu no século II. Em sua juventude, ele foi um filósofo da escola dos estóicos. Segundo a tradição, tornou-se diretor da escola catequética de Alexandria. Os excelentes métodos pedagógicos que utilizou, elevaram esta escola acima de todas as dos filósofos. Nesta mesma escola, San Panteno formou o famoso Clemente de Alexandria.

Um dos místicos mais fervorosos de seu tempo, o platonismo Plotino evoluiu para uma visão de mundo religiosa e mística. Ele foi o maior expoente do neoplatonismo e seu pensamento influenciou a história da filosofia até hoje. Eusébio, o historiador, diz ter ouvido que São Panteno foi pregar a fé à Índia (talvez Iêmen e Etiópia) e que lá encontrou os cristãos a quem São Bartolomeu havia dado o texto hebraico do Evangelho de São Mateus.

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Especialmente para você:HipatiaHipácia nasceu em Alexandria, Egito, no ano 355 ou 370. Filha e discípula de Theon, ilust...
01/01/2026

Especialmente para você:

Hipatia

Hipácia nasceu em Alexandria, Egito, no ano 355 ou 370. Filha e discípula de Theon, ilustre matemático do Museu (instituição fundada por Ptolomeu dedicada à pesquisa e ao ensino) e notável astrônomo. Ele superou seu pai no aprendizado, na astronomia e em sua dedicação à filosofia. Destacou-se como estudante de ciências e filosofia, disciplinas às quais se dedicou desde muito jovem. Ela obteve a cadeira de filosofia platônica, razão pela qual foi chamada de a filósofa. Hypatia morreu em março de 415 ou 416 em Alexandria, linchada aos 45 ou 60 anos por uma multidão de cristãos após ser acusada de ser uma bruxa e de enganar os habitantes da cidade e o prefeito com seus encantamentos.

Hypatia cultivou várias disciplinas: filosofia, matemática, astronomia, música. Ela é reconhecida como a primeira matemática feminina conhecida. Representante da Escola Neoplatônica de Alexandria no início do século V, seguidora do filósofo romano Plotino, ela trabalhou em estudos de lógica e ciências exatas.

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Especialmente para você:Hasan hanafiNascido no Cairo, Hanafi estudou pela primeira vez no Egito, mas obteve seu doutorad...
30/12/2025

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Hasan hanafi

Nascido no Cairo, Hanafi estudou pela primeira vez no Egito, mas obteve seu doutorado em Paris (1966), trabalhando com Robert Brunschvig em uma tese intitulada Les méthodes de l'exégèse: Essai sur les fondements de la Compreensions, 'Ilm usul al-fiqh. Hanafi é professor de filosofia na Universidade do Cairo desde 1967 e escreveu muitas obras substanciais, três das quais são particularmente significativas. Ele produziu um estudo de cinco volumes sobre teoria política, From Dogma to Revolution (em árabe, 1985), e uma investigação em oito volumes (em árabe) sobre as ligações entre religião e revolução no Egito, que também se concentra nas tendências islâmicas contemporâneas. (Religião e revolução). No Egito, 1989).

Na estrutura de sua filosofia, Hanafi desenvolveu uma teoria do sentimento triplo, apropriando-se do sentimento histórico, do sentimento especulativo e do sentimento prático como recursos para reconstruir a cultura islâmica. Ele encontrou no monoteísmo islâmico a base de um universalismo de princípio ético, no qual a norma e o critério é a boa ação.

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Especialmente para você:Abd al-Rahman BadawiAbdel Rahman Badawi, (bdAbd al-Rahman Badawi), filósofo e acadêmico egípcio ...
27/12/2025

Especialmente para você:

Abd al-Rahman Badawi

Abdel Rahman Badawi, (bdAbd al-Rahman Badawi), filósofo e acadêmico egípcio (nascido em 17 de fevereiro de 1917, Sharabass, Egito, morreu em 25 de julho de 2002 no Cairo, Egito), foi geralmente considerado o primeiro e o principal filósofo existencial do Egito. Badawi recebeu grande parte de sua educação em francês e obteve um doutorado. Dá King Fuad University (posteriormente Universidade do Cairo) em 1944. Sua tese foi posteriormente editada e publicada sob o título The Right of Death in Philosophy (1964). No início dos anos 1950, ele ajudou a redigir uma nova constituição egípcia, que acabou sendo descartada. Badawi ensinou na Universidade Ibrahim Pasha (1950–71) e em universidades no Líbano (1947–49), Líbia (1967–73), Irã (1973–74) e Kuwait (1975–82).

Existencialista, ele é o autor de uma História da Filosofia no Islã. Ele foi o autor de mais de 150 obras, incluindo 75 enciclopédicas. Ele escrevia facilmente em seu árabe nativo, inglês, espanhol, francês e alemão, e lia grego, latim e persa.

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