29/05/2026
A MORTE DO COMANDANTE DA ESQUADRA DO BAIRRO HUAMBO
COMANDO PROVINCIAL DE LUANDA (CPL)
O acidente de viação envolvendo uma motorizada, que vitimou o nosso irmão e Comandante de Esquadra, não deve ser visto apenas como mais uma notícia triste. Deve ser encarado como um grito silencioso de socorro vindo de dentro das instituições do Estado.
É doloroso e revoltante ver homens que carregam nos ombros a responsabilidade de garantir a segurança pública, combater a criminalidade e proteger vidas, serem abandonados à própria sorte, sem meios condignos de trabalho e transporte.
Como é possível que um Comandante de Esquadra, representante da autoridade do Estado, tenha de arriscar diariamente a própria vida numa motorizada por falta de uma viatura de serviço?
Quantos mais terão de morrer para que se compreenda que a segurança também começa por cuidar daqueles que nos protegem?
Os efectivos da Polícia Nacional trabalham em condições extremamente difíceis. Muitos deslocam-se sem segurança no cumprimento do dever, sem combustível nas viaturas, sem apoio logístico e sem recursos mínimos para responder às exigências da população. Ainda assim, continuamos firmes, servindo o povo angolano com coragem, disciplina e espírito de sacrifício.
Hoje foi um Comandante de Esquadra. Amanhã poderá ser outro agente, outro pai de família, outro servidor público da pátria.
Isto não é apenas uma fatalidade. É também o reflexo de falhas graves que precisam de ser enfrentadas com coragem, responsabilidade e sentido de Estado.
Dirigimos este apelo ao Ministro do Interior, Manuel Homem; ao Comandante-Geral da Polícia Nacional, Francisco Ribas da Silva; e ao Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço.
É tempo de rever urgentemente as condições de trabalho nas esquadras e nos Comandos Municipais em todo o país.
É tempo de garantir meios de transporte adequados para a locomoção dos efectivos, assistência técnica, apoio logístico e dignidade aos nossos agentes.
Não basta exigir resultados da Polícia quando muitos trabalham sem as condições mínimas para exercer as suas funções com segurança.
A vida de um comandante vale mais do que relatórios e discursos. Cada agente perdido por negligência estrutural representa uma ferida aberta no Estado e uma família destruída.
Que esta morte não seja esquecida depois de alguns dias de comoção e luto. Que ela sirva para despertar consciências e provocar mudanças reais na Polícia Nacional.
Um país forte constrói-se valorizando aqueles que o protegem.
Vai em paz, nosso eterno Comandante.
Tomás Américo Relógio
Luanda, aos 27 de Maio de 2027