23/03/2019
O conceito de grupo
Os seres humanos vivem em sociedade, integrados em grupos. Este fato, pode ser facilmente confirmado pela nossa experiência todos os dias. Pertencemos a uma família, assistimos a uma aula integrados num grupo, a turma; participamos em atividades com outras pessoas (grupo de amigos); pertencemos a um grupo religioso, partido político ou a uma associação. A nossa participação social manifesta-se, deste modo, em vários níveis e com várias finalidades e objetivos.
Pode-se afirmar que o grupo é uma unidade social, é um conjunto de indivíduos, mais ou menos estruturado, com objetivos e interesses comuns cujos elementos estabelecem entre si relações, isto é, interagem. Assim, um conjunto de pessoas constitui um grupo quando:
Interagem com frequência
Partilham de normas e valores comuns
Participam de um sistema de papéis
Cooperam para atingir determinado objetivo
Reconhecem e são reconhecidos pelos outros como pertencentes ao grupo
A psicologia social vai procurar conhecer e caraterizar o comportamento das pessoas enquanto membros de um grupo. A complexidade da questão reside no fato de, no interior dos grupos, se desenvolverem múltiplas interações. Além disso, uma mesma pessoa pode pertencer a vários grupos.
Tipos de grupos
Podemos distinguir os grupos segundo múltiplas variáveis. A dimensão do grupo, os seus objetivos e tarefas, a sua função social e o tipo de interações e comunicação que os seus elementos estabelecem. Assim distinguem-se, geralmente, dois tipos de grupo: os grupos primários e os grupos secundários, que se diferenciam fundamentalmente pelo tipo de relacionamento. Os grupos primários – são grupos de pequenas dimensões, caracterizados por motivações afetivas. A comunicação é direta, face a face. As relações são muito frequentes. Exemplo: família, grupo de amigos, turma, etc. Os grupos secundários: geralmente formados por um maior número de elementos, a comunicação e as relações que se estabelecem não são diretas. O relacionamento está marcado pela formalidade e impessoalidade. Exemplo: empresas, sindicatos, partidos políticos, etc.
Liderança
No interior dos grupos estabelece-se uma divisão de funções e relações de cooperação entre os seus membros. O tipo de tarefas, estrutura, organização e normas varia. Contudo há um elemento comum a quase todos os grupos, a existência de um líder. Mesmo nos grupos mais pequenos, há a tendência para se escolher entre os seus membros um elemento que coordene a atividade coletiva, para melhor atingir os objetivos definidos, para afirmar o próprio grupo. A liderança é o processo pelo qual alguém tente influenciar os outros na realização dos objetivos pretendidos.
Estilos de liderança
Não existe um estilo único de liderança: há diferentes formas de o líder exercer a sua influência e poder. Diferentes estilos de liderança geram diferentes tipos de líder, diferentes atitudes no interior dos grupos, diferentes comportamentos individuais
Kurt Lewin desenvolveu, nos EUA, em 1939, um conjunto de investigações sobre atmosferas de liderança, orientando o seu trabalho no estudo da relação do líder com os elementos do grupo. Os principais estilos de liderança: autoritária – o líder toma decisões sem consultar o grupo; fixa as tarefas de cada um e o modo como as concretizar; não há espaço para a iniciativa pessoal; é um tipo de liderança geradora de conflitos, de atitudes agressivas e de frustração. A produtividade é elevada, mas a realização das tarefas não é acompanhada de satisfação. A liderança permissiva/liberal – o líder funciona como um elemento do grupo e só intervém se for solicitado. É o grupo que levanta os problemas, discute as soluções e decide. O líder não intervém na divisão das tarefas. Este tipo de liderança quando o grupo não tem capacidade de auto-organização podem surgir conflitos e pouca satisfação no desempenho das tarefas. A democrática – o grupo participa na discussão da programação de trabalho, na divisão das tarefas, sendo as decisões tomadas colectivamente. O líder assume uma atitude de apoio, integrando-se no grupo, sugerindo alternativas sem, contudo, as impor. A produtividade é boa, mas sobretudo, verifica-se uma maior satisfação e criatividade no desempenho das tarefas, assim como, um espírito de solidariedade entre os elementos do grupo.
Redes de comunicação
No interior do grupo, por mais pequeno que seja, estabelecem-se comunicações entre os seus membros. Designa-se por redes de comunicação os canais e o modo como as pessoas se relacionam no interior de um grupo. As redes de comunicação reproduzem os modelos de transmissão de mensagens que se estabelecem entre os membros de um grupo. Kurt Lewin estudou as influências das comunicações no grupo e as transformações provocadas pela utilização de diferentes canais de comunicações. Kurt Lewin orientou experiências com grupos de cinco pessoas, organizando-as em três tipos de rede:
Rede em estrela
Rede em círculo
Rede em cadeia
Este investigador procurou avaliar, as diferentes redes de comunicação, através dos seguintes parâmetros:
Ø O número de mensagens emitidas
Ø O número de erros cometidos
Ø O tempo necessário para resolver o problema
Ø O moral do grupo
Lewin organizou os grupos em três tipos de rede, chegou às seguintes conclusões:
Primeiro: o grupo organizado em estrela, rede centralizada em que cada membro só pode comunicar com o chefe, que detém e controla toda a informação; resolvia mais rapidamente os problemas, o número de mensagens era reduzido e os erros cometidos irrelevantes.
Segundo: o grupo organizado em círculo, rede descentralizada, em que os seus membros podem comunicar livremente entre si, gastava mais tempo a resolver os problemas, sendo as mensagens e os erros em maior número, contudo, os participantes apresentavam um maior nível de satisfação dos trabalhos
Terceiro: na rede em cadeia, rede descentralizada, as mensagens transmitidas correm o risco de se perderem e/ou deturparem sendo a comunicação mais lenta.