02/09/2025
"A Maldade Grita Mais do Que a Bondade: Até Quando Vamos Fingir que Não Ouvimos?"
Há dias em que me pergunto se o mundo se tornou mais cruel ou se foi apenas a nossa capacidade de ver e registar tudo que se ampliou. A violência está em cada noticiário, a agressividade em cada comentário online, a indiferença em cada olhar apressado. Mas será que isto é novidade, ou apenas a revelação daquilo que sempre existiu, agora exposto em tempo real?
A maldade não se mostra apenas em grandes guerras ou crimes hediondos. Ela vive também no silêncio de quem poderia agir e não age, na ironia ácida que fere, na falta de empatia perante a dor do outro. O mal, muitas vezes, não é um monstro distante, mas um reflexo invisível que se esconde dentro das nossas pequenas escolhas quotidianas.
Talvez o que mais me incomode não seja a existência da maldade, mas a sua normalização. Tornámo-nos espectadores passivos, como se o sofrimento fosse apenas mais um espetáculo a consumir. Ficamos indignados por um instante, mas rapidamente deslizamos o ecrã e seguimos para o próximo conteúdo.
E no entanto, se olharmos com atenção, percebemos que a bondade também existe – mas é discreta, quase tímida, raramente vira manchete. O problema é que o mal faz barulho, enquanto o bem exige silêncio, paciência e persistência.
E é aqui que me pergunto: quantos de nós estão realmente dispostos a trocar a passividade por ação? Quantos preferem enfrentar a maldade em vez de a ignorar? Será que não é mais cómodo apontar o dedo ao mundo e esquecer que a mudança começa dentro de cada um?
Se a maldade continua a crescer, talvez não seja apenas porque "os outros" a praticam, mas porque muitos de nós escolhem o conforto da indiferença. E tu, quando foi a última vez que escolheste o difícil — mas necessário — caminho de contrariar o mal à tua frente?