28/08/2026
Creditos do vídeo: Just Jay
thanks for the video 🥰
AsPalavras que nasceu na política da Roma antiga.
Embora “eleição” provenha do latim, e o português seja uma língua latina, essa palavra não existia no português arcaico, tendo sido introduzida posteriormente por via culta. Ela provém do latim electionem, caso acusativo (isto é, forma de objeto direto) de electio.
O fato é que o latim electio deriva do verbo eligere, por sua vez composto do prefixo ex, “fora”, e legere, “catar, colher”, provenientes respectivamente do indo-europeu *eks (ou *eghs) e *leg‑.Portanto, eleger alguma coisa é extraí-la de seu conjunto, como se faz quando se tira um grão de feijão de um s**o.
Já “concorrer”, do latim concurrere, é literalmente “correr juntos” e referia-se à competição esportiva da corrida na Roma antiga. Até hoje a metáfora da competição, inclusive eleitoral, como uma corrida permanece ligada ao verbo “concorrer” e seus cognatos “concorrência”, “concorrente”, “concurso”, etc. A imprensa, por exemplo, volta e meia se refere à “corrida presidencial”.
“Voto” vem do latim votum, particípio do verbo vovere, “prometer, jurar solenemente, fazer um voto (de castidade, por exemplo), fazer votos (de felicidade, etc.)”. Do voto com sentido religioso passou-se ao voto político, que era pronunciado solenemente em voz alta no senado romano. Por sinal, “voto” é da mesma origem que “voz”, e em ambos os casos há a ideia de fala. Por isso mesmo, criou-se a expressão aliterativa “direito a voz e voto”.
Urna, na Roma antiga, era um vaso de gargalo estreito e bojo largo que servia para guardar água, óleo, cinzas e… votos. Por incrível que pareça, urna é da mesma origem que urina, e ambas remontam à raiz indo-europeia *wod‑, “água”, que deu water em inglês e vodka (a água que passarinho não bebe) em russo.
DO PÓ VEIO, PARA O PÓ VOLTARÁS!
Finalmente, “candidato” vem do latim candidatus, aquele que se vestia de branco (candidus em latim) para concorrer a uma vaga no senado, pois a túnica branca era uma espécie de traje oficial dos políticos da época, assim como o terno hoje em dia. Candidus deu “cândido” e “candura” em português. E como o branco é a cor da pureza, uma pessoa cândida é uma pessoa pura, sem máculas de caráter. Já que cândido é branco, sem manchas, existe até um alvejante de roupas com essa marca. E a lição que f**a é que os candidatos a cargos públicos deviam ser pessoas cândidas de caráter, isto é, políticos “ficha limpa”. (Será que eram mesmo?)
“Cândido” é da mesma origem de “candeia”, “candelabro”, incandescente”, “candente”, “incêndio”, etc. E todos provêm da raiz indo-europeia *kand‑, que quer dizer “brilhar”. Como o brilho resulta da luz, que na Pré-História só podia provir do fogo ou do Sol (que também é, grosso modo, uma bola de fogo), daí a relação entre a cor branca e o fogo, ambos dotados de brilho e resumidos na raiz *kand‑. PURIFICAÇÃO
Para provar isso, os Candidatus para eleição de Roma usavam como vestimenta a roupa mais branca possível, para espelhar a sua pureza de intenções, ausência de corrupção, dignidade, etc. Assim, a origem da palavra “Candidato” vem especif**amente da palavra “candidus”.
Candidato é uma palavra curiosa: o latim candidatus, que inicialmente queria dizer apenas “vestido de branco”, passou a designar os aspirantes a cargos eletivos na Roma Antiga porque, segundo o costume, era assim que todos eles se apresentavam diante dos eleitores – metidos em togas inteiramente alvas.
Uma versão rudimentar do marketing político-cosmetológico que hoje se faz com cirurgias plásticas, cortes de cabelo e mudanças no figurino. O branco do candidatus tentaria mostrar que ele era candidus, ou seja imaculado, puro.
era como se os aspirantes ao voto popular “quisessem mostrar a candideza do seu ânimo na sua pretensão, dirigida só ao bem público; ou também porque queriam dar a entender que não fundavam nos seus merecimentos, mas na bondade e virtude dos que haviam de eleger, o sucesso da pretensão”.
Como vemos, numa eleição há vestígios de conceitos imemoriais, como catar, correr, voz, vaso, água, brilhar, branco… Só não se pode dizer que haja pureza!
Boa eleição a todos!