15/10/2025
169 km de silêncio, liderança e presença
Na última quinta-feira, saí de Guarulhos rumo a Aparecida.
Foram 169 quilômetros em quatro dias, finalizando no dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida.
Mais do que uma caminhada de fé, foi uma lição sobre liderança, paciência e presença.
Nos primeiros quilômetros, eu queria apenas chegar.
Cumprir os 40 km diários, bater a meta, riscar o objetivo da lista.
Era a diretora comercial que existe em mim tentando “performar” até na fé.
Mas, com o passar dos dias, o caminho foi me ensinando:
-Que liderar não é correr na frente, é saber esperar o time — e muitas vezes, -chegar por último.
-Que pausar também é estratégia.
-Que o silêncio pode ser mais produtivo que qualquer reunião, especialmente quando não há ninguém ao lado que realmente acrescente.
-Que só se ajuda quem quer ser ajudado e pediu ajuda.
-Que empatia é se doar sem esperar nada em troca.
-Que a alegria sustenta qualquer coisa.
Nos momentos em que caminhei sozinha, percebi o quanto nossa mente não está preparada para o tédio.
Somos viciados em movimento, notificações, resultados.
Mas é no silêncio que nascem as melhores decisões, as que vêm de dentro e não da pressão externa.
Assim como no mundo corporativo, o caminho também me mostrou que ainda existem pessoas que ajudam sem interesse, apenas por empatia e propósito.
São esses “anônimos” que lembram o que sustenta qualquer cultura forte: a generosidade e a colaboração genuína.
Voltei com o corpo cansado, tornozelo inchado, muitas perguntas, mas com a alma em paz.
E com a clareza de que liderar e viver têm o mesmo princípio:
Não é sobre a velocidade da entrega, é sobre a consciência da jornada e a constância dos passos.
E você — quando foi a última vez que desacelerou para realmente escutar o caminho?