11/12/2025
É interessante como cada pessoa filtra o comportamento do outro a partir da própria estrutura emocional. Quem tem uma empatia mais ampliada costuma interpretar atitudes pela lente da sensibilidade que carrega: percebe nuances, suaviza intenções e encontra o lado bom mesmo quando ele não está tão evidente. É uma leitura que nasce da forma como a pessoa sente, não do que o outro realmente entrega.
Já no funcionamento narcisista, o processo é outro. Existe, sim, uma capacidade de “ler” o emocional alheio, mas ela é cognitiva, não afetiva. Serve mais para orientar aproximação, controle ou autopreservação do que para criar vínculo. Por isso, qualquer limite vira ameaça, qualquer frustração soa como crítica, e qualquer gesto neutro pode ser interpretado como falha. Não é falta de percepção, é percepção usada a favor da própria imagem.