07/06/2026
A indústria de apostas esportivas e cassinos online, regularizada no Brasil em janeiro de 2025, registrou forte expansão nos primeiros quatro meses de 2026. A receita das empresas licenciadas dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo diante de restrições judiciais e governamentais ao acesso de beneficiários de programas sociais e de pessoas endividadas.
Os dados da Receita Federal mostram que a arrecadação de impostos sobre apostas saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões no primeiro quadrimestre, valor próximo ao recolhido mensalmente pelas indústrias do tabaco e da agricultura, que contribuem com cerca de R$ 1 bilhão por mês cada. Considerando que a carga tributária representa 37% da receita do setor, as bets faturaram R$ 12,2 bilhões entre janeiro e abril deste ano. Em 2025, o faturamento anual havia sido de R$ 36,9 bilhões.
A Copa do Mundo deve ampliar ainda mais esse desempenho. Segundo a Folha, a consultoria H2 Gambling Capital projeta aumento entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões nos depósitos destinados a apostas esportivas durante o torneio. O presidente da H2, Ed Birkin, ressalva que o ganho efetivo dependerá dos resultados das partidas, já que o faturamento do setor corresponde ao saldo remanescente após o pagamento dos prêmios.
Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, a expansão está ligada à maior penetração das bets na sociedade por meio da publicidade. Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, resume: "É um setor que está se consolidando."
O crescimento ocorre em meio ao debate sobre endividamento, dependência e atuação de casas ilegais. No modelo do setor, cálculos estatísticos garantem que, na média de milhares de apostas, o total arrecadado com palpites perdedores supere o valor pago aos vencedores.
📸 Welinton Barros / Auriverde Brasil