Apresentamos a vocês o mais novo jornal da Região Norte do país, especificamente em Belém do Pará. A ideia surgiu quando a senhora Daiane, colaboradora do projeto, trouxe o jornal lá do Rio Grande do Sul: o Boca de Rua. Este jornal nos chamou a atenção porque abriu espaço para as pessoas que não tinham oportunidades de falar. Inicialmente somos nós, usuários da Unidade de Acolhimento (UA), que res
olvemos fazer este jornal para falar de tudo um pouco, pois quando chegamos a esta casa de recuperação, não tínhamos perspectiva alguma de vida ou de ter novamente contato com nossos familiares. Agora com essa ideia, podemos dizer que juntos somos capazes de mudar a nossa história. Nosso lema será sempre aproximar essas pessoas em situação de rua junto à sociedade e fazer valer os seus direitos como cidadãos, afinal, até mesmo dentro de um farrapo há um ser humano. Ele está sendo produzido por dependentes químicos em fase de recuperação, sendo que alguns já moraram na rua até estar em tratamento, mostrando também que nem todas as pessoas que moram na rua são alcoólatras, toxicômanos, marginais, prostitutas etc... Sabemos que na rua existem também vários artistas com variados e grandes talentos, pessoas que mesmo em situação de rua ainda mantém sua dignidade e criatividade.
“Na rua existem dezenas, centenas, milhares... de João de Santo Cristo que queria falar com o presidente para ajudar toda essa gente que só faz sofrer...”
Pedimos aos leitores que possam nos ajudar nessa nova meta de inclusão social. Sabemos que sozinhos não podemos muita coisa, mas juntos somos mais fortes! O jornal irá falar sobre como é a vida na rua, sobre dependência, escravidão das dr**as, família, esportes, utilidades públicas como proposta de emprego, também teremos momentos poéticos, relatos do coração, hora do riso e outros assuntos. Queremos fazer um jornal que seja amplo e honesto e que sirva como instrumento para denunciar o descaso social do Poder Público. Sendo assim, nosso principal objetivo com esse mais novo veículo de comunicação é alcançar aquelas pessoas que se encontram em total exclusão social. Com isso poderemos nos tornar pessoas melhores e também mostrar para aqueles que estão na rua que ainda há esperança, há vida, há amor. E para que as outras pessoas da sociedade conheçam a verdade crua da rua. Texto: Antônio Carlos Miranda Ramos, Carlos Augusto, Carlos Henrique Barbosa, Eduardo Castro de Souza e Halda Cristina.