19/07/2026
O racismo contra os povos indígenas não acontece apenas quando alguém nos ofende pela nossa aparência, também acontece quando nossos conhecimentos são tratados como superstição, nossas histórias como lendas, nossas línguas como dialetos, nossas espiritualidades como folclore e nossas formas de compreender o mundo como se fossem inferiores às tradições trazidas pela colonização. Muitos pesquisadores chamam esse processo de epistemicídio: a desvalorização e o apagamento sistemático dos conhecimentos produzidos por outros povos, como se apenas uma forma de pensar pudesse ser considerada legítima. Durante séculos, os povos indígenas foram retratados como menos civilizados, menos inteligentes e, muitas vezes, quase como se fossem menos humanos. Essa lógica não desapareceu. Ela continua presente, de forma muitas vezes sutil, nas escolas, nas universidades, nas instituições e na maneira como nossa cultura ainda é vista. O episódio que conto neste vídeo aconteceu durante uma aula de Direito e me fez perceber como esse processo continua vivo. Não se tratava apenas de uma discordância sobre uma história. Tratava-se de quem tem o poder de decidir o que é conhecimento, o que é tradição e o que merece ser chamado de verdade. Enquanto continuarmos ridicularizando os saberes indígenas, continuaremos reproduzindo uma das formas mais profundas de racismo herdadas da colonização.