15/11/2025
Um semblante triste e olhar fixo. Ao encontrar essa senhora em uma rua, dificilmente se imaginaria que ela tem uma importância científica comparável a Einstein e Newton.
Essa é Cecilia Payne-Gaposchkin, a astrônoma que descobriu a composição do universo, compreendeu do que são feitas as estrelas e escreveu a melhor tese de astronomia já escrita.
Desde sua morte, em 1979, a cientista que desvendou a composição do universo ainda não recebeu o reconhecimento merecido. Cecilia Payne, responsável por uma das maiores descobertas da astronomia, foi lembrada com uma simples placa comemorativa na Universidade de Harvard, mas sua maior contribuição sequer é mencionada nos currículos escolares.
Enquanto estudantes do ensino médio aprendem sobre Isaac Newton e a gravidade, Charles Darwin e a evolução, ou Albert Einstein e a relatividade, pouco se fala sobre quem revelou que o elemento mais abundante no universo é o hidrogênio. Foi Cecilia Payne quem, em sua brilhante tese de doutorado, revolucionou nosso entendimento sobre a composição das estrelas com sua obra Stellar Atmospheres: A Contribution to the Observational Study of High Temperature in the Reversing Layers of Stars. Essa tese, considerada "a mais brilhante já escrita em astronomia", foi o marco inicial de sua notável carreira.
A jornada de Payne, no entanto, foi repleta de desafios. Sua própria mãe considerava um desperdício investir na educação de uma mulher. Ainda assim, Cecilia conquistou uma bolsa de estudos em Cambridge, onde concluiu seus estudos, mas, por ser mulher, não recebeu o diploma.
Determinada, ela se mudou para os Estados Unidos, onde se tornou a primeira pessoa a obter um doutorado em astronomia no Colégio Radcliffe. Ela também foi pioneira ao ser promovida como professora em Harvard, a primeira mulher a alcançar tal feito.
Apesar de sua importância, o nome de Cecilia Payne ainda é frequentemente deixado de lado. Ela não foi a única. Cientistas como Rosalind Franklin e Lise Meitner também enfrentaram o apagamento de suas contribuições históricas.
Rosalind Franklin, que teve papel fundamental na descoberta da estrutura do DNA, só teve seu trabalho reconhecido décadas depois. Lise Meitner, que contribuiu para a descoberta da fissão nuclear, foi ignorada no recebimento do Prêmio Nobel, concedido apenas a seu colega Otto Hahn.
Este texto é uma homenagem a todas essas mulheres que, mesmo diante de adversidades, transformaram a ciência e o entendimento do mundo ao nosso redor, e cuja memória merece ser resgatada e celebrada.
Que nunca esqueçamos o legado de Cecilia Payne, a mulher que nos revelou do que as estrelas são feitas.