06/12/2025
Em 2026, o Brasil estará novamente diante das urnas, como faz ciclicamente desde que aprendeu a transformar esperança em voto. Milhões de pessoas caminharão até as sessões eleitorais acreditando que, desta vez, algo poderá mudar de forma definitiva.
E, naquele cenário, surgirá a figura do futuro presidente — ainda desconhecido, ainda envolto em expectativas, ainda moldado pela vontade coletiva. Ele ou ela percorrerá o país carregando discursos, promessas, acenos, planos. Mas, no fundo, carregará algo muito mais profundo: o peso de governar uma nação que sempre parece à beira de se transformar e, ao mesmo tempo, à beira de repetir-se.
Dizerão que o novo presidente trará ideias inéditas, propostas ousadas, um projeto capaz de redesenhar o país. E talvez tudo isso seja verdade. Talvez.
Mas a grande dúvida — a incógnita que pairará sobre cada debate, cada pesquisa, cada comício — não será sobre quem vencerá.
Será sobre o que o Brasil fará com quem vencer.
Porque o país seguirá enfrentando o mesmo ciclo insistente:
o ciclo da esperança inflada,
da frustração acumulada,
da reinvenção parcial,
e da reinicialização eterna.
Um ciclo que atravessa governos e gerações, e que parece sempre retornar ao ponto de partida.
Em 2026, o futuro presidente prometerá romper esse padrão. Todos prometem.
E, ainda assim, o Brasil perguntará em silêncio:
Será agora?
Será este o mandato capaz de quebrar um movimento que se perpetua há décadas?
Ou estaremos condenados a repetir, mais uma vez, a velha dança entre progresso e atraso?
Ninguém saberá responder. Nem mesmo o presidente eleito.
O que se saberá é que, ao assumir o poder, ele carregará não apenas um mandato — mas a expectativa de um país que vive à procura de um ciclo novo, mas que continua preso ao ciclo de sempre.
No futuro, os livros dirão o que 2026 representou.
Por enquanto, resta apenas a pergunta suspensa no horizonte:
o Brasil finalmente mudará o ciclo?
Ou o ciclo mudará, mais uma vez, o presidente?