05/03/2026
Aristóteles dizia que agir, produzir, contribuir é parte do que nos torna humanos.
Não no sentido raso de “faça o que você ama” um conselho moderno que ignora que a maioria das pessoas não tem esse luxo. Mas no sentido profundo de que o trabalho é a forma de dizer ao mundo: eu estive aqui, eu importei.
Um terço do teu dia.
É a fatia mais acordada, mais deliberada da sua existência. Você dorme outro terço. O restante sobra pras bordas da vida, a sua família, deslocamento, alimentação (que as vezes também é para seu trabalho).
E é nesse terço do meio que muita gente escolhe ser quem eu nunca consigo entender completamente.
Não estou falando de imperfeição. Imperfeição eu entendo que sou imperfeito todos os dias. Estou falando de uma escolha ativa de tratar o outro com descaso. De fofoca como moeda social. De prometer e não entregar como política de sobrevivência. De chegar numa entrevista sem ter lido o nome da empresa e achar que o problema é quem está do outro lado.
O que aconteceu com a ideia de que o trabalho nos dignifica?
Não no sentido opressor de “não reclame das suas condições”.
Mas no sentido real de que quando você entrega o melhor que tem, você sai dali um pouco maior. Você constrói algo além do salário. Você constrói caráter.
E quando você trata mal o lugar onde passa um terço da vida, você não está só sendo inconveniente. Você está desperdiçando a única coisa que nenhum dinheiro compra de volta.
O tempo que você passou sendo quem não precisava ser.
A forma como você trata as pessoas no trabalho diz algo fundamental sobre quem você decidiu ser, não sua essência imutável, mas quem você escolhe ser quando ninguém está te obrigando a ser melhor.
Esse é o teste real.
E muita gente está reprovando em silêncio todos os dias.
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