30/03/2026
POR: CARLOS TONET
Editor Noticenter
Faleceu há poucas horas, em Blumenau, o empresário, ex-presidente da Acib e ex-cônsul honorário da Alemanha Hans Prayon, 93 anos.
Tive contatos com ele em diversas oportunidades, todas muito produtivas.
A primeira delas foi em 1998, quando lancei um jornal de economia.
Prayon era presidente da Acib e, atendendo a meu convite, concordou em colocar o nome dele no Conselho Editorial, contribuindo para dar mais credibilidade ao projeto diante do mercado empresarial.
Em 2005 tivemos contato na campanha que elegeria Ricardo Stodieck à presidência da Acib.
Prayon era presidente do Conselho Deliberativo.
Num sábado à tarde estive na casa dele com o Ricardo para alinharmos algumas atividades de comunicação.
“Precisamos eleger o Ricardo para acabar com a ditadura dos Hans”, dizia ele em tom de brincadeira, referindo-se ao fato de que os últimos três presidentes da Acib chamavam-se Hans: Hans Martin Meyer, Hans Prayon e Hans Dieter Didjurgeit.
Havia uma belíssima chopeira alemã lá e antes de partir ele fez questão que bebessemos um chope com ele.
Posteriormente, quando lancei o Noticenter, tornou-se nosso mais fiel leitor.
Nossos relatórios mostravam que o e-mail dele era o primeiro a abrir nossa newsletter, religiosamente às 7 da manhã.
Me recebeu um dia pra falar de sua participação como autor da ideia que criaria o Cetil e me disse que havia criado uma lista de e-mails para compartilhar nossas notícias.
Lembro de ele ter contado sobre sua vivência na Alemanha quando criança. Nascido em 1932, estudava na Alemanha durante a II Guerra, tendo recordações dos bombardeios.
Em 2006, no Blusoft, eu e Charles Schwanke descobrimos que a multinacional alemã T-Systems pretendia se instalar no Sul do Brasil e havia iniciado contatos com a cidade de Santa Maria, RS.
Tive a ideia de levarmos uma carta pessoalmente ao Prayon, sugerindo que ele a enviasse à empresa para conhecer Blumenau.
Assim que explicamos o fato, ele disse “é prá já” e disparou sua rede de contatos ali mesmo, na nossa frente, e mandou traduzir a carta para o alemão.
Em poucos dias nos deu retorno de que a empresa iria incluir Blumenau entre as cidades a serem prospectadas.
Meses depois, a T-Systems se instalaria em Blumenau com o apoio decisivo dele.
Talvez nem ele próprio tivesse noção da importância dele para um novo salto na nossa indústria de software, assim como fizera na fundação do Cetil, décadas antes.