05/06/2026
Por mais absurda que a história pareça, ela é real. Durante mais de um ano, um casal de pastores de Joinville, em Santa Catarina, acreditou estar acolhendo uma menina autista de apenas 11 anos, vítima de abusos e em situação de vulnerabilidade. Sensibilizados pelos relatos, eles abriram as portas de casa, ofereceram moradia, alimentação, cuidados diários e apoio emocional. A suposta criança dizia ter medo do escuro, simulava crises, afinava a voz, usava chupeta, mamadeira e até um “cheirinho” para dormir. Com o passar do tempo, a família criou um vínculo tão grande que chegou a organizar uma festa quando ela “completou” 12 anos e custeou tratamentos médicos, incluindo o uso de Mounjaro, medicamento de alto custo. O que eles não sabiam era que a menina era, na verdade, Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos. Segundo a Polícia Civil, ela já havia aplicado golpes semelhantes em outros estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, sempre utilizando histórias comoventes para conquistar a confiança de pessoas dispostas a ajudar. Em um dos casos anteriores, Amanda chegou a afirmar que era vítima de abusos e até inseriu agulhas no próprio corpo para dar credibilidade à narrativa. As investigações apontam que o objetivo não era furtar dinheiro diretamente, mas garantir abrigo, alimentação, presentes, tratamentos e assistência através da falsa identidade. Presa nesta semana em Santa Catarina, Amanda confessou os crimes e agora responde por estelionato e falsa identidade. Um caso que impressiona pela complexidade da encenação e pela facilidade com que a boa-fé das pessoas pode ser explorada.