15/05/2020
Nutrir: prover(-se) de alimento, de substâncias nutritivas; alimentar(-se); ser o alimento de.
Geraizeiros, vazanteiros, veredeiros, extravistas, quilombolas, indígenas. Na maioria das vezes, essas nomenclaturas mesclam-se, não se distinguem e não se separam por cercas ou limites geográficos, e fazem parte de um mesmo mosaico de povos e comunidades tradicionais na região do Grande Sertão Veredas até o Vale do Peruaçu, no norte de Minas Gerais e trijunção com os estados da Bahia e de Goiás.
No território, a cultura alimentar sobrevive na memória coletiva, no afeto e nas formas de reciprocidade, sistemas de trocas e de produção a partir da potente relação entre o quintal e o Cerrado. Contudo, necessita de itens do comércio com as cidades, adquiridos sobretudo com renda da agricultura familiar, da venda de artesanato e do turismo de base comunitária, em composição com o recebimento de aposentadorias e do bolsa-família.
Com a pandemia de Covid-19, as famílias já não podem circular no território para comercializar sua produção, seja de alimentos ou de artesanato, além de deixarem de receber renda advinda do turismo comunitário em torno dos Parques (em especial o Parque Nacional Grande Sertão Veredas e o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu).
Além disso, faltam produtos de limpeza e de segurança pessoal para proteger os moradores, além de circularem informações falsas que mais amedrontam do que auxiliam na proteção contra o vírus.
A campanha Nutre Sertão Veredas visa suprir parte da demanda alimentar de 25 comunidades tradicionais no território, abrangendo cerca de 250 famílias, além fornecer itens de limpeza, máscaras de proteção individual, orientação e informações seguras a partir das diretrizes dos órgãos de saúde.
Além de montar certas com itens não perecíveis, vamos trabalhar com produtos da agricultura familiar, fazendo circular a produção local, preservando o movimento de reciprocidade que caracteriza o território e o protagonismo de seus habitantes. Nas cestas, vai junto um exemplar da Manzuá, nossa revista do coração, e material de arte para as crianças. As informações estão sendo produzidas e compartilhadas por meio da rede de jovens educomunicadores do território, que atuam pela narrativa da abundância e do afeto, com podcasts, vídeos e mensagens que circulam fácil pelas redes e alcançam mais regiões, inclusive para além do território do Mosaico.
Tudo para proteger, ajudar as pessoas a permanecerem em casa e nutri-las de alimentos e companhia, seguindo as condições de necessário distanciamento social.
Para conhecer: https://manzua.eco.br/site/nutre-sertao-veredas/
Foto: Casa de dona Erminda, comunidade Estiva, beira do rio Carinhanha. Chapada Gaúcha/MG
Créditos: Marcela Bertelli