13/04/2021
Hoje, indica o livro “A Mudança da Capital”, escrito pelo jornalista Adirson Vasconcelos, publicado pela primeira vez em 1978. O livro acompanha, como o próprio título sugere, as ideias mudancistas e de interiorização da capital ao longo dos anos. Em seu esforço de traçar a genealogia dessa ideia, Adirson adiciona no livro, em vários momentos, a íntegra de normativas e discursos proferidos no parlamento brasileiro.
O livro demarca a primeira tentativa de interiorização da capital com os inconfidentes mineiros, em 1789, para a então cidade de São João d’El Rei. Hipólito José da Costa, jornalista fundador periódico “Correio Braziliense”, José Bonifácio, Francisco Adolfo de Varnhagen, dentre outros, irão também defender, ao longo do Brasil Império, a tese da necessidade de interiorização da capital, seja com argumentos em favor de integração nacional, seja com argumentos de “levar progresso ao sertão nacional”, ou mesmo em favor de uma maior segurança longe do litoral. Será, entretanto, com a primeira Constituição Republicano, de 1891, que o desejo mudancista será cristalizado como preceito constitucional para a região do Planalto Central, dando início a um novo período de debates e iniciativas, como a Comissão Exploradora do Planalto Central, iniciada em 1892, e que delimitou os atuais limites do Distrito Federal.
Seja como for, a inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek, é parte de um processo maior, que envolveu várias gerações em torno de debates, projetos de nações, assim como de interesses privados. Adirson Vasconcelos contribui, em seu livro, na percepção dos argumentos em torno da necessidade de transferência, argumentos que são novos ou retrabalhados, mas parte de uma história maior. É preciso perceber a transferência da capital sem fazer tábula rasa desse longo processo.
Escrito por Matheus Machado.